Saúde

Andropausa: o que realmente significa?

7 Setembro, 2017

Muito comum mas ainda pouco falada, a andropausa afeta os homens principalmente entre os 40 e os 70 anos. Sabe quais são os sintomas a que deve estar atento?


Andropausa: o que é?

A andropausa é o nome correspondente ao período da vida do homem, onde se regista um decréscimo da produção de testosterona e assim, a consequente diminuição da produção de espermatozóides. Esta condição resulta em alterações a nível físico, psíquico, biológico e mesmo sexual, relacionada com a diminuição da produção de hormonas. Para além disso, a andropausa pode resultar em osteoporose e anemia, uma vez que a testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos.

A andropausa torna-se difícil de prever pois, contrariamente à menopausa, não existe um marcador físico ou biológico como por exemplo fim da menstruação, nem existe uma idade pré-definida. A verdade é que tanto um homem com 50 ou menos anos de idade pode desenvolver andropausa, como num homem de 70 anos esta situação pode não se chegar a verificar.

De acordo com António Requixa, chefe de serviço de Urologia do Hospital da Universidade de Coimbra (H.U.C.), especialista em questões de andrologia, o desenvolvimento da andropausa depende essencialmente da saúde constitucional da pessoa e da sua vitalidade. De facto, um indivíduo com certos vícios e que viva em stress terá maior probabilidade de envelhecer mais cedo.

Existem também certos comportamentos e doenças que podem potenciar o desenvolvimento da andropausa, tais como a obesidade, o stress, as doenças cardiovasculares, da tiróide e diabetes.

Sintomas aos quais deve prestar atenção

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Os sintomas da andropausa podem ser difíceis de identificar, já que são uma consequência natural do envelhecimento masculino.

Ao contrário da menopausa nas mulheres, onde ocorre o fim da menstruação e por conseguinte da sua fertilidade, a andropausa implica “apenas” alterações hormonais que alteram a estabilidade física, emocional e sexual. Além da diminuição hormonal, existe ainda tendência para o homem se sentir irritado e nervoso.

Para além disso, ainda se pode registar uma diminuição do desejo sexual, onde por vezes se verifica a dificuldade em obter ereções, ansiedade, diminuição da massa muscular, perda de pelos no corpo e suores. Num estado mais avançado, estes sintomas podem mesmo conduzir a uma depressão nervosa por parte do homem.

No entanto, estes sintomas variam de caso para caso. Por esse motivo, é importante antecipar este momento e evitar comportamentos de risco, tais como o alcoolismo, fumar, uma alimentação desequilibrada, o sedentarismo e o stress que podem envelhecê-lo mais rapidamente.

Tratamento da andropausa: hormonal ou não?

Em Portugal, a maioria dos casos é encaminhado pelos próprios médicos de família para os ramos de urologia, sexologia e endocrinologia. Em primeiro lugar é necessário passar à observação dos sintomas e descobrir a origem da diminuição de testosterona.

Após identificar estes sintomas, o diagnóstico de andropausa fica confirmado se se registarem níveis de testosterona total no sangue abaixo de 300 mg/dl ou 6,5 mg/dl³. A terapêutica de reposição hormonal enquanto tratamento é administrada somente se esses valores se registarem, de forma a compensar as hormonas em falta.

Manuela Carvalheiro, chefe de serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do H.U.C. levanta o problema da terapêutica hormonal de substituição, afirmando que muitas vezes não existe realmente uma diminuição estrutural de testosterona, mas sim uma descida conjuntural por razões alheias à andropausa. Assim, esta terapêutica deve ser ponderada e justificada.

Em Portugal, existem várias opções de tratamento: injeções de testosterona ou comprimidos e adesivos de testosterona. De acordo com os especialistas mencionados, existe o consenso de que o método mais vantajoso é o adesivo, já que fornece uma dose gradual de hormonas, não apresenta contra-indicações para os rins, tem um risco reduzido de desenvolver cancro da próstata e permite um maior equilíbrio no nível hormonal. Por outro lado, as injeções administram uma dose elevada de testosterona de uma só vez e os comprimidos podem ser nocivos para o sistema urológico.

Informe-se e não negligencie os sinais

A sensibilização para o tema da andropausa está a crescer em Portugal, no entanto estima-se que o número de homens a procurar ajuda junto de médicos acerca deste problema é apenas de 5 a 10%. Os médicos especialistas relacionam essa negligência com a própria mentalidade do homem português, considerando que coloca em causa a sua virilidade. No entanto, ignorar não é solução. É importante estar atento aos sintomas e não deixar que um processo natural de envelhecimento ponha em causa o seu bem-estar.

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