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Os discos de vinil voltaram a girar pelo mundo

27 Outubro, 2017

Se no final do século XX os discos de vinil quase desapareceram do mapa, em 2016 as suas vendas ultrapassaram os downloads de música. E não, já não é só coisa de gerações mais velhas!


Vendas de discos de vinil batem downloads de música

Se anunciaram a morte do vinil na década de 90, agora têm de anunciar o seu regresso em grande. E em vários pontos do mundo: em Portugal aumentaram as vendas, no Reino Unido as vendas de música em vinil ultrapassaram pela primeira vez, em 2016, os downloads em plataformas digitais, revela a Entertainment Retailers Association, e nos Estados Unidos da América foram vendidos mais de 17 milhões de discos.

Além disso, 2016 ficou também marcado pela morte de grandes nomes do mundo da música como Prince, David Bowie ou George Michael, o que também impulsionou as vendas deste formato, segundo o jornal britânico The Guardian. Por exemplo, nesse ano Bowie foi o artista que mais vendeu em vinil, contando com cinco dos seus álbuns no top 30, e o seu último projeto discográfico, Blackstar, foi mesmo o disco de vinil mais vendido!

Em 2017, o clássico disco preto alcança outro marco. A Sony decide voltar a produzir discos de vinil, passados quase 30 anos da decisão de cancelamento da sua produção. A razão é simples. Os amantes do formato voltaram a procurá-lo e a indústria da música deixou-se levar na onda: aumentaram as vendas de álbuns em segunda mão, dos lançamentos, outras editoras também estão a editar cada vez mais neste formato e nas lojas há cada vez mais espaço reservado para os discos de vinil.

O som que nasce da vibração

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Sabe como é que funciona um disco de vinil? Trata-se de uma gravação analógica e mecânica sobre plástico que possui ranhuras em espiral que fazem a agulha deslizar da parte externa ao centro do disco – sempre no sentido dos ponteiros do relógio – a 33, 45 ou 78 rotações por minuto. E sabia que são essas ranhuras microscópicas que fazem a agulha vibrar? A vibração transforma-se em sinal elétrico que, por sua vez, é amplificado e se converte em música.

Um formato com altos e baixos

Quanto chegou ao mercado em 1948, o disco de vinil bateu imediatamente o seu antecessor, o disco de goma-laca de 78 rotações que tinha um tempo de gravação limitado e era bastante frágil. O vinil não só era mais leve, maleável e resistente como também permitia a reprodução de um maior número de músicas. Além disso, conquistou muitos fãs por ter uma melhor qualidade sonora e pela arte que era exibida nas suas capas.

Contudo, o caminho não se fez só a subir. Quando os CDs se estreiam em 1982 com a promessa de maior capacidade, durabilidade e melhor som – isto é, sem chiados – fizeram com que o disco de vinil passasse de adorado a obsoleto. E o formato quase desapareceu por completo no final do século XX. Quase…

As gerações mais novas renderam-se ao culto do vinil

Os amantes do vinil parecem não ter dúvidas: apregoam não só a melhor qualidade do som, mas também todo o ritual associado ao disco de vinil. No fundo,as várias gerações de aficionados do analógico defendem que o digital rouba o prazer de ouvir as frequências sonoras mais altas e mais baixas eliminando harmonias, ecos, batidas graves, naturalidade e até espacialidade.

A verdade é que até as gerações mais jovens começaram a investir no vinil, conta ao Observador Pedro Vindeirinho, um dos responsáveis pela Rastilho Records. O chefe executivo da Entertainment Retailers Association, Kim Bayley, também refere que há uma nova geração a comprar vinis. Os adolescentes e pessoas com menos de 25 anos querem ouvir os seus artistas favoritos em vinil também para terem algo mais tangível e um objeto colecionável.

Discos de vinil que valem fortunas

Manter uma coleção de discos de vinil exige tempo, trabalho e, claro, algum dinheiro! Mas quanto ao certo? A título de curiosidade, a loja online de antiguidades LoveAntiques.com pediu a Phil Barton, um especialista em vinil e também ele dono de uma loja de discos, que elaborasse uma lista com os discos de vinil mais caros de sempre.

No Top 3 dos discos de vinil que valem fortunas encontramos, em primeiro lugar, uma cópia do White Album dos Beatles que em 2015 foi vendida em leilão pela generosa quantia de 860 mil euros. Na lista segue-se os The Quarrymen com o álbum That’ll Be The Day / In Spite Of All The Danger, vendido por 118 mil euros e novamente os The Beatles, desta vez com Love Me Do, que arrecadou nada mais, nada menos que 95 mil euros.

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