Saúde

E se o ADN o ensinasse a viver mais e melhor?

31 Agosto, 2017

Quantos cafés pode beber por dia ou quantas sessões de treino físico deve fazer por semana? A resposta está no ADN!


DNA Lifestyle Coach: um plano de saúde à medida dos genes

E se a resposta de como devemos viver a nossa vida estivesse em nós, isto é, nos nossos genes? Esta é a ideia por detrás do teste DNA Lifestyle Coach desenvolvido pela empresa Titanovo. O processo é simples e começa com o envio de um kit de recolha de saliva ao cliente. Depois é feita a análise do seu código genético para determinar tudo o que deve fazer para melhorar a sua saúde a nível físico. Ou seja, no final é-lhe entregue um plano de saúde à medida dos seus genes!

Para chegar a estas conclusões, os analistas estudam os SNP presentes nas sequências dos genes à luz de vários trabalhos científicos. Um SNP é uma variação na sequência do ADN que afeta somente uma base na sequência do genoma. Variações essas que podem levar a que um gene funcione de forma diferente e que podem estar relacionadas com vários aspetos da nossa saúde.

Além disso, os investigadores pretendem também desvendar o segredo para a longevidade, através do estudo dos cromossomas presentes no nosso ADN. Estas investigações permitem-lhes compreender o processo de envelhecimento de cada um e, assim, apontar algumas pistas para uma vida mais longa.

Quantos cafés deve beber por dia?

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Uma professora do programa Literary Journalism da Universidade da Califórnia, Erika Hayasaki, fez o teste DNA Lifestyle Coach e contou a sua experiência na revista The Atlantic. Neste caso, os seus genes revelaram informações muito interessantes: o estudo indicava uma dificuldade acrescida para perder peso e recomendava uma redução de 600 calorias por dia.

Os genes de Erika Hayasaki desvendaram ainda outras curiosidades: beber três cafés por dia pode ser benéfico para a sua saúde, já que não é tão afetada pelos efeitos da cafeína como a marioria. O que quer isto dizer? Que conseguirá dormir sem qualquer problema durante a noite mesmo depois de ter bebido café umas horas antes. A professora também ficou a saber que, como metaboliza bem o álcool, fica sóbria mais depressa que a maioria das pessoas!

O ADN é o seu novo coach de fitness!

Estes modernos testes de ADN também podem mostrar-lhe o que é melhor para si em termos de exercício físico. O DNAfit é um teste de ADN que permite a atletas olímpicos descobrir quais são os seus pontos fortes e fracos, ajudando-os a treinar e a comer de acordo com isso. O jornalista do The Independent Siobhan Norton decidiu fazer o teste e reuniu-se com o corredor profissional Thomas Lancashire para juntos analisarem os resultados.

Desta forma descobriu, por exemplo, que os hidratos de carbono não são a melhor opção dietética para si, já que o seu corpo os transforma em gordura. A nível físico, o atleta olímpico Lancashire explicou-lhe que, como tem um bom volume de oxigénio, conseguirá aumentar a capacidade pulmonar e alcançar bons níveis de aptidão física rapidamente. Adiantou também que, de acordo com os resultados do teste de ADN, deveria fazer entre 5 a 6 sessões de atividade física por semana, alternando entre treinos de força e resistência.

Os genes que influenciam o sono e o peso

Como já vimos, os genes têm uma grande influência na nossa vida. E nem o nosso sono escapa: o gene Per2 está relacionado com a síndrome Advanced Sleep Phase, isto é, a vontade que se sente em ir cedo para a cama e levantar cedo. Já o gene Per3 predomina em pessoas que estão mais ativas durante a noite. Saber qual é o seu caso pode ajudá-lo a entender melhor que tipo de pessoa é em termos de hábitos de sono e o que fazer para dormir melhor, por exemplo.

Já a tendência para ser obeso está relacionada com a variante do gene FTO, isto é, uma proteína da obesidade. Estudos indicam que cerca de metade da população do Reino Unido pesa em média mais 1,6 quilos por causa disto e cerca de 16% tem duas cópias deste gene e pesa em média mais 3 quilos! O risco de sofrer de diabetes também tem a ver com a presença do gene FTO.

“Ainda se sabe muito pouco”, diz geneticista

Embora estes testes abram caminho sobre o que podemos fazer de facto para melhorarmos o nosso estilo de vida, o geneticista Barry Starr da Universidade de Stanford diz que “ainda se sabe muito pouco”. Até porque o ambiente, a forma como alguém é criado e as escolhas de cada um também têm impacto sobre os genes, como revelam os estudos no campo da epigenética. Além disso, o geneticista refere que as empresas de ADN testam diferentes genes o que pode conduzir a conclusões contraditórias.

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