Saúde

Uma vacina mais perto da cura para a SIDA?

27 Junho, 2017

Investigações recentes estão a trazer uma nova esperança na luta contra o VIH. Graças a uma nova vacina, os cientistas acreditam ter encontrado a cura para a SIDA.


Britânico poderá ser o primeiro doente de SIDA a curar-se

Um grupo de investigadores de cinco universidades diferentes no Reino Unido está a estudar um tratamento pioneiro e inovador que compreende a aplicação de uma técnica que elimina completamente o VIH – Vírus da Imunodeficiência Humana – através de uma vacina. Em traços gerais, esta vacina ajuda o sistema imunitário a detetar as células infetadas para as conseguir eliminar.

Numa segunda fase é também utilizado um fármaco, o Vorinostat, para ativar as células T que costumam passar despercebidas aos tratamentos comuns. Como as terapias antirretrovirais têm como alvo as células infetadas com SIDA, não conseguem chegar aos milhões de células T adormecidas, isto significa que os tratamentos existentes apenas controlam a doença mas não a curam.

“Exploramos a possibilidade real de cura do VIH”, refere Mark Samuels, diretor do National Institute for Health Research Office ao jornal The Sunday Times. E embora ainda esteja numa fase experimental, a investigação parece estar no bom caminho. Um homem britânico, de 44 anos, está perto de se tornar a primeira pessoa do mundo a curar-se de SIDA: após o tratamento, o vírus está completamente indetetável no sangue do paciente.

E se a cura para a SIDA estiver em Portugal?

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Em Portugal também há quem queira erradicar a SIDA de vez. Estamos a falar do investigador do Instituto de Investigação e Medicamento, iMed, João Gonçalves e da sua equipa de nove profissionais. Juntos exploram a possibilidade de erradicar o VIH-1 recorrendo a medicamentos antigos. O projeto tem o nome de Recycle Drug.

De acordo com o investigador, as pesquisas consistiram em analisar numa biblioteca de três mil medicamentos para várias patologias e de diversas especialidades para chegar a uma lista reduzida. Os cinco fármacos eleitos “têm potencialidades para a erradicação do vírus”. No fim só restará um, o mais eficaz de todos.

Investigar o impacto que alguns fármacos podem ter noutras áreas terapêuticas é algo que o National Institute of Health, nos EUA, tem vindo a fazer. E foi nestes estudos que o também professor João Gonçalves se inspirou para o projeto Recycle Drug. Um exemplo da aplicação deste tipo de estudos foi o conhecido Viagra, inicialmente testado em cardiologia mas que acabou por ser utilizado para tratar outro problema: a disfunção erétil.

Além disso, como o grande desafio agora é curar e não apenas controlar a SIDA, o grupo de investigadores portugueses tem uma abordagem diferente da que é defendida por outros cientistas em todo o mundo. Em vez de tentarem “matar” o VIH diretamente, o que pretendem é reforçar a resistência das células ao vírus que o ser humano tem naturalmente no seu organismo.

Medicamento reduz risco de contrair SIDA até 90%

A SIDA é uma doença provocada pelo VIH, que ataca o sistema sanguíneo e imunitário. Ou seja, o que acontece é que o vírus destrói as células responsáveis pela defesa do nosso organismo, enfraquecendo-o e deixando-o sensível a outras doenças. É contraído através de relações sexuais desprotegidas, sangue infetado ou de mães para filhos durante a gravidez, parto ou a amamentação.

Apesar de todos os esforços que se têm feito no sentido de travar a doença, ainda não há cura para a SIDA. No entanto, está a chegar a Portugal o fármaco que ajuda a prevenção, diminuindo o risco de contrair a doença. O PREP – um medicamento de profilaxia de pré-exposição ao risco – destina-se a pessoas saudáveis mas que têm comportamentos de risco.

De acordo com Isabel Aldir, diretora do Programa Prioritário para a Área da Infeção VIH SIDA da Direção Geral de Saúde, com o PREP, a redução do risco pode chegar aos 90%.

Portugal livre de SIDA até 2030?

No ano passado foram diagnosticados em Portugal 841 novos casos de SIDA, o número mais baixo dos últimos 15 anos, de acordo com o secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo.

As cidades de Lisboa, Porto e Cascais ganharam o estatuto de cidades de Via Rápida na eliminação do VIH, através do projecto Fast-Track Cities. Este programa da ONU-SIDA que tem como missão colocar um travão à evolução da doença e pretende erradicar a SIDA até 2030!

E Portugal está no bom caminho. Luiz Loures, diretor executivo adjunto do programa das Nações Unidas, afirma que o nosso país está à frente na resposta mundial da epidemia da SIDA ao nível da legislação de direitos humanos em relação ao VIH, da liderança política – é inclusiva e apoia o acesso a tratamentos a estrangeiros – e também ao nível do envolvimento da sociedade civil.

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