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Carlos Kaiser: o futebolista que nunca marcou um golo

11 Setembro, 2017

Carlos Henrique Raposo, mais conhecido como Carlos Kaiser, ficou famoso no mundo do futebol mas não pelo seu sucesso. Saiba tudo sobre o avançado brasileiro que nunca marcou um golo em 20 anos de carreira.


Kaiser: futebolista à força

Carlos Kaiser nasceu a 2 de abril de 1963, no Rio Grande do Sul, e queria ser Professor de Educação Física, mas reza a história que foi obrigado a jogar futebol pela mãe adotiva.

Pode conhecê-lo por vários nomes: Kaiser, – devido à semelhança com o alemão Franz Beckenbauer -, o Forrest Gump do Futebol Brasileiro, ou até pode nunca ter ouvido falar dele. É que após 20 anos de carreira, o (quase) jogador ganhou fama por nunca ter completado um jogo nem marcado um golo na sua vida, apesar da sua posição de avançado.

Mas como é que Kaiser conseguiu ganhar a vida como futebolista praticamente sem jogar? A verdade é que nas décadas de 80 e 90 – longe da era da Internet que vivemos hoje – a informação que circulava era praticamente nula, por isso bastava ter boas relações com os media e com pessoas influentes no mundo do futebol, para manter a mentira e levá-la ao limite. O “truque” de Carlos Kaiser passava por assinar um contrato de risco (contrato geralmente mais curto, com a duração de três meses), ficar no clube durante esse período e receber a comissão prevista no contrato sem nunca chegar a jogar.

Vale tudo, até simular uma lesão

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De facto, as histórias são muitas. Kaiser começou a sua carreira no Brasil em clubes como o Botafogo, Flamengo, Fluminense, Bangu, Vasco da Gama, América e chegou até a passar pelos Estados Unidos e pela Europa, no Ajaccio, clube francês da ilha de Córsega, onde alega ter estado oito anos.

Fonte: VICE

As artimanhas do “falso” jogador começaram logo no Botafogo, o primeiro clube brasileiro que o contratou através de um olheiro que o viu jogar na rua e o levou para o clube.

Aos 16 anos conseguiram convencê-lo a ir para o Puebla, um clube mexicano, como médio-ofensivo, mas por pouco tempo. Para além de não gostar de jogar futebol, diz-se que Kaiser também não gostava da comida tradicional daquele país. Voltou assim ao Brasil e limitou-se a fazer alguns jogos amigáveis, sem se ter a certeza de sequer ter chegado a marcar um penálti.

Por essa altura, de forma a conseguir ficar no banco, Kaiser pede a um colega que lhe passe a bola e cai no chão a queixar-se de dores na perna. Como se pode imaginar, os procedimentos médicos na década de 70 não eram muito avançados, pelo que era muito mais difícil comprovar que aquela não era mais do que uma simulação. Segundo o avançado brasileiro, “bastava pedir a alguém para levantar a bola e ao rematar fingir uma lesão muscular. Como na altura não havia ressonância magnética, os médicos não podiam ter a certeza. Ficava algumas semanas no departamento médico, feliz da vida.”

Mentiras dentro e fora do campo

Mais tarde, quando era jogador no Bangu, Kaiser foi ameaçado pelo Presidente, pois já andava há várias semanas com supostas lesões. O ultimato era jogar ou ir embora. O brasileiro estava no banco, mas a equipa estava a perder o jogo e o treinador mandou-o aquecer. Carlos estava prestes a entrar quando começou a ver os adeptos do clube a insultar os colegas. É claro que aproveitou a situação: saltou para a bancada e começou uma luta com os adeptos. Desta forma, não precisou de jogar já que foi expulso e ainda ficou com a imagem de herói por ter defendido os outros jogadores da equipa.

Quem não ficou contente com a situação foi o Presidente, Castor de Andrade, e confrontou o jogador no balneário. Kaiser esclareceu que reagiu de cabeça quente porque os adeptos estavam a chamar próprio Castor de Andrade de “ladrão”. Reza a história que o presidente o abraçou, deu-lhe um beijo e tratou de lhe renovar o contrato.

No Fluminense, um dos grandes clubes do Rio, Kaiser fingia estar ao telemóvel com uma certa entoação inglesa, de forma a dar a entender que estaria a receber propostas de outros clubes. Esta era uma das formas de enganar os clubes, descoberta por um fisioterapeuta e revelada uns anos mais tarde.

A vida de Kaiser vai dar um filme

Ao longo de mais de vinte anos, Carlos Raposo conseguiu enganar tudo e todos, desde adeptos a treinadores a comitivas desportivas inteiras. Uma história insólita, impensável nos dias que correm, e que chamou a atenção do realizador britânico  Louis Myles que está a preparar um documentário sobre a maior fraude da história do futebol.

Hoje Kaiser tem 54 anos e está afastado dos campos de futebol: dedica-se à atividade de personal trainer de mulheres culturistas.

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