Saúde

Diabetes: tudo o que tem de saber, dos sintomas à prevenção

27 Novembro, 2017

Por dia morrem 12 portugueses com Diabetes e como se isso não bastasse surgem também 168 novos casos. Conhece os tipos, sintomas e fatores de risco desta doença crónica?


O que é a Diabetes?

 A Diabetes é uma doença crónica que não tem cura e que se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue (glicemia). Isto acontece porque há uma incapacidade, total ou parcial, das células em absorver o seu nutriente principal, a glicose. E como consequência, as células das pessoas diabéticas não se conseguem “alimentar” como é devido. Com o passar do tempo, se a situação não for corrigida, as células perdem energia e deixam de desempenhar tão bem as suas funções, o que no limite poderá levar à falência dos órgãos e pôr a vida em risco.

Insulina: elemento essencial à alimentação das células

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Quando comemos, aumentam os níveis de glicose no sangue, indicando ao pâncreas, o órgão responsável pela produção de insulina, que está na hora de a libertar. Porquê? Porque é a insulina que ajuda a glicose a entrar nas células, para que possa então ser utilizada como energia. Sem insulina a célula não se consegue alimentar, ou seja, esta hormona funciona como uma “palhinha” que permite que a célula ingira o seu alimento fundamental, a glicose.

Quando o pâncreas está a funcionar bem, a insulina é produzida na justa medida para fazer face à quantidade de glicose em circulação no sangue. Caso contrário, surge um problema. Sim, se existir um défice de insulina, as células não conseguem absorver a glicose e deixam de desempenhar tão bem as suas funções tal como um indivíduo tem mais dificuldade na execução das suas tarefas diárias se não estiver bem nutrido.

Fonte: APDP

Em suma, na base de um problema de Diabetes está um défice de insulina(1) que se traduz, em termos de diagnóstico, num excesso de glicose no sangue. Tudo isto acontece porque o pâncreas não consegue produzir insulina em quantidade e qualidade suficientes que permitam que as células absorvam a glicose existente no sangue. Perante esta dificuldade de ingestão da glicose, as células ficam com menos energia para executar as suas funções e no final quem se ressente é a nossa saúde. É assim que funciona a Diabetes de um modo geral.

Tipos de Diabetes

De acordo com a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, APDP, há vários tipos de Diabetes, como a Diabetes Tipo 1, Tipo 2 e a gestacional.

A Diabetes Tipo 1 é mais rara – as suas causas ainda não são totalmente conhecidas – e atinge na sua maioria crianças e jovens. Esta está relacionada com o mau funcionamento do pâncreas: as células B do pâncreas deixam de produzir insulina pois existe uma destruição maciça das células produtoras. Para contrariar esta situação, a pessoa diagnosticada com Diabetes Tipo 1 tem de tomar insulina durante toda a sua vida.

Assim, a Diabetes Tipo 1 não está relacionada com hábitos de vida pouco saudáveis ou com a má alimentação, ao contrário do que acontece com a Diabetes Tipo 2. Este é o tipo mais comum de diabetes, que é causada por um desequilíbrio no metabolismo da insulina. Ou seja, na Diabetes Tipo 2 existe um défice de insulina ou resistência à insulina, o que significa que é necessária uma maior quantidade de insulina para a mesma quantidade de glicose no sangue. Com o passar do tempo, é cada vez mais difícil compensar esse desequilíbrio e os níveis de glicose sobem. E embora a Diabetes Tipo 2 tenha uma forte componente hereditária, é possível trocar-lhe as voltas e evitá-la, se tiver em atenção os fatores de risco. 

Já a Diabetes gestacional afeta 1 em cada 20 mulheres e, como o próprio nome indica, ocorre durante a gravidez e termina com o fim da gestação. Caso a Diabetes gestacional não seja detetada nas análises e a hiperglicemia corrigida com dieta – e por vezes com insulina – podem surgir complicações para a mãe e para o bebé. São comuns os bebés com mais de 4kg à nascença e a necessidade de fazer o parto por cesariana. Além disso, há o risco de abortos espontâneos. E atenção, porque a diabetes gestacional pode ser um sinal de preocupação! A APDP revela que quase metade das grávidas com Diabetes gestacional virão a ser mais tarde diagnosticadas com Diabetes Tipo 2 se não forem tomadas medidas de prevenção.

Diabetes: quais os sintomas? 

Um dos principais sintomas da Diabetes – e que está presente em todos os tipos da doença – é, como vimos, um nível de glicose no sangue superior ao normal.

