Economia Pessoal

Deixar de trabalhar para ficar em casa com os filhos: o que ter em conta

19 Janeiro, 2018

Terminou a licença de parentalidade o período complementar e quer continuar em casa para acompanhar o crescimento dos seus filhos? Eis o que precisa de ter em conta.


A licença terminou. E agora?

Quando termina a licença de maternidade/paternidade, os pais costumam optar por deixar os filhos numa creche, numa ama ou com os avós. Mas deixar de trabalhar temporariamente para ficar com os filhos em casa também é uma alternativa que pode entrar na equação. É preciso dinheiro para o fazer? Sem dúvida alguma, mas em primeiro lugar vai ser preciso vontade genuína para optar por este caminho e em segundo lugar criar antecipadamente um plano de poupança para o efeito e… levá-lo à prática!

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O que é que a lei prevê?

Deixar os filhos numa creche, aos cuidados de uma ama ou na casa dos avós são normalmente as soluções encontradas pelos pais que querem voltar a trabalhar. Mas há uma quarta opção a ponderar: estamos a falar de deixar de trabalhar para ficar em casa e se dedicar a 100% ao papel de mãe/pai.

Se esta for a sua vontade saiba que a lei prevê que após a licença de maternidade goze do direito à chamada licença parental complementar para dar assistência a um filho: esta tem a duração de 3 meses e é paga a 25% sobre a remuneração de referência.

Depois de esgotados os 3 meses tem ainda o direito a uma licença para assistência a filho até 2 anos – não remunerada – que pode ser gozada de forma consecutiva ou não. No caso de dois ou mais filhos o prazo limite estende-se até aos 3 anos. Durante este período o progenitor que fica em casa não pode ser despedido.

Ou seja, ficar em casa para cuidar de um filho não só é uma opção legítima como está prevista na lei. Contudo há muitas outras questões que devem pesar na sua decisão.

Como está a sua situação financeira?

É preciso avaliar se, com um dos pais em casa a tempo inteiro, o agregado familiar consegue continuar a fazer face às despesas mensais essenciais – a renda da casa, um empréstimo do carro – sem ter de abdicar ou cortar em coisas tão importantes como alimentação, saúde ou a roupa. Esta é uma das maiores preocupações dos pais que ponderam a hipótese de deixar de trabalhar: será que conseguimos viver apenas com o ordenado de um?

Neste caso, o melhor é fazer um orçamento e calcular todos os gastos para perceber realmente quanto é que o seu salário contribui todos os meses para fazer face às despesas da família. Em seguida, é preciso avaliar o quanto se irá poupar permanecendo em casa: vai cortar em gastos com a creche/ama e poupar em transportes e deslocações diárias, mas não se esqueça que muitas outras despesas não vão desaparecer. Depois das contas feitas, é preciso perceber se um salário é capaz de financiar o projeto de vida que se está a equacionar.

Tem poupanças?

Na maior parte dos casos, um salário é insuficiente para ir ao encontro das necessidades financeiras que a opção de ficar em casa a cuidar dos filhos exige. É aqui que entra o tema da poupança. Se tiver poupanças de parte, melhor. Com algum dinheiro de lado para fazer face a imprevistos terá sempre uma segurança maior para deixar o seu trabalho e ficar em casa para cuidar dos filhos.

Por outro lado, um casal que pense ter filhos e considere a hipótese de um deixar de trabalhar no futuro para ficar com as crianças em casa pode preparar-se para a situação ao longo do tempo. Poder-se-á adotar estratégias de poupança e de controlo de custos que permitam aos futuros pais a criação de um fundo de maneio confortável. Quando a altura chegar, a família estará mais preparada financeiramente para gerir a sua vida apenas com o salário de um.

Ficar todo o dia em casa com uma criança… É mesmo algo que gostaria?

Deixar de trabalhar para cuidar de uma criança não é sinónimo de férias. Aliás, é um trabalho muito exigente e intenso. Sim, exige tempo, compromisso e sobretudo grandes mudanças de rotina.

Por outro lado, esta decisão poderá também ter custos profissionais. Embora seja proibido despedir o progenitor que fica em casa a cuidar da criança, estaríamos a ser ingénuos ao não equacionar potenciais prejuízos decorrentes do afastamento provisório do trabalho.

Sendo assim, quem toma a decisão de fazer uma pausa no trabalho por um tempo para cuidar dos filhos deve estar consciente e preparado para as várias mudanças que se avizinham.

Desenvolvimento da criança: a qualidade dos cuidados é essencial!

Creche, ama, avós ou deixar de trabalhar para ficar em casa com os filhos… Todas estas opções são válidas, desde que a qualidade dos cuidados esteja assegurada. Há que ter em consideração que os três primeiros anos de vida de uma criança são determinantes para o seu desenvolvimento cognitivo e emocional.

Há cada vez mais consenso entre os especialistas de que o melhor para uma criança seria ingressar numa creche apenas por volta dos 3 anos, altura em que começa a socializar. Até essa idade, os estudos indicam que o mais importante é o estabelecimento de laços afetivos com os seus cuidadores.

Embora traga muitos benefícios para o desenvolvimento das crianças, ficar temporariamente em casa para cuidar dos filhos não é uma decisão que se tome de ânimo leve. Há muitas situações em que nem sequer é possível optar por essa via. O trabalho e as questões financeiras têm e continuarão a ter um papel muito importante na vida da maioria das pessoas. Contudo, seja qual for a decisão tomada, o essencial é garantir que os seus filhos estão em segurança e têm acesso a todos os cuidados necessários para a idade.

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