Economia Pessoal

Como ensinar o valor do dinheiro às crianças

1 Agosto, 2017

O dinheiro não deve ser um assunto tabu entre pais e filhos: quanto mais cedo os ensinar a geri-lo, melhores decisões tomarão à medida que crescem.


O conselho de um Prémio Nobel

Harry Markowitz foi um importante economista americano, ganhou um Prémio Nobel em Ciências Económicas em 1990, e era também pai. E como tantos outros pais espalhados pelo mundo teve desde cedo um grande desafio: explicar e ensinar a importância do dinheiro aos seus filhos.

Como? Numa entrevista, o economista referiu que foi crucial fazê-los entender que o orçamento tem limites. Para tal, à medida que iam crescendo, deu-lhes uma mesada que embora fosse suficiente não lhes permitia comprar tudo o que quisessem e bem lhes apetecesse: desta forma começaram a compreender o valor do dinheiro.

E foi bem-sucedido. Conta ainda que numa ida à Disneyland deu a cada um uma certa quantia para que pudessem comprar alguns souvenirs. E como já tinham aprendido como lidar com um orçamento limitado em vez de irem atrás das coisas mais caras que havia nas lojas, compraram de forma mais racional.

Quando começar a dar mesada aos filhos?

Ler Mais


Pode começar a dar uma mesada aos mais pequenos assim que comecem a falar ou a questioná-lo sobre o dinheiro. Sim, de acordo com os doutorados em Desenvolvimento Infantil que trabalharam behind the scenes no programa Rua Sésamo, as crianças em idade pré-escolar já conseguem distinguir entre o querer e o precisar. O que dita que estão prontas para aprender a lidar com o dinheiro.

Mas e quanto dar de mesada? É boa ideia dar um valor em função da idade e acordado entre ambos os pais. Em seguida, pode oferecer-lhe três mealheiros: um para as poupanças, outro para as despesas e outro para a caridade – este último serve para estimular a vontade de ajudar os outros! E porquê é que isto é importante? Ora, aproxima-se da gestão do orçamento de um adulto.

Caso o seu filho gaste mais do que devia num determinado mês, peça-lhe que lhe explique de que forma foi utilizada a mesada, responsabilizando-o pela gestão do orçamento. E é nesta altura que lhe deve ensinar a aceitar um “não” como resposta, caso lhe peça mais dinheiro: faz parte do processo de educação financeira, por isso não tenha receio de o fazer.

O dinheiro não tem de ser um assunto tabu 

O dinheiro deve ser visto como a comida. O que quer dizer com isto o psicólogo e autor de The Conscious Parent, Shefali Tsabary? Que, tal como acontece com a comida, o dinheiro é essencial para que consigamos sobreviver e viver no mundo moderno mas é preciso ter controlo para evitar que se desenvolvam hábitos pouco saudáveis.

Assim, qualquer pai pode começar por ensinar em casa aos mais novos o conceito de ganhar dinheiro. Isto é, explique-lhes de onde vem o dinheiro e que para o ganhar é preciso trabalhar. Se os seus filhos já forem mais crescidos, seja aberto acerca de quanto ganha para que se possam relacionar mais de perto com a sua realidade.

E faça-o de uma forma criativa: por exemplo, experimente dar-lhe uma compensação monetária simbólica pela realização de determinadas tarefas domésticas para que perceba mesmo o sentido de trabalhar para ganhar dinheiro. Além de ser uma boa forma de ensinar que o dinheiro não cai das árvores, também o ensina a ter mais responsabilidades.

Relação positiva com o dinheiro

Quanto mais cedo os seus filhos se começarem a relacionar de uma forma positiva com o dinheiro, melhor será. Em vez de perpetuar a ideia de “não há dinheiro para X”, tente incutir-lhes de que “há sim, mas é preciso poupar na mesada para comprar o brinquedo que tanto queres”. Isto ajuda-o a estabelecer objetivos e fá-lo-á sentir-se orgulhoso pelo que conseguiu com as suas poupanças.

A matemática não é um bicho de sete cabeças

Lembre-se de encorajar a sua criança em relação a uma área que envolve números, como a matemática. Porquê? A matemática e as finanças andam de mãos dadas e há vários estudos que provam que as crianças que são boas a fazer contas também estão mais à vontade para lidar com o dinheiro.

A importância de levar o seu filho às compras

Os exemplos dos mais pequenos são os próprios pais. Por isso, se quer que lhe sigam as pisadas em termos financeiros, experimente levar consigo as crianças nas idas às compras. Desta forma simples terão uma ideia clara de como faz as compras e em que gasta o dinheiro. Ao envolvê-los no processo indique-lhes a diferença entre o que é necessário e o que é superficial.

Há diferenças entre um cartão multibanco e de crédito

Há famílias que usam dois tipos de cartões: o de multibanco e o de crédito. Ambos implicam a movimentação de dinheiro mas com uma grande diferença: no caso do cartão multibanco o dinheiro está na sua conta à ordem, já no cartão de crédito é possível comprar algo – mediante um plafond – e pagar depois com ou sem juros dependendo da modalidade escolhida.

Por isso é que é muito importante que quando os tiver que usar enquanto está acompanhado dos seus filhos lhes explique como estes cartões funcionam. Só assim é que os mais pequenos podem entender que se destinam ao pagamento de coisas diferentes e que é preciso fazer o uso correto de qualquer um deles para não penalizar o orçamento familiar.

A brincar, a brincar também se aprende a lidar com o dinheiro!

Há uma forma bastante lúdica e divertida de aprender os principais conceitos financeiros. Nomeadamente, através de jogos como o Monopólio: como durante o jogo de tabuleiro tem de comprar e vender propriedades em função do capital, uma criança aprenderá não só a essência da gestão como da poupança e do investimento. Além de que aprende a manusear o próprio dinheiro!

Ler Menos