Saúde

Hiperidrose: a doença por detrás da transpiração excessiva

5 Setembro, 2017

Cerca de 150 mil portugueses sofrem de hiperidrose, uma doença benigna caracterizada pela transpiração excessiva. Quando é que suar passa de algo natural a um problema?


A culpa é do sistema nervoso!

Numa quantidade normal, a transpiração é benéfica para a nossa saúde: regulada pelo sistema nervoso simpático – parte do sistema nervoso autónomo -, é necessária para controlar a temperatura do corpo. Mas porque é que certas pessoas sofrem de transpiração excessiva, mesmo estando em repouso? Quando há algum problema com o sistema nervoso autónomo este envia um estímulo maior do que devia às glândulas sudoríparas, provocando um aumento exagerado de transpiração, sem odor. Geralmente, as zonas mais afetadas pela hiperidrose são as mãos, as axilas e os pés.

Há dois tipos de Hiperidrose: localizada e generalizada

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A Hiperidrose é uma doença benigna que aparece habitualmente durante a infância – os seus sintomas tendem a agravar-se durante a fase da puberdade – e pode ser transmitida de forma hereditária. Além disso, a transpiração excessiva pode ser de dois tipos: localizada ou generalizada. No caso da localizada, a pessoa transpira em excesso numa ou várias zonas do corpo como as axilas, mãos, pés, fundo das costas, entre outras. Já a hiperidrose generalizada pode estar relacionada com uma doença de base como a obesidade ou o hipertiroidismo, patologias que se caracterizam por uma transpiração abundante e generalizada.

150 mil portugueses sofrem de Hiperidrose

A Hiperidrose é uma doença muito mais comum do que aquilo que se pensa: estima-se que já em 2015 afetava cerca de 150 mil portugueses, de acordo com o dermatologista Pedro Ponte, do Hospital dos Lusíadas em Lisboa. Contudo, a Hiperidrose é normalmente desvalorizada até que comece a interferir na vida pessoal ou profissional do doente. A transpiração exagerada nas mãos – que pode ser agravada pelo calor, stress, emoções ou alguns alimentos – é a forma mais comum desta doença, o que pode causar constrangimentos no dia-a-dia e conduzir ao isolamento do doente.

A verdade é que algumas pessoas que transpiram excessivamente das mãos evitam escrever porque molham o papel, cumprimentar outras pessoas, pegar em objetos, trabalhar ao computador e conduzir porque têm medo que o volante fique escorregadio. Além disso, costumam manchar frequentemente a roupa – as incómodas manchas na zona das axilas -, molhar as meias que permanecem húmidas ao longo do dia e inibem-se de usar sandálias ou sapatos abertos para esconder as manchas de suor. Por isso é que tão importante procurar ajuda médica.

Cirurgia de 15 minutos: a solução definitiva!

E se lhe disséssemos que uma cirurgia de 15 minutos pode resolver o problema da hiperidrose? A simpatectomia torácica superior bilateral, realizada por videotoracoscopia, consiste em fazer uma incisão a um centímetro por baixo da axila de forma a suprimir o nervo simpático. E não vai sentir nada: é utilizada uma anestesia geral e passadas 6 a 8 horas o paciente tem alta. Ao fim de 2 ou 3 dias pode voltar ao trabalho normalmente.

Outra opção é o tratamento inovador miraDry, que não requere cirurgia e não apresenta efeitos secundários relevantes. Basicamente, o tratamento consiste no aquecimento da camada existente entre a pele e a gordura, onde estão localizadas as glândulas do suor: desta forma são vaporizadas e eliminadas sem afetar os tecidos vizinhos. Além de resolver o problema de hiperidrose, fica também solucionado o problema de odor associado, a bromidrose, caso exista. Normalmente o tratamento faz-se em duas sessões e os resultados são imediatos e duradouros.

Há ainda outras formas de tratamento, como a iontoforese. Trata-se de um equipamento que utiliza eléctrodos ligados a uma corrente de baixa intensidade que permite bloquear a produção de glândulas sudoríparas. Contudo há um senão. A taxa de sucesso é inferior, uma vez não resulta na maioria dos doentes afetados. Em determinados casos de hiperidrose, pode ser aplicado botox ao nível das axilas, mas não tem um efeito a longo prazo porque é preciso repetir o tratamento a cada seis meses.

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