Saúde

O que acontece ao coração quando chega o frio?

28 Dezembro, 2017

Sabia que, segundo a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, o número de ataques agudos do miocárdio em Portugal aumenta 10% no inverno? Descubra quais os fatores que contribuem para esta situação e como pode preveni-la.


O frio faz aumentar os casos de ataques do miocárdio

São já vários os estudos nacionais e internacionais que relacionam o aumento dos ataques cardíacos com as temperaturas baixas. Em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia fala num aumento de cerca de 10% no número de enfartes entre os meses de janeiro e março, mas em países com condições climatéricas mais adversas os valores podem ser consideravelmente superiores.

Por exemplo, um estudo publicado no British Medical Journal fala de um aumento de cerca de 30% dos casos de enfarte em Inglaterra no inverno. Já um estudo realizado nos Estados Unidos, que analisou os dados do registo nacional do enfarte do miocárdio, descobriu que no inverno são reportados mais 53% de casos de ataques do miocárdio que no verão.

Porque aumentam os enfartes com as temperaturas baixas?

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Mas de que forma é que temperaturas muito baixas afetam o bom funcionamento do coração e comprometem o sistema cardiovascular? O que acontece é que o corpo responde ao frio contraindo os vasos sanguíneos superficiais, o que diminui a condução térmica na pele e aumenta a pressão arterial. Basicamente, à medida que o corpo arrefece, o sangue deixa de circular para as zonas periféricas e concentra-se nos órgãos vitais.

E esta alteração que acontece sempre que o frio se instala tem consequências. Com a quantidade de sangue que foi deslocado da pele, o volume de sangue tem que ser reduzido para prevenir uma sobrecarga na circulação. Ao mesmo tempo, os fluidos são perdidos do sangue para os tecidos, os quais vão remover o excesso de volume, deixando o sangue mais concentrado e logo mais suscetível de formar coágulos nas artérias. E não é difícil imaginar o que se segue: estes coágulos obstruem a circulação sanguínea e podem causar enfartes e AVCs.

Um estudo apresentado no British Medical Journal afirma que a cada descida de apenas um grau celsius estão associados 200 casos extra de ataques cardíacos nos 28 dias seguintes. Porém, os responsáveis dos vários estudos são unânimes: a causa deste aumento não se fica a dever exclusivamente ao frio.

Frio, vento e humidade: o peso do inverno no nosso coração

Este aumento dos casos de ataques cardíacos no inverno não se justifica apenas pela diminuição das temperaturas. Existem outros fatores que também pesam. Por exemplo, o frio aliado ao tempo ventoso e/ou húmido vai exigir que o corpo faça um esforço adicional para tentar manter a temperatura corporal. O vento pode ser especialmente perigoso porque dissipa a camada de ar quente que rodeia o nosso corpo. Com uma temperatura do ar de -1ºC , com vento a 48Km/h o efeito de arrefecimento é de cerca de -9º, por exemplo.

Já uma pessoa em contacto com a humidade pode perder entre 25 e 30 vezes mais calor do que uma pessoa em ambiente seco. É por isto que a humidade pode ser tão perigosa. Aos fatores climatéricos, há que somar o estado de saúde de cada indivíduo, claro. Assim, grupos vulneráveis como crianças, idosos, pessoas que sofrem de doenças coronárias, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, fumadores e pessoas que estiverem com gripe e infeções respiratórias devem ter cuidados redobrados.

Cuidados a ter com o frio

Pela saúde do seu coração – e não só! -, lembre-se que existem algumas regras de ouro para se manter quente com a chegada dos dias mais frios:

  • O ideal, se possível, é ficar por casa, mantendo uma temperatura agradável entre os 18ºC e os 22ºC.
  • Aqueça a cama com uma botija de água quente ou um cobertor elétrico.
  • Evite permanecer sentado por longos períodos. Mantenha-se ativo mesmo que esteja dentro de casa.
  • Coma com regularidade, preferencialmente bebidas e refeições quentes que lhe vão fornecer a energia que necessita para se manter quente.
  • Vista várias camadas de roupa. É preferível vestir várias peças finas do que apenas uma grossa para estar bem isolado e lembre-se de proteger as extremidades: cabeça, mãos e pés.
  • Se trabalha no exterior, numa zona onde as temperaturas são muito baixas, faça pausas entre o trabalho e tenha atenção aos possíveis sinais de um enfarte agudo do miocárdio.
  • Mantenha hábitos alimentares e de exercício saudáveis. Com o frio, as pessoas tendem a ingerir comidas mais pesadas e menos saudáveis, bem como a fazer menos exercício. Este é um erro que lhe pode sair bem caro.

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