Cultura e lazer

Seis livros de Prémios Nobel da Literatura que tem de ler

26 Setembro, 2017

Quer goste de ficção, crítica social, factos verídicos, romances, poemas ou simplesmente de uma boa história, apresentamos-lhe seis livros de Prémios Nobel da Literatura que tem mesmo de ler!


O Velho e o Mar, Ernest Hemingway

O Velho e o Mar conta a história de um pescador cubano chamado Santiago – a personagem principal – que está literalmente numa maré de azar: há três meses que este não consegue pescar um único peixe. Até que aparece um enorme espadarte. A luta entre o pescador e o peixe durará alguns dias, em alto mar, até ao momento em que finalmente o espadarte perde a batalha e Santiago regressa à costa e as surpresas acontecem.

O romance de Ernest Hemingway aborda com uma linguagem simples a coragem humana perante as dificuldades da vida real e o triunfo alcançado mesmo após a perda. Além de ser uma obra-prima de maturidade do escritor, O Velho e o Mar recebeu um prémio Pulitzer em 1952 e desempenhou um papel fundamental na atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao autor dois anos depois.

Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, Pablo Neruda

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O poeta chileno Pablo Neruda tinha cerca de 20 anos quando escreveu os poemas presentes no livro Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada. E na altura em que foi publicado (1924) deu logo muito que falar devido ao seu intenso teor erótico. O livro celebra ao longo de várias páginas a sensualidade do corpo da mulher, através das nunces metafóricas da natureza – um elemento de que Pablo Neruda tanto gostava.

47 anos depois do lançamento desta que é uma das obras de referência de Neruda, o poeta foi distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, por uma vida cheia de poesia inspiradora.

Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez

Os romances e contos do escritor colombiano Gabriel García Márquez valeram-lhe um Nobel em 1982. E a razão apontada pela Academia é simples: o autor é brilhante “a combinar o fantástico e o real num mundo densamente composto pela imaginação, refletindo a vida e os conflitos de um continente”. Algo que transparece num dos livros que colocou para sempre o seu nome na história, Cem Anos de Solidão: a primeira edição da obra foi publicada em 1967 e ainda hoje anda nas bocas do mundo!

Cem anos de Solidão tem lugar numa aldeia inventada e remota da América Latina chamada Macondo. Mas o que o vai prender é o enredo. Ingredientes como milagres, fantasias, paixões, adultérios, descobertas, tragédias, mortes e histórias atrás de histórias vão transitar de geração em geração entre a família Buendia. De que está à espera para conhecer aquela que é uma das obras mais lidas e traduzidas do mundo?

Ensaio sobre a cegueira, José Saramago 

Até à data José Saramago foi o único português a arrecadar um prémio Nobel da Literatura, em 1998. Até 2010, ano da sua morte, o escritor escreveu mais de 40 títulos importantíssimos para a literatura portuguesa. Exemplo disso é o Ensaio sobre a Cegueira, que conta em 300 páginas a história de uma cidade que é assolada por uma epidemia. Em causa está uma praga de cegueira que não poupará ninguém à sua passagem, há exceção de uma mulher, que manterá a visão presenciando como a quarentena e os recursos limitados trazem ao de cima as características mais primitivas do homem.

A ideia deste romance contundente passa por evocar os problemas do século XX deixando o leitor com uma visão poderosa do espírito humano que se pauta tanto pela fraqueza como por uma força estimulante. Aliás, em relação ao livro, Saramago escreveu o seguinte: “através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.”

O Ensaio sobre a Cegueira foi adaptado ao cinema em 2008, contando com grandes nomes no elenco como Julianne Moore e Mark Ruffalo.

Conversa na Catedral, Mario Vargas Llosa

O livro Conversa na Catedral, do peruano Mario Vargas Llosa, revela logo no título do que se trata: a história gira em torno de uma conversa que se desenrola entre o jornalista Santiago Zavala e o seu amigo Ambrosio. E tudo acontece à mesa de uma taberna conhecida como A Catedral. A ação tem lugar em Lima, no Peru, debaixo do regime ditatorial do general Manuel A. Odría, onde a resistência só é possível graças ao poder da palavra. As críticas ácidas, a irreverência, a rebeldia e o humor satírico, que compõem este romance, fizeram do escritor famoso e valeram-lhe o Prémio Nobel da Literatura de 2010!

Vozes de ChernobylSvetlana Alexievich

Em Vozes de Chernobyl, a jornalista bielorrussa Svetlana Alexievich entrevista cidadãos anónimos que sobreviveram ao desastre nuclear que assolou a cidade ucraniana em abril de 1986. Durante o processo criativo, a escritora decidiu eliminar as perguntas e deixar apenas as respostas e é esse “desfiar de horrores” que as pessoas relatam que tornam esta obra magistral.

Fala-se de doenças, das tentativas do governo para esconder as verdadeiras dimensões do desastre do mundo, do país e dos trabalhadores no local, de como a radiação matou pessoas e animais, de rusgas e mortos e até de bebés que com poucos segundos de vida eram atirados pela janela e muito, muito mais.

A atribuição de um prémio Nobel em 2015 a uma escritora/jornalista de livros baseados em factos reais foi uma lufada de ar fresco, face ao historial de distinções feitas à literatura de ficção.

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