Saúde

Hepatite em Portugal: o que é, quais os sintomas e tratamentos

2 Agosto, 2017

O recente surto de Hepatite A em Portugal pôs a doença na ordem do dia, mas o que é que sabemos sobre ela? Conheça os vários tipos, causas, sintomas e tratamentos da Hepatite.


Hepatite: o que é?

A hepatite é caracterizada por uma inflamação no fígado, que dependendo do agente que a provoca, pode ter diferentes implicações. Mas o que provoca esta doença? No fundo, as hepatites são causadas por bactérias e vírus, mas também pelo consumo de produtos tóxicos como o álcool, por exemplo, e ainda medicamentos e algumas plantas.

Existem vários tipos de vírus da hepatite: Hepatite A, Hepatite B, Hepatite C, Hepatite D, Hepatite E e Hepatite G. Para além disso, ainda existem as hepatites auto-imunes, em que uma perturbação do sistema imuntário cria auto-anticorpos que começam a atacar as células do fígado.

Apesar do surto de Hepatite A que surgiu em Portugal, a Hepatite B e a C são os tipos de hepatite que geram mais preocupação, já que podem evoluir para doença crónica.

Hepatite B: a mais perigosa

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A Hepatite B é uma infeção viral no fígado que representa o mais perigoso de todos os tipos de hepatite, pois o risco de morte por cirrose ou cancro do fígado é muito elevado. Estima-se que existam 350 milhões de portadores crónicos do vírus em todo o mundo. No entanto, a infeção pode, em determinados casos, ser eliminada pelo organismo. Mais de 90% dos adultos saudáveis que são infetados com Hepatite B recuperam e libertam-se do vírus no período de 6 meses, de acordo com a Associação para o Planeamento da Família (APF).

Tal como acontece com outros vírus, a Hepatite B transmite-se  através do contacto com o sangue, o leite materno e fluídos corporais. Além disso, estima-se que o carácter infecioso do vírus da Hepatite B seja 50 a 100 vezes superior ao do VIH/SIDA.

Em 90% dos casos, a Hepatite B é assintomática, isto é, a pessoa afetada não apresenta sintomas. No entanto, segundo a APF as pessoas com doença aguda podem apresentar sintomas que duram várias semanas: febre, fadiga extrema, náuseas, vómitos, dor abdominal, dores nas articulações, erupções na pele e posteriormente icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura e fezes claras.

O tratamento da Hepatite B consiste essencialmente no repouso visto que não há medicação para combater diretamente o agente da doença, pelo que a prevenção é essencial. Em Portugal, a vacina contra a hepatite B faz parte do plano nacional de vacinação, é dada em três doses e tem uma taxa de eficácia de 95%.

Hepatite C: taxa de cura superior a 95%

Em Portugal estima-se que entre 1 a 1,5% da população (150.000 indivíduos) seja portadora do vírus da Hepatite C e que apenas 20 a 25 mil estejam diagnosticados. Segundo o Infarmed, os “tratamentos inovadores disponibilizados” permitiram o tratamento de “mais de 10 mil doentes”, “sendo que mais de cinco mil estão curados”, lê-se no mesmo documento.

Apesar de não existir ainda uma vacina contra a Hepatite C, os tratamentos apresentam taxas de cura superiores a 95%. O tratamento considerado “standard” pela comunidade científica internacional consiste na combinação do interferão peguilado (uma injeção semanal) juntamente com a ingestão diária de comprimidos de ribavirina.

O principal veículo de transmissão deste vírus é atrvavés do contacto sanguíneo. Já a transmissão por via sexual é pouco frequente e o vírus não se difunde no convívio social ou na partilha de loiça e outros objectos.

Cerca de 20% dos infetados com o vírus da Hepatite C recuperam sem precisarem de tratamento, enquanto os que ficam com o vírus no organismo por mais de seis meses, evoluem para hepatite crónica. Mas atenção: o portador crónico do vírus pode mesmo não apresentar qualquer sintoma, sentir-se saudável e, no entanto, estar a desenvolver uma cirrose ou um cancro hepático.

Tal como na Hepatite B, a Hepatite C é uma inflamação do fígado que pode conduzir à cirrose, insuficiência hepática e cancro. É também uma doença “silenciosa”, pois quando é possível registar sintomas, estes são semelhantes aos da Hepatite A e B, e que podem também ser confundidos com uma gripe.

Surto de Hepatite A em Portugal: o que precisa de saber

Desde o início do ano até ao mês de Junho, registaram-se 280 casos confirmados de Hepatite A, segundo a Direção-geral da Saúde. De acordo com a DGS, esta infeção é transmitida por via fecal-oral, aquando do contacto e ingestão de alimentos e água contaminados com o vírus ou através do contacto próximo com pessoas infetadas. Na União Europeia, o contacto sexual é considerado o principal modo de transmissão nos casos até agora identificados.

Os sintomas de Hepatite A são muito semelhantes aos da gripe, com uma diferença essencial: a pele e os olhos ganham um tom amarelado, situação conhecida por icterícia. Os principais sintomas do vírus ARN podem durar cerca de um mês e incluem náuseas, febre, falta de apetite, fadiga e diarreia. Nos casos de Hepatite A aguda, este quadro podem estender-se até um ano. Para além disso, cerca de 15% dos pacientes tem sintomas que se prolongam ou recaídas entre seis a nove meses depois de contrair o vírus.

Quanto ao tratamento da Hepatite A, este consiste essencialmente em repouso, mantendo-se a recomendação de uma alimentação equilibrada e boas práticas de higiene. É desaconselhada a ingestão de bebidas alcoólicas, já que agravam a lesão do fígado.

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