pessoas e histórias

Os portugueses que voam mais alto lá fora

3 Outubro, 2017

O que têm em comum José Neves da Farfetch e o neurocientista António Damásio? São portugueses, decidiram sair de Portugal e tornaram-se grandes lá fora!


Farfetch: Moda de luxo de Portugal para o mundo

Desde os 19 anos que José Neves trabalha por conta própria e já há muito que ansiava aliar a moda à tecnologia. Um certo dia – estávamos em 2008 e em plena cidade de Londres – arriscou e criou a Farfetch, sendo o único investidor! E não é que deu tudo mais que certo? Hoje a loja virtual de produtos de luxo reúne roupa, calçado e acessórios de designers de 400 das mais exclusivas boutiques de todo o mundo, recebe cerca de 10 milhões de visitas por mês e fechou o último ano com vendas brutas de 800 milhões de dólares!

Mas não ficamos por aqui. A Farfetch já disponibiliza quase 125 mil produtos para homem, mulher e criança e tem 798 mil clientes ativos. E sabe quanto ronda, em média, uma compra? Ora, nada mais, nada menos que 700 dólares! Além disso, o seu nicho VIP é cada vez maior. A empresa com ADN português trabalha com ricos e famosos oriundos de Los Angeles, Nova Iorque, Hong Kong, Londres, Moscovo e Tóquio e até com os stylists de celebridades: vão às suas casas e em alguns casos já fizeram guarda-roupas completos.

António Damásio: neurociência em português

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Embora tenha nascido em Lisboa, o médico António Damásio passa o seu saber há várias décadas nos EUA, como professor de neurociência na University of Southern California. É aí também que dirige, ao lado da sua mulher, o Brain and Creativity Institute. E apesar dos seus já 73 anos de idade ninguém o bate quando o tema é o cérebro: prova disso são os prémios que foi arrecadando ao longo da sua carreira como o Prémio Pessoa, o Prémio Príncipe das Astúrias de Investigação Científica e Técnica, o Prémio Golden Brain, entre outros.

Apaixonado pelo que faz, o investigador português tem dedicado grande parte da sua carreira ao estudo das bases biológicas da consciência – tema que aborda n´O Livro da Consciência – e do papel das emoções na consciência, na tomada de decisão ou no sentido moral. Por exemplo, interessa-se por compreender e explicar coisas como de onde vem a nossa capacidade tão natural para nos emocionarmos, por exemplo, com uma peça de Bach ou mesmo com o azul do mar. No fundo, Damásio tem estudado as ligações entre os sentimentos e a consciência.

Outra das grandes paixões de António Damásio é a escrita. O neurocientista diz que lhe dá um certo prazer pôr no papel aquilo que pensa: Damásio acredita que o resultado precisa de ser trabalhado, mas que deve ser escrito de forma agradável para o leitor. Inclusive, afirma que os artigos científicos não devem ser maçadores, mas sim tão bem escritos como as peças literárias.

Uniplaces: a revolução portuguesa no mercado do alojamento para estudantes

Muitos portugueses decidem a certa altura fazer Erasmus ou estudar uma temporada fora. A ideia é viver uma verdadeira experiência internacional. Mas nem sempre é fácil. E que o diga Miguel Santo Amaro: quando se mudou para Nottingham em 2010, além de ter de aprender a lidar com os dias chuvosos e o frio que se fazia sentir em janeiro, descobriu rapidamente que encontrar uma casa para arrendar não era tarefa fácil.

Quando conseguiu finalmente um sítio para morar viu-se obrigado a adiantar meio ano de renda a um senhorio “desconfiado”. Nada a que o português e aluno do 3º ano de Gestão e Finanças estivesse habituado, uma vez que durante o seu percurso académico viveu sempre no campus da universidade e numa residência de estudantes. Foi então que teve a ideia de criar a Uniplaces, uma startup que iria revolucionar o mercado online de alojamento para estudantes.

Para tal uniu-se a dois sócios que entendiam muito bem o drama de procurar casa para arrendar enquanto estudavam. Estamos a falar de Mariano Kostelec, argentino, e Ben Grech, inglês. E como o fizeram? Criaram um serviço que envolve senhorios e estudantes numa base de dados com fotografias próprias, que oferece visitas virtuais 360º e a preços regulados, possibilitando o arrendamento à distância e salvaguardando ambas as partes.

E a ideia deu frutos: logo no final de 2015 conseguiram angariar 22 milhões de euros numa ronda de investimento encabeçada por um dos financiadores do Skype, Niklas Zennstrom. Além disso, atualmente têm 40 mil casas registadas na plataforma e situadas nas melhores cidades universitárias da Europa – Lisboa, Porto, Madrid, Barcelona, Valência, Milão, Roma, Londres, Munique e Berlim -, vários protocolos assinados com universidades europeias e cerca de 1 milhão de utilizadores por mês!

Codacy: dois portugueses poupam biliões de dólares às empresas!

O gosto pela programação foi o que uniu Jaime Jorge e João Caxaria na criação de uma empresa. Isso e o facto de terem percebido que os programadores passam mais tempo a fazer revisões de código do que efetivamente a programar. E tempo é dinheiro: o prejuízo do tempo perdido em revisões de código, por ano, pode chegar ao bilião de dólares – em euros 890 mil milhões de euros!

Foi com este número em mente que nasceu, em Londres, a Codacy. Os dois portugueses criaram uma plataforma online de análise de código cujo objetivo é encontrar erros de software para ajudar os programadores a trabalhar com mais eficiência. A empresa oferece uma revisão automatizada, em várias linguagens de programação – incluindo java -, resolvem o problema das empresas e devolvem o tempo aos programadores. Não é de estranhar, por isso, que analisem vários milhões de linhas de código por dia e estejam presentes em 2.800 cidades.

A ideia destes dois portugueses foi tão boa que em 2014 ganharam o prémio principal da Web Summit: estamos a falar de 10 mil euros, uma reunião com a Coca-Cola e publicidade gratuita para a vida! Além disso, os fundadores contaram à Sábado que estão a crescer “double digits” todas as semanas e que a Google usa a Codacy em projetos de open source. Ou seja, corre tudo de vento em popa e neste momento têm mais procura do que mãos.

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