Saúde

O verão está aí. Sabe como cuidar da sua pele?

7 Julho, 2017

Os casos de cancro da pele estão a aumentar em Portugal. Quer saber como pode proteger-se? Usar um protetor solar indicado e comer os alimentos certos ajuda muito!


12 mil novos casos de cancro da pele

Os números do cancro da pele em Portugal têm vindo a aumentar e este ano estima-se que surjam mais 12 mil novos casos, 1.000 dos quais dizem respeito a melanomas. Quem faz o alerta é o secretário-geral da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC). Só no rastreio nacional as suspeitas ascenderam a mais de 80 casos de carcinoma basocelular e a 14 de melanomas.

É por esta razão que identificar o inimigo precocemente através do rastreio, utilizar protetor solar e beber muita água é tão importante. Sobretudo porque a pele tem memória: as agressões que o maior órgão do corpo humano sofre ao longo da vida podem ter como consequência o surgimento de cancro da pele 5, 10, 15 ou 20 anos depois.

Qual é a origem do cancro da pele?

Normalmente as células da pele crescem e dividem-se em novas durante o processo de regeneração celular. Uma vez envelhecidas ou danificadas, morrem de uma forma natural. O problema é que isso nem sempre acontece: se perderem o seu mecanismo de controlo e sofrerem alterações no seu ADN, tornam-se células de cancro e estas ao contrário das células saudáveis não morrem quando envelhecem. O que acontece é que produzem células que não são necessárias de uma forma descontrolada dando origem a um cancro.

Melanoma: o tipo mais perigoso de cancro da pele

Ler Mais


Inicialmente um melanoma apresenta uma lesão escura que aumenta de tamanho em extensão e/ou profundidade. Mas não só. À vista salta a alteração das suas cores originais, o surgimento de pontos pigmentados em redor da lesão inicial, a formação de ferida, sangramento ou sintomas como comichão ou inflamação. O melanoma é o tipo mais perigoso de cancro da pele, devido à sua capacidade de metastização: espalha-se com facilidade pelas veias sanguíneas e linfáticas presentes na derme a outras partes do corpo.

O melanoma cresce no tecido de uma forma vertical, isto é, de uma maneira bem mais agressiva do que acontece com o crescimento radial (menos invasivo e mais precoce). Mas tem cura? O diagnóstico precoce pode levar à cura do tumor caso este ainda não tenha afetado a derme: sim, a maioria das pessoas poderá curar-se se o melanoma estiver circunscrito à epiderme, a camada mais superficial da pele. Já numa fase tardia, o cancro da pele tipo melanoma apresenta uma elevada mortalidade.

Na dose certa, o sol é benéfico para a saúde

Apanhar sol na quantidade certa e de forma adequada é muito benéfico para a saúde. Aliás, é essencial para estimular a produção de vitamina D pela pele. Esta substância desempenha um papel importante ao nível do sistema nervoso, uma vez que previne o declínio cognitivo, tem uma ação protetora face ao sistema cardiovascular reduzindo o risco de enfarte, de doença coronária e de insuficiência cardíaca e como tem a capacidade de melhorar a sensibilidade à insulina, tem também um papel preventivo na obesidade e na diabetes.

Escolher bem o protetor solar importa!

Queimaduras e outras lesões da pele são comuns entre quem se desleixa com o sol. A não ser que utilize uma poderosa arma, o protetor solar! Sem ele, o envelhecimento precoce, as manchas escuras na pele, os sinais, a desidratação e o cancro são perigos que podem facilmente atingi-lo. E escolher o tipo de protetor certo também é muito importante. A The American Academy of Dermatology recomenda um protetor com proteção contra UVB e UVA, fator superior a 30 e resistente à água. Só assim estará verdadeiramente seguro!

Deve aplicar protetor 15 minutos antes de sair de casa

Faça seu o conselho da The Skin Cancer Foundation International: aplique protetor solar 15 a 30 minutos antes da exposição solar e lembre-se de renovar a aplicação de duas em duas horas ou à saída da água.

Além disso é importante que evite as horas de maior calor, entre as 12 e as 16 horas, e que tenha em atenção as zonas mais sensíveis como lábios, rosto, ombros, face anterior dos braços e pernas ou as chamadas zonas esquecidas: costas das mãos, dos pés, orelhas, nuca e nariz. Se vai passar bastantes horas na praia e durante alturas de muito calor, proteja-se com óculos escuros, uma t-shirt, chapéu e claro um sombreiro.

Há alimentos que ajudam a protegê-lo dos raios solares

Comer os alimentos certos pode – em conjunto com o protetor solar, claro – conferir uma proteção extra à sua pele durante o verão. De acordo com a nutricionista Catarina Oliveira, a melancia e os morangos são bons exemplos: como são pobres em calorias e ricos em água, ajudam-no a manter-se hidratado. Além disso, como estão carregados de vitamina C, um antioxidante que confere protecção contra os efeitos dos raios UV, são uma opção acertada para os dias mais quentes.

Do lado dos alimentos que escudam a sua pele contra os raios ultravioleta, tem ainda o chocolate preto. Os flavonóides presentes neste alimento melhoram a capacidade da pele para se proteger contra alguns dos efeitos nocivos do sol, como as queimaduras. Os flavonóides têm também a capacidade de aumentar a micro-circulação e a oxigenação da derme – a camada intermédia da pele. Ou seja, além de ser um snack delicioso, é bom para a saúde da sua pele!

O ómega 3 é um ácido gordo que encontramos por exemplo no salmão e que tem um efeito anti-inflamatório, como tal diminui a sensibilidade da pele frente ao sol. E por sua vez pode acompanhá-lo com espinafres, já que são uma excelente fonte de antioxidantes, polifenóis e carotenos, substâncias que escudam a pele dos efeitos negativos dos raios solares, prevenindo manchas e o fotoenvelhecimento.

Tenho uma queimadura solar. E agora?

Se apanhou um escaldão, deve começar por auto-avaliar a gravidade da lesão de acordo com a zona atingida pela queimadura, a extensão de pele queimada e a profundidade da queimadura. No que diz respeito à profundidade da queimadura, esta pode ser de 1º, 2º ou 3º grau: por exemplo, as queimaduras de primeiro grau limitam-se à camada superficial da pele, como é o caso das queimaduras solares.

À primeira vista, uma queimadura solar deste tipo apresenta vermelhidão – de leve a intensa -, dor ao tocar e pele inchada. Neste caso pode aplicar uma pomada para ajudar a aliviar a dor e reduzir a inflamação e posteriormente proteger a zona queimada pelo sol com alguma peça de roupa. Normalmente não é preciso um tratamento específico, mas se a área queimada for muito extensa e se tratar de uma criança ou um idoso, procure ajuda médica.

Ler Menos