Saúde

O segredo da felicidade está no cérebro!

30 Junho, 2017

Sabia que o cérebro não está formatado para se focar na felicidade? A parte boa da história é que há pequenos rituais que pode adotar para treinar o seu cérebro e ser mais feliz!


A herança do negativismo no cérebro

Num dia normal uma pessoa comum levanta-se, vai trabalhar, faz as refeições normais e pode eventualmente ir beber um café com os colegas de trabalho ou amigos ao final do dia. Quando finalmente chega a casa, põe tudo em ordem para o dia seguinte e vai dormir. E embora nada de mau tenha acontecido em particular dá por si muitas vezes invadido – sem um motivo aparente – por uma sensação de stress ou preocupação? Há uma explicação científica: o cérebro está programado para se focar nos aspetos negativos da vida.

Isto acontece porque a evolução levou a que o cérebro se centrasse na sobrevivência e não necessariamente na felicidade. O neuropsicólogo Rick Hanson explica que antigamente os predadores tinham maior impacto na luta pela sobrevivência dos nossos antepassados – podiam conduzir à morte – do que experiências positivas como o acasalamento e é por esta razão que o cérebro tem hoje o que os cientistas apelidam de efeito do negativismo. Isto dita, por exemplo, que uma informação negativa acerca de alguém seja mais memorável do que uma informação positiva.

Nota mental: interiorizar o bom

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Colocar em prática a técnicataking in the good”, isto é, interiorizar o bom foi a solução encontrada por Rick Hanson para contrariar o efeito do negativismo. No fundo, trata-se de uma ferramenta que ajuda a treinar o cérebro para apreciar as experiências positivas. Para isso é preciso que tenhamos no dia-a-dia boas experiências dos sentimentos que queremos potenciar – por exemplo felicidade e amor – e interiorizá-los. Só assim estes se convertem eficazmente em estrutura neural.

E bastam 10, 20, 30 segundos extra deste tipo de experiências para dotar o ser humano de sentimentos mais positivos. Mas como é que isto se processa no cérebro? Ora, são os padrões repetidos de atividade mental que ajudam a construir a estrutura neural. Este processo ocorre através de diferentes mecanismos que incluem a sensibilização das sinapses – zonas de contacto entre os neurónios – existentes e a construção de novas sinapses.

Na prática, isto resulta porque o cérebro trabalha de forma semelhante a um músculo: isto é, vai ficando mais forte à medida que treina. Assim, quando as pessoas estão a aprender uma técnica como a “taking in the good” e a põem em prática frequentemente estão a trabalhar ao mesmo tempo a parte do cérebro que é relevante a essa capacidade. E como tal é possível treinar a parte do cérebro relacionada com a felicidade, levando a um mindset mais positivo quer a curto, quer a longo prazo.

Gratidão: um ritual fundamental à felicidade

O neurocientista Alex Korb apresenta no seu livro The Upward Spiral, vários rituais que o podem ajudar a ser mais feliz. Um deles passa por se sentir grato acerca dos aspetos positivos da sua vida. Porquê? Korb explica que a gratidão contorna a preocupação ao ativar a região do tronco central do cérebro responsável pela libertação de dopamina, isto é, um neurotransmissor que produz uma sensação de prazer, felicidade e bem-estar. Além disso refere também que a gratidão para com os outros aumenta a atividade nos circuitos sociais da dopamina, o que torna as interações sociais mais agradáveis.

É-lhe familiar aquela sensação de alívio após a tomada de uma decisão? De acordo com a Ciência, isto acontece porque tomar decisões reduz os sentimentos de preocupação e ansiedade. Como? Uma decisão implica muitas vezes encontrar uma solução para resolver um problema e como benefício acalma o sistema límbico do cérebro, responsável pelo controlo das emoções.

As emoções positivas dão saúde?

Está mais que provado que estimular as experiências positivas na nossa vida ajuda a contrariar o negativismo do cérebro. Mas e se lhe disséssemos que os pensamentos positivos também podem ter benefícios ao nível da saúde? Sim, afinal aquelas expressões tão cliché como “ver o copo meio cheio, em vez de meio vazio”, ou “ver o lado positivo das coisas” têm vantagens que vão além da motivação!

Os investigadores descobriram que perante um problema de saúde as emoções positivas ajudam a fortalecer o sistema imunitário e a contrariar a depressão. Aliás, vários estudos demonstram que ter uma perspetiva positiva está directamente relacionado com alguns benefícios na saúde como pressão arterial mais baixa, menos problemas cardíacos, melhor controlo de peso e melhores níveis de açúcar no sangue.

Movida por esta noção, a professora Judith T. Moskowitz da Northwestern University Feinberg School of Medicine, em Chicago, desenvolveu um conjunto de oito skills que ajuda as pessoas a adotarem emoções mais positivas no caso de se depararem com um problema de saúde. Para que surta o efeito desejado, deve colocar em prática uma competência diariamente: reconhecer um evento positivo está na lista. Pronto para começar?

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