Saúde

Intolerância alimentar: quais são os principais sintomas, causas e tratamentos?

22 Maio, 2017

Costuma sentir a barriga inchada ou ter cólicas depois de comer um determinado alimento? Se for recorrente, pode tratar-se de uma intolerância. Saiba o que fazer.


Alergia ou intolerância?

Antes de mais, há uma distinção muito importante a fazer: ser alérgico e ser intolerante a um determinado alimento não é a mesma coisa. A alergia é uma reação imunológica vigorosa e desajustada que ocorre após a ingestão ou o contacto com um determinado alimento, que se manifesta quase de imediato e normalmente assume contornos muito mais graves do que as intolerâncias. Sim, pode mesmo originar uma anafilaxia alimentar e uma visita ao serviço de Urgências!

Já no caso da intolerância, o que ocorre é uma reação adversa aos alimentos que, embora anormal, se manifesta de forma gradual e de baixa reatividade. E ao contrário do que acontece com as alergias, não envolve o sistema imunitário: pode surgir simplesmente porque o organismo não consegue digerir completamente um grupo de alimentos – provavelmente devido a uma deficiência enzimática do sistema digestivo – e como resposta dá-se uma inflamação crónica.

Os principais sintomas de uma intolerância alimentar

Depois de comer um determinado alimento – um iogurte, por exemplo – sente sempre a barriga inchada ou sofre de cólicas? Se for recorrente, é possível que seja intolerante a algum componente desse alimento, neste caso a lactose. Para além destes dois sintomas comuns de intolerância alimentar, esteja também atento a outros sinais de alerta: gases, flatulência, azia, dores de cabeça e mal-estar geral compõem a lista. Quem o diz é a Alimenta – Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares.

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Lactose e glúten: as causas mais comuns das intolerâncias alimentares

Ovos, amendoins, soja, marisco e moluscos, peixe e frutos secos de casca rija – como nozes e pistácios – são alimentos considerados alergénios. No entanto, as causas principais das intolerâncias alimentares estão relacionadas com a lactose e os cereais com glúten. Mas o que é que está na origem de uma intolerância alimentar? No caso dos intolerantes à lactose, por exemplo, trata-se da ausência de uma enzima, a lactase. As pessoas que não produzem lactase suficiente têm dificuldade em digerir a lactose, o açúcar presente no leite e nos seus derivados, daí sentirem desconforto gástrico quando os consomem.

Já a intolerância ao glúten tem uma origem auto-imune: manifesta-se em indivíduos geneticamente predispostos e consiste na intolerância imunológica aos resíduos da glutamina do glúten. Isto explica porque é que os cereais como o trigo, centeio, cevada e a aveia causam reações adversas no organismo de quem as ingere. À medida que o tempo passa, o glúten presente nestes alimentos atrofiam as vilosidades no intestino delgado, isto é, reduzem a capacidade de absorção dos nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais, minerais e água, originando a Doença Celíaca.

Tratamento: é possível contrariar a intolerância alimentar?

Se é intolerante à lactose não tem de deixar de beber leite necessariamente: já encontra no mercado leite sem lactose. Outra alternativa passa por consumir bebidas vegetais à base de arroz, soja, coco, avelã, aveia ou amêndoa. No que toca à intolerância ao glúten, é necessário retirá-lo da sua alimentação diária e substitui-lo, por exemplo, por alimentos à base de milho, batata, arroz, feijão de soja, tapioca, araruta, amaranto e trigo-sarraceno.

Ou seja, o melhor tratamento para os efeitos negativos de uma intolerância, seja ela qual for, passa por fazer uma dieta específica, em que o consumo da substância a que é intolerante é restringido ou mesmo retirado. Na página da Alimenta encontra as alternativas certas para os principais tipos de alergénios, bem como receitas e ementas que poderá adotar.

Aconselhe-se com o seu médico

Se sofre recorrentemente de alguns dos sintomas associados às intolerâncias alimentares então, de acordo com a Associação Alimenta, deve dirigir-se ao seu médico assistente ou procurar mesmo um especialista em doenças alérgicas, nomeadamente um alergologista. Só o diagnóstico correto lhe permitirá evitar dietas inadequadas e perceber qual é o tratamento mais eficaz. Além disso, só um médico o poderá aconselhar corretamente acerca do grau de restrição de um determinado alimento.

Mas não há nenhum exame que possa despistar os vários tipos de intolerâncias? Sabe-se que há várias clínicas no mercado português que realizam múltiplos testes de diagnóstico para detetar a presença de intolerâncias alimentares. No entanto, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, a SPAIC, deixa o alerta: estes testes múltiplos que estudam indiscriminadamente intolerâncias/alergias alimentares não têm qualquer fundamentação científica ou utilidade diagnóstica.

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