Mas há outros sinais a que devemos estar atentos. Um dos sintomas comuns à maioria dos diabéticos é o aumento da vontade de urinar, já que é através da urina que o organismo tenta expelir a glicose em excesso. A sede excessiva – consequência da perda de líquidos pela urina – e a sensação de cansaço são também sintomas identificados de Diabetes.

Os diabéticos cansam-se mais rapidamente porque, se há um défice de insulina, as células não conseguem absorver a glicose necessária para a transformar de seguida em energia. Energia essa que o corpo precisa para funcionar corretamente.

Também é comum, especialmente nos diabéticos do Tipo 1, observar-se perda de peso. As células compensam a falta de glicose ingerida, recorrendo às reservas alimentares, nomeadamente a gordura e na pior das hipóteses os músculos.

Os fatores de risco da Diabetes Tipo 2

 Em 2015, 4.406 pessoas em Portugal morreram de Diabetes, pode ler-se no relatório do Observatório Nacional da Diabetes, e este é já considerado um problema de saúde pública. A Diabetes Tipo 2 pode afetar qualquer pessoa, porque advém de um estilo de vida pouco saudável e há fatores de risco que aumentam a probabilidade do seu aparecimento. Estamos a falar, nomeadamente, dos fatores de risco modificáveis – possíveis de controlar – e dos fatores de risco não modificáveis – que não podemos controlar.

Dentro dos fatores que podemos controlar, inserem-se a hipertensão arterial, obesidade, privação de sono, sedentarismo ou o tabagismo. Já do lado dos fatores de risco não modificáveis, ou seja, sobre os quais não temos qualquer controlo, surgem as doenças do pâncreas e as doenças endócrinas, o histórico familiar ou ser um recém-nascido com peso superior a 4 kg. O sexo e a idade também têm o seu peso na Diabetes: mulheres acima dos 45 anos são as mais afetadas pela doença.

Como se faz o diagnóstico da Diabetes?

Um dos principais problemas da doença da Diabetes é o diagnóstico tardio, uma vez que os sintomas passam despercebidos. Na Diabetes Tipo 2, sobretudo, os sintomas relacionados com o excesso de açúcar no sangue aparecem de forma gradual e quase sempre lentamente, diz a APDP. Para o diagnóstico é preciso analisar os sintomas e fatores de risco e confirmá-lo através de análises ao sangue.

Além disso, saiba que pode ser uma pessoa com Diabetes se se verificar um destes dois cenários. Por um lado ter uma glicemia ocasional de 200 mg/dl ou superior com sintomas ou por outro lado ter uma glicemia em jejum – 8 horas – de 126 mg/dl ou superior em duas ocasiões separadas por um curto espaço de tempo.

Fonte: APDP

Prevenção e tratamento da Diabetes

A prevenção da Diabetes assenta em cinco pilares importantes: conhecer bem a Diabetes – a forma como lida com a doença é o principal fator de sucesso no seu tratamento -, adotar uma alimentação saudável e equilibrada, praticar exercício físico de forma regular, controlar periodicamente os níveis de glicemia no sangue para evitar complicações de saúde e tomar a medicação prescrita pelo médico.

No entanto, se já passou da fase de prevenção para a fase de tratamento, saiba que a Diabetes Tipo 1 é tratada com a administração de insulina por via subcutânea, isto é, por baixo da pele. O tratamento deve ser aliado, claro, a uma vigilância correta da glicemia, dieta saudável e à prática de exercício regular.

Os diabéticos tipo 2 controlam a doença com medicação oral e às vezes nem isso: na Diabetes Tipo 2 é possível controlar a glicemia vigiando o peso, alterando os hábitos alimentares e praticando exercício. Se o tratamento com antidiabéticos orais não atingir os objetivos esperados, pode ser prescrita insulina.

E é possível viver bem com a Diabetes? Se controlar a glicemia e adotar um estilo de vida saudável, pode levar uma vida perfeitamente normal!


(1) Embora a Diabetes esteja associada a um défice de insulina, também podem surgir problemas de excesso de insulina. Por vezes uma dose excessiva de insulina ou outros medicamentos administrados a pessoas com Diabetes pode diminuir os valores de açúcar no sangue mais do que o pretendido. O cérebro é o órgão que mais se ressente nestas situações de hipoglicemia, pois as suas células alimentam-se apenas de glicose, surgindo sintomas como vertigens, confusão, esgotamento, fraqueza, dores de cabeça, um comportamento inadequado que pode ser confundido com um estado de embriaguez, incapacidade de concentração, perturbações da visão, convulsões e coma.

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