Saúde

As alterações climáticas têm impacto na nossa saúde?

10 Agosto, 2017

Mais mortes relacionadas com as temperaturas extremas, problemas de saúde que se agravam com o calor e doenças tropicais que alastram a outros pontos do mundo: Já sentimos na pele as consequências das alterações climáticas.


Acima dos 37º é difícil regular a temperatura corporal

O ano de 2016 bateu todos os recordes ao nível da temperatura: sim, foi o ano mais quente desde que há registo. E os portugueses estão a sentir na pele os efeitos negativos das alterações climáticas. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, estima-se que todos os anos morram 150 mil pessoas com problemas de saúde relacionados com as temperaturas extremas. Só durante a onda calor que se fez sentir em 2013 morreram 1.700 portugueses.

Mas porque é que as alterações climáticas têm um efeito tão negativo na nossa saúde? O estudo do professor de Geografia da Universidade do Havai Camilo Mora, publicado na revista científica Nature Climate Change, explica que o corpo humano só funciona corretamente se estiver a uma temperatura que ronda os 37 graus. Quando está exposto a temperaturas muito elevadas, o corpo humano produz calor que não se dissipa e a regulação da temperatura corporal torna-se complicada.

Além disso, o suor também não se evapora quando há muita humidade. E o problema é que em ambas as situações o calor fica acumulado no corpo: as pessoas podem desta forma sofrer uma toxicidade que é semelhante a uma queimadura do sol mas no interior do corpo. Ou seja, o tempo quente em conjunto com uma humidade elevada pode aumentar a temperatura corporal e levar a condições que colocam a vida humana em risco!

O calor potencia problemas de saúde?

Ler Mais


O presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, Luís Campos, revelou à Visão que num inquérito 90% dos especialistas da área defenderam que as alterações climáticas já estão a ter efeitos na saúde dos portugueses. E os idosos, as crianças e as pessoas que vivem em habitações com piores condições – sem ar condicionado por exemplo – são um alvo fácil sobretudo no que diz respeito a doenças respiratórias.

Isto torna-se evidente se olharmos para o que está a acontecer com as ambrósias. Estas plantas cujo pólen provoca fortes alergias agora florescem mais 2 a 3 semanas na zona centro-norte dos EUA, ao contrário do que acontecia há umas décadas. Como consequência, também se prolongam os sintomas das doenças alérgicas respiratórias até ao outono: nomeadamente espirros e irritação ocular, segundo a investigação de Lewis H. Ziska, um cientista do United States Department of Agriculture.

A nível mundial regista-se também o aumento de doenças como os AVCs, doenças coronárias, bronquite crónica e doenças infeciosas. E ainda de outras patologias. É o caso da dengue e da malária, que são transmitidas pelos mosquitos: o aumento da temperatura vai fazer com que estes animais aumentem em número e cheguem a outras zonas, quando antes estavam confinados aos trópicos.

Alterações climáticas: uma ameaça à vida humana?

Se as emissões de gases com efeitos de estufa continuarem a aumentar ao ritmo atual, o nosso futuro pode ficar comprometido. Estima-se que 74% da população mundial estará exposta a ondas de calor mortíferas em 2100, de acordo com o estudo do professor Camilo Mora publicado na revista científica Nature Climate Change. Aliás, 30% das pessoas espalhadas por todo o mundo já estão expostas a estas condições fatais a cada ano.

E mais. Há áreas do planeta em que se registam níveis de humidade e temperatura potencialmente fatais durante 20 ou mais dias por ano. E a tendência, diz o mesmo estudo, é de que estas áreas cresçam, mesmo que se diminuam as emissões de gases com efeito de estufa. Preocupante, não é? Sobretudo para quem vive em regiões tropicais. É nestas zonas que as ondas de calor representam um maior perigo para a população, porque são sítios quentes e húmidos.

Proteja o ambiente, proteja a sua saúde!

No mundo em que vivemos, proteger o ambiente significa paralelamente protegermos a nossa saúde e cada um pode ter o seu papel. A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) apela a que se ande mais a pé, de bicicleta, de transportes públicos, que se comprem carros menos poluentes, que se reduza o consumo energia, de lixo, o consumo de carne na alimentação e que se evitem as bebidas em garrafas de plástico.

E redobrar a atenção ao ambiente pode começar pelos hospitais: de acordo com Luís Campos, presidente da SPMI, os hospitais consomem 11% da eletricidade, 18% do gás natural e são responsáveis por produzir 108 mil toneladas de resíduos.

Ler Menos