Radar económico

Quais são os bancos com melhor desempenho na Europa e em Portugal?

11 Janeiro, 2018

Todos os anos a revista britânica The Banker apresenta um ranking dos melhores bancos em termos de solidez financeira, eficiência e rentabilidade. Saiba quem está no topo da União Europeia e em Portugal.


Banca: um setor fundamental da Economia

Assim como é difícil imaginarmos um corpo humano saudável com um coração doente, também não é possível a coexistência de uma economia sólida com um sistema bancário a funcionar mal.

Uma das principais funções dos bancos é fazer circular o dinheiro. Um bom exemplo disso é quando os bancos captam a poupança de quem possui recursos financeiros excedentários e disponibilizam esses recursos a quem deles necessita e tem capacidade de os reembolsar. Sem esta circulação monetária, a capacidade de investir dos agentes económicos de uma sociedade (famílias, empresas e Estado) ficaria muito limitada e a economia simplesmente não se desenvolveria.

Analogicamente, se o coração não bombear corretamente o sangue, os nutrientes e o oxigénio não chegarão nas devidas condições às células e estas vão deixar de desempenhar bem as suas funções. Mantendo-se esta situação por algum tempo, o nosso corpo, tal como a economia, começa a reduzir perigosamente a sua atividade. Sendo assim, é importante estar atento à saúde da banca.

É o que faz todos os anos a revista britânica The Banker (Grupo Financial Times), ao efetuar um ranking dos Top 250 bancos da UE de acordo com três indicadores essenciais: Solidez Financeira, Eficiência e Rentabilidade.

À luz deste “eletrocardiograma”, qual é então o estado de saúde da banca europeia? E em Portugal, quais são os bancos mais sólidos, eficientes e rentáveis?

A banca portuguesa: “small is beautiful”

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Nota: ver no final deste artigo “Solidez, Eficiência e Rentabilidade: o que significam?”

Neste ranking dos TOP 250 bancos da UE em 2017, Portugal é representado por 8 bancos: CGD, Millenium BCP, Novo Banco, BPI, Montepio Geral, Crédito Agrícola, Banco Finantia e BIG.

Embora os seus ativos sejam mais reduzidos à escala nacional, o Banco Finantia e o BIG são os bancos que melhor desempenho apresentam, já que combinam rentabilidade com eficiência e solidez financeira. A nível europeu, o Banco Finantia está entre os 10 bancos da UE mais sólidos (5º lugar) e mais eficientes (6º lugar), complementando esta performance com um 12º lugar em rentabilidade do ativo. Não tão forte em solidez e eficiência, o BIG compensa em rentabilidade, estando entre os 10 bancos da UE com maior rentabilidade do ativo (3º lugar). Surpresa? Nem por isso, se acompanharmos o desempenho destes dois bancos através dos rankings anuais mais recentes dos TOP 250 bancos da UE elaborados pela revista The Banker.

Por outro lado, os “pesos pesados” da Banca portuguesa não têm apresentado um desempenho tão sólido. Existem claramente ações no sentido de “arrumar a casa”, mas a crise económica fez-se sentir com grande intensidade na banca portuguesa e ainda há algum caminho para percorrer. Excluindo o Banco Finantia e o BIG das contas, a solidez financeira e a eficiência dos outros 6 bancos piora, em média, de 9,55% e 53,08% para 6,64% e 60,60%, respetivamente. Os rácios de solidez e eficiência têm vindo a melhorar, fruto do esforço continuado de recapitalização, de redução do passivo e de racionalização de custos, mas em contrapartida a rentabilidade no seu geral ainda tem estado negativa. Após a arrumação da casa estar concluída, a rentabilidade será o grande desafio da banca portuguesa. O crescimento sustentado das economias portuguesa e europeia poderão dar o empurrão que falta.

Os Bancos mais rentáveis

União Europeia: comparar o que é comparável

No ranking do TOP 250 bancos da UE em 2017, a participação de cada país varia bastante em termos de número de bancos, tal como se poderá observar na tabela em baixo.

No grupo das economias com maior representatividade estão a Itália, o Reino Unido, a Alemanha, a Áustria, a Espanha e a Dinamarca. 60% dos bancos (151) que aparecem neste ranking têm origem nesses países.

Holanda, Suécia, França, Portugal, Polónia, Bélgica, Grécia e Finlândia contribuem com 25% dos bancos (62) que aparecem no ranking.

