Saúde

Sabe qual é o cancro mais mortal em Portugal e no mundo?

26 Outubro, 2017

Os cancros do aparelho respiratório – traqueia, brônquios e pulmão – são os que mais matam em todo o mundo: por ano são responsáveis por 1.695 mil mortes. Sabe como prevenir-se? E quais os principais fatores de risco?


Cancro mata 8,8 milhões de pessoas por ano, diz a OMS

Todos os anos morrem 8,8 milhões de pessoas em todo o mundo com cancro. Além disso, saiba que mata mais pessoas do sexo masculino do que do sexo feminino. Do total de mortes, quase cinco milhões correspondem a homens e 3,8 milhões são mulheres. Mas será que sabe que tipos de cancros são os mais mortíferos?

O cancro da traqueia, brônquios e do pulmão é aquele que mais mata em todo o mundo, sendo responsável por 1.695 mil mortes por ano, revela a Organização Mundial de Saúde (OMS), nos últimos dados disponíveis. Só em Portugal, o cancro do aparelho respiratório faz cerca de 3.446 vítimas todos os anos. Para contrariar as estatísticas, é preciso conhecer os principais fatores de risco e saber identificar os sinais de alerta.

Cancro do pulmão, brônquios e traqueia: o trio mortífero

O cancro do pulmão é um tumor que tem a capacidade de metastizar, isto é, de se espalhar a outras partes do corpo. Embora no Estadio 0 o cancro do pulmão esteja confinado ao seu espaço, uma vez no Estadio I já invadiu o tecido mais profundo do pulmão. E no Estadio II a dimensão é outra. Sim, por esta altura já chegou aos tecidos adjacentes, como é o caso da parede torácica, o diafragma, a pleura, os brônquios ou mesmo os tecidos à volta do coração.

E não se fica por aqui. Um cancro do pulmão no Estadio III pode ter invadido os gânglios linfáticos de cada lado do esterno ou do pescoço e pode avançar para os órgãos mais próximos, como é o caso da traqueia. No Estadio IV está tão avançado que ou está presente nos dois pulmões ou metastizou para órgãos mais distantes como o cérebro. E existe ainda um terceiro cenário: pode ainda dar-se a presença de células de cancro do pulmão no fluido localizado entre as duas camadas da pleura.

Fonte: CUF

Portugal: há 30 casos de cancro do pulmão por 100 mil habitantes

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O cancro do pulmão – como a maioria dos cancros – tem origem num problema que ocorre durante a regeneração celular. Sim, as células do pulmão no seu estado normal crescem e dividem-se em novas, à medida que vão sendo necessárias. Uma vez envelhecidas ou danificadas morrem. Mas e se isso não acontecer? Ora, se perderem este mecanismo de controlo, sofrem alterações no seu ADN e tornam-se em células que se reproduzem de forma descontrolada. Assim se forma um cancro.

Mas sabe que incidência tem o cancro do pulmão em Portugal? Segundo o que avança a CUF, registam-se por ano 30 casos por cada 100 mil habitantes. Além disso, existem vários tipos de cancro do pulmão, que podem ter uma progressão lenta ou mais agressiva. E como já vimos, a metastização é preocupante no caso do cancro do pulmão: as células deste tipo de tumor não respeitam as fronteiras do órgão podendo invadir os limites dos tecidos circundantes e chegar, assim, a outras partes do organismo.

Quais são os fatores de risco?

Entre os principais fatores de risco do cancro do pulmão está o tabagismo: entre 80% a 90% dos doentes com cancro do pulmão fumam ou já fumaram. E embora se considere que o tabaco está na causa de 70% destes tumores apenas 20% dos fumadores desenvolve cancro do pulmão. Por outro lado, 20% das mulheres com cancro do pulmão nunca fumaram.

A idade também é um fator de risco: a idade média dos doentes com cancro do pulmão ronda os 71 anos. O que afeta também a incidência em Portugal. Entre os 70 e os 74 anos de idade o número de casos aumenta para 200 em cada 100 mil habitantes. A exposição ao amianto ou a substâncias radioativas também compõem a lista de causas.

Dor no peito e falta de ar: sintomas de alerta

O cancro do pulmão tem como principais sintomas uma pneumonia que não fica curada, dor torácica, falta de ar e tosse com sangue. No entanto, é preciso ter em consideração que estes sintomas são transversais a muitas outras doenças e que ter um – ou vários – destes sintomas não significa necessariamente que tem cancro do pulmão.

Assim, deve manter-se atento ao seu estado de saúde e consultar o seu médico de família caso sofra continuadamente, e em conjunto, de todos os sintomas descritos.

Como é feito o diagnóstico do cancro do pulmão?

Para diagnosticar um cancro do pulmão são utilizados frequentemente exames de imagem como a radiografia, a TAC e a fibrobroncoscopia. Caso haja a suspeita de cancro de pulmão, é necessário realizar uma biopsia pulmonar: estamos a falar de uma procedimento invasivo que consiste na recolha de fragmentos de tecido do pulmão. Em seguida, a amostra segue para avaliação pela Anatomia Patológica para que se confirme o diagnóstico.

Se é fumador, a CUF recomenda que faça uma consulta periódica com o seu médico de família – ou mesmo com um pneumologista – para realizar um diagnóstico precoce de cancro do pulmão. Além disso, saiba que em 2011 foi estipulado um rastreio para grupos de risco baseado na carga tabágica: nestes casos é valido fazer uma TAC de baixa dosagem.

Estão indicadas para fazer este rastreio as pessoas com idade superior a 50 anos, que tenham um valor superior a 20 no indicador UMA – calculado pelo nº de maços por dia multiplicado pelo número de anos que o doente fuma – e que reúnam outros fatores de risco como doença pulmonar (DPOC, fibrose), antecedentes familiares de cancro do pulmão, exposição ocupacional ou antecedentes pessoais de cancro. Tudo isto torna-o apto a integrar o programa de diagnóstico precoce.

Tratamento do cancro do pulmão

Durante o Estadio I e II, a opção de tratamento escolhida pelos profissionais é, geralmente, a cirurgia. No Estadio seguinte, as opções terapêuticas incluem a quimioterapia e a radioterapia que podem realizar-se em sequência ou de forma combinada. Na fase mais avançada do cancro do pulmão, ou seja, Estadio IV, o tratamento – embora seja individualizado – baseia-se em quimioterapia ou no uso de medicamentos orais.

Hábitos simples que o ajudam a proteger-se!

Na saúde será para sempre válido o ditado “mais vale prevenir, do que remediar”. Assim, pode adotar alguns hábitos com o objetivo de se proteger do cancro do pulmão: não fumar, não se expor ao fumo de terceiros e, claro, optar por um estilo de vida saudável. É importante fazer uma dieta equilibrada, rica em vegetais e fruta, não ingerir bebidas alcoólicas em excesso e praticar exercício físico regularmente.

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