Saúde

Trabalhar sentado faz mal à saúde?

2 Janeiro, 2018

Há trabalhos que exigem que passemos 8 horas a uma secretária. Mas estará o nosso corpo desenhado para passar tantas horas sentado?


Exercício físico Vs estar sentado: um não anula os efeitos negativos do outro

Que correr ou fazer caminhadas faz bem à saúde não é novidade nenhuma. Aliás, se o seu objetivo é ser saudável deve fazer por semana 150 minutos de atividade aeróbica moderada a intensa, complementando-a com exercícios de fortalecimento de músculos pelo menos duas vezes por semana. Quem o diz é o Centers for Disease Control and Prevention.

Contudo, tem-se esquecido algo muito importante: em termos de saúde cardiovascular e diabetes não importa só o tempo que passamos a fazer exercício físico, mas o tempo em que não nos movemos de todo, como quando estamos sentados, alerta a American Heart Association. É que os especialistas chegaram à conclusão de que o exercício físico não anula os efeitos negativos do sedentarismo.

Isto significa que pessoas que se exercitam regularmente mas passam muito tempo sentadas também correm o risco de sofrer doenças cardiovasculares, diabetes ou mesmo cancro. E segundo dados do American Journal of Epidemiology, as mulheres que permanecem sentadas durante 6 horas ou mais por dia têm quase mais 40% de probabilidades de morrer num prazo de 13 anos em comparação com aquelas que só se sentam 3 horas.

O que acontece ao nosso corpo quando estamos sentados?

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Sabia que uma pessoa que passa entre 7 a 8 horas sentada a uma secretária durante o horário de trabalho, já passou 55% do seu dia sentada? E algo acontece ao nosso corpo durante esse período de tempo. Os nossos pulmões e peito encontram-se restringidos, o que dificulta a respiração. Quando nos sentamos inclinamo-nos para a frente comprimindo as costelas e isso impede os pulmões de se expandirem na sua totalidade.

E nem o nosso intestino escapa. Na posição de sentar comprimimos o intestino e como tal há menos espaço para a digestão ocorrer. Assim, é importante que nos levantemos depois de comer para evitar problemas como o refluxo. No que toca ao coração, o que acontece é que quando estamos sentados entre 45 minutos a 1 hora há uma redução das lipoproteínas de alta densidade, isto é, o bom colesterol, e do qual precisamos para fazer face ao mau colesterol.

Se é daquelas pessoas que se senta com as pernas cruzadas saiba que isso corta a circulação na parte inferior das pernas, afetando as veias. Como consequência pode vir a sofrer de varizes, tornozelos inchados e dores nos pés derivadas do inchado. Além disso, também torna os músculos menos ativos quando finalmente se levanta. A verdade é que se olharmos para a anatomia do nosso corpo reparamos que a postura da nossa coluna não está preparada para estarmos sentados durante tanto tempo.

Mas como se pode contornar a situação?

Para combater as horas que grande parte de nós passa sentado no local de trabalho podem adotar-se rotinas muito simples. Por exemplo, ir a pé ou de bicicleta para o trabalho em vez de apanhar meios de transporte é uma boa forma de ser mais ativo. Ou então experimente primar pela originalidade e ser o anfitrião de uma walking reunion no trabalho, em vez de reunir os colegas, sentados, numa sala de conferências. Outra boa estratégia é colocar no telemóvel uma série de alarmes que nos ajudam a lembrar que são horas de levantar, esticar e a andar durante alguns minutos, para combater o facto de passarmos tantas horas sentados ao computador.

Mas há muitas outras formas de lidar com a questão no trabalho. As secretárias elevadas são um exemplo e trabalhadores de empresas como a Google e o Facebook já estão a adoptá-las. Porquê? Este tipo de secretária permite a qualquer profissional trabalhar de pé confortavelmente e, ao mesmo tempo, contrariar as estatísticas de doenças como o cancro. É que 43 mil casos de cancro do cólon e 49 mil casos de cancro da mama aparecem como consequência de estarmos sentados prolongadamente, diz a epidemiologista Christine Friedenreich da Alberta Health Services-Cancer Care no Canadá.

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