Dinamarca e Itália: os equilíbrios positivo e negativo

Nota: ver no final deste artigo “Solidez, Eficiência e Rentabilidade: o que significam?”

No grupo dos países que mais bancos apresentam neste ranking de 2017, os 15 bancos dinamarqueses são aqueles que apresentam em termos médios um desempenho mais equilibrado. Conseguem combinar bons rácios de solidez, eficiência e rentabilidade.

A Itália também é equilibrada, mas pela negativa. Os seus 36 bancos representados neste ranking apresentam em termos médios rentabilidades negativas e os rácios médios de solidez e eficiência estão abaixo dos outros países mais representados.

Alemanha: a performance da sua banca podia ser bem melhor

A Alemanha é o motor da economia europeia. É importante ver como é que o seu “coração” – a banca –  está a funcionar.

Em termos gerais, os indicadores não são nada de extraordinário. A sua rentabilidade é positiva mas os seus rácios de solidez e eficiência têm uma margem significativa de melhoria. A explicação para este desempenho talvez esteja nos grandes bancos alemães que têm enfrentado dificuldades várias nos últimos tempos.

Suécia e Portugal: o equilíbrio de um e “a casa em arrumação” do outro

Nota: ver no final deste artigo “Solidez, Eficiência e Rentabilidade: o que significam?”

No segundo grupo das economias com maior representatividade neste ranking de 2017, a Suécia e os seus nove bancos dão nas vistas pela rentabilidade acima da média, sendo que lhes falta alguma solidez financeira para terem um desempenho mais equilibrado à semelhança do caso dinamarquês.

Os bancos portugueses surpreendem positivamente pelos seus rácios de solidez financeira em resultado do esforço de recapitalização e desalavancagem empreendido nos últimos anos. Também em termos de eficiência, a banca portuguesa representada neste ranking dá mostras de ser mais produtiva do que a média europeia. Por outro lado, a rentabilidade média dos bancos portugueses não acompanha a sua eficiência e solidez. Os rácios médios de rentabilidade são globalmente negativos. No caso português nota-se que a banca portuguesa começa a ter a casa bem arrumada, falta-lhe agora que a economia portuguesa cresça de forma sustentada para tornar rentável os esforços de racionalização efetuados.

Solidez, Eficiência e Rentabilidade: o que significam?

A solidez financeira de um banco tem que ver com a sua capacidade de saldar as suas dívidas para com terceiros, caso se veja obrigado a vender o seu ativo. Será que a receita obtida pela venda dos ativos é suficiente para saldar as dívidas? Quanto mais o banco depender de si próprio (capitais próprios) e mais valiosos forem os seus ativos, maior será a sua margem de segurança para lidar com situações de crise desta natureza. O rácio de solidez financeira traduz em percentagem essa margem de segurança: (Fundos Próprios de base : Total do Ativo) x 100. Quanto maior for o valor deste rácio, maior é a solidez do banco.

A eficiência de um banco pode ser medida de várias formas. A relação entre custos e receitas operacionais é frequentemente usada para o efeito. Esta relação é muitas vezes traduzida no rácio de eficiência cost to income: [(Custos – Amortizações e Depreciações) : Produto bancário] x 100. Quanto menor for o valor deste rácio, mais eficiente é o banco, pois está a revelar uma maior capacidade de “produzir” receitas a partir dos custos existentes.

A rentabilidade está sempre associada a lucros. No ranking da revista The Banker são utilizados dois rácios para este efeito: rentabilidade do ativo [(Lucros Brutos : Ativo) x 100] e a rentabilidade dos capitais próprios [(Lucros Brutos : Fundos Próprios de base) x 100]. Quanto mais elevados forem estes rácios, maior é a rentabilidade do banco, tanto em termos do seu negócio (ativo) como na perspetiva dos seus acionistas (Fundos Próprios).

Nota Técnica

O ranking dos Top 250 bancos da UE é baseado nos dados financeiros a 31 de Dezembro de 2016. O estudo/ranking efetuado pela The Banker é feito todos os anos. Fundada em 1926, a The Banker, do Grupo Financial Times, é a mais importante publicação do setor bancário, com uma distribuição alargada a mais de 180 países. Os critérios utilizados neste ranking são objetivos, sendo utilizados vários indicadores entre eles os rácios de solidez, eficiência e de rentabilidade.

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