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Hans Rosling: estatísticas para educar o mundo

27 Abril, 2017

Fica na história por dar vida aos números e assumir como missão própria a educação da população. Está na hora de conhecer Hans Rosling, o guru das estatísticas.


Uma conversa levou-o à fama

Foram os números que colocaram o nome de Hans Rosling na história. O sueco tornou-se conhecido por conseguir transformar a “aborrecida” estatística em algo divertido e dinâmico. O que é, só por si, um feito, porque a verdade é que são poucos os homens das estatísticas que se tornaram celebridades. Talvez o seu carisma inconfundível, o sentido de humor e o facto de engolir espadas ser o seu hobby tenham ajudado um pouco!

Mas foram as TED Talks que o catapultaram para os palcos e para a fama. Estávamos em 2006 quando usou numa conferência o Trendalyