Saúde

Devo fazer um check-up médico anual?

23 Outubro, 2017

Fazer um check-up médico sem ter qualquer sintoma relacionado com um problema de saúde é considerado uma medida de prevenção. Mas que tipo de exames são feitos? Quem deve fazer rastreios específicos e em que momento da vida?


A importância dos check-ups médicos

O check-up é encarado como uma medida de prevenção importante e é utilizado para identificar precocemente determinadas doenças, melhorando assim a sua possibilidade de tratamento. Estamos a falar, por exemplo, do despiste da doença da Diabetes, hipertensão arterial ou até mesmo de alguns tipos de cancro que podem ser detetados numa simples ida ao médico.

É o caso do cancro da mama. O relatório Health at Glance Europa 2016 da OCDE relaciona diretamente a sobrevivência dos pacientes com o rastreio. Em Portugal, os rastreios cobrem 80% da população feminina, o que é um excelente avanço. Mas os check-ups médicos não servem apenas para detetar doenças graves, são também uma forma de verificar o estado geral da sua saúde e servem de orientação para o seu médico o ajudar a desenvolver hábitos de vida mais saudáveis.

Que exames se fazem num check-up?

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A avaliação rotineira do estado de saúde não envolve, regra geral, exames complexos nem intervenções muito invasivas. Os exames padrão para um adulto jovem consistem em análises ao sangue que incluem a glicemia (açúcar no sangue), o perfil lipídico (colesterol e triglicéridos), função hepática e renal. E não nos esqueçamos do PSA para os homens com mais de 50 anos. Esta análise serve para despistar o cancro da próstata.

Além disso, deve ser feito regularmente um eletrocardiograma, uma radiografia ao tórax e, no caso específico das mulheres, uma mamografia, ecografia mamária bem como uma ecografia pélvica. Mas com que periodicidade devem ser feitos estes exames e rastreios? É importante aconselhar-se com o seu médico de família, já que a necessidade de fazer certos exames e a sua frequência dependem da idade, histórico de doenças ou outros fatores que variam de pessoa para pessoa.

Falsos positivos: o outro lado dos exames médicos

Se, por um lado, os exames médicos são considerados uma medida de prevenção, por outro têm alguns “senãos”: estamos a falar de testes imperfeitos, falsos positivos ou mesmo de situações de sobrediagnóstico. Aliás, estas questões levaram a que tenham surgido mais recomendações para que se reduzam alguns tipos de exames médicos ou se restrinjam a grupos de risco ou certos grupos etários.

Quer isto dizer que estamos a fazer exames médicos a mais? Para H. Gilbert Welch, professor de medicina no Dartmouth College, a verdade é que “quanto mais se procura por uma doença, mais se encontra”. É importante, por isso, avaliar cuidadosamente os resultados dos check-ups médicos para não se sujeitar os doentes a tratamentos desnecessários que podem, inclusive, ser prejudiciais.

Exames ou tratamentos desnecessários afetam a saúde 

De acordo com a Prostate Cancer Foundation, cerca de 30 a 40 por cento dos homens tratados para o cancro da próstata provavelmente tiveram tumores de crescimento lento que não chegariam a constituir um verdadeiro perigo para a sua saúde. No entanto se não viriam a sofrer de problemas relacionados com a doença, o mesmo não se pode dizer dos problemas relacionados com o tratamento.

A radioterapia pode, por exemplo, causar incontinência e disfunção eréctil e a terapia hormonal pode conduzir a problemas de osteoporose e depressão. Por outro lado os “falsos positivos” podem levar a testes de follow-up mais invasivos ou a tratamentos bastante agressivos que não são necessários. Sem esquecer a ansiedade que provocam nos pacientes!

Checks-ups sim, mas sem “hipocondria”

Assim, em que é que ficamos no que toca aos exames de check-up? Devemos fazê-los regularmente ou não? A verdade é que muitas doenças – como a maioria dos cancros – podem ser silenciosas e assintomáticas e aqui os rastreios e check-ups médicos podem fazer toda a diferença para o doente.

O importante é ter atenção aos sinais do nosso corpo e fazer os check-ups de rotina de acordo com a orientação do médico, evitando a “hipocondria”. Só a articulação correta da relação entre médico-paciente ajudará a determinar que exames auxiliares de diagnóstico são realmente necessários de acordo com a idade, sexo, antecedentes pessoais e familiares.

Além disso, a Organização Mundial de Saúde define 10 princípios básicos do rastreio preventivo de doenças que deve orientar os médicos na prescrição de exames e check-ups. No documento consta, por exemplo, que as doenças alvo de rastreio devem constituir problemas de saúde importantes, ter tratamento, ter uma fase assintomática e deve ainda existir um teste ou processo de examinação adequados.

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