Radar económico

Quais são os países mais felizes do mundo? E em Portugal, somos felizes?

30 Maio, 2017

Será que uma sociedade com um PIB mais elevado é uma sociedade em que as pessoas andam mais felizes? Cada vez mais a economia se interessa por este tema.


Em que medida economias mais ricas “produzem” sociedades mais felizes?

Como vemos na tabela abaixo, 75% dos 20 países com maior PIB per capita encontram-se também no Top 20 dos países com maiores níveis de felicidade.

Existe de facto uma relação positiva entre a riqueza criada por um país e a perceção que as pessoas têm sobre a qualidade das suas vidas. Os mais recentes estudos socioeconómicos apontam nesse sentido.

Todavia, os mesmos estudos afirmam que o PIB per capita não é tudo. Também há outros fatores que influenciam fortemente o nível de satisfação das pessoas, nomeadamente a esperança média de vida e os níveis de apoio social, de liberdade de escolha, de solidariedade e de corrupção. O crescimento económico é importante, mas mais importante ainda é a qualidade desse crescimento.

É neste enquadramento que a ONU criou um indicador de felicidade que varia entre 0 e 10 e que avalia até que ponto os cidadãos de 155 países se sentem satisfeitos com a vida que têm. A partir de 2012, começou-se a produzir um relatório sobre a “Felicidade das Nações” (“Happiness Report”).

Mas como se mede esta felicidade? Quais são os países que têm os cidadãos mais satisfeitos com a vida que levam? E Portugal? Qual é o nosso nível de felicidade?

Portugal: um país pouco satisfeito

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Em termos mundiais, Portugal está na 89ª posição entre 155 países. Mas o que mais surpreende pela negativa é quando nos comparamos com os nossos congéneres europeus: a esse nível estamos claramente abaixo da média.

No contexto europeu, e de acordo com o indicador de felicidade desenvolvido pela ONU, Portugal é o quarto país com níveis mais baixos de felicidade (5,195), apenas à frente da Macedónia, da Bulgária, da Albânia e da Ucrânia. Por exemplo, os noruegueses, os mais felizes do mundo de acordo com o indicador de felicidade referido, apresentam níveis de satisfação 50% acima dos portugueses.

Europa, Oceania e América do Norte: os mais felizes vivem lá

Uma coisa é certa: a Europa lidera claramente este ranking de 155 países. No Top 20 mundial, a Europa é representada por 14 países e os primeiros seis lugares têm uma predominância nórdico-escandinava: Noruega, Dinamarca, Islândia, Suíça, Finlândia e Holanda.

Na Oceânia, mais precisamente na Nova Zelândia (8º) e na Austrália (9º) também há muita qualidade de vida. Canadá e EUA, os representantes da América do Norte, também estão bem classificados, sendo que os canadianos estão mais satisfeitos com a vida do que os norte-americanos.

As grandes surpresas vêm de Israel, da Costa Rica e do Chile. Ora por razões políticas, ora por razões económicas, não parece ser tarefa fácil viver nestes países, mas o sentimento das pessoas indica o contrário: é de elevada satisfação.

África: os menos felizes vivem neste continente

Não é fácil ser-se feliz nos países acima referidos. A esperança média de vida anda à volta dos 60 anos e o PIB per capita atinge uma média anual de 540 dólares. Acrescido a estes dados, alguns destes países também estão muito associados a ausência de apoio social, a guerras, a corrupção elevada e a um baixo nível de liberdade.

Como se calcula o indicador da Felicidade?

Ao longo de três anos (2014-2017) cerca de 3.000 pessoas de cada país foram desafiadas a responder, numa escala de 0 a 10, a uma questão simples: Como avalia a sua vida? 10 equivale à melhor vida possível e 0 corresponde à pior vida possível.

Com base nestas respostas, é possível identificar a perceção das pessoas relativamente à qualidade das suas vidas e estabelecer valores médios por país (155 países no total).

Os determinantes da Felicidade

De acordo com a ciência socioeconómica, os principais fatores que explicam as variações do indicador de felicidade são o PIB per capita, a esperança média de vida, os níveis de apoio social, de liberdade de escolha, de solidariedade e de corrupção.

O relatório da Felicidade de 2017 confirma esta tese, reforçando também o seguinte: entre estes 6 fatores referidos, o PIB per capita, a esperança média de vida e o nível de apoio social são os fatores com maior impacto na satisfação das pessoas.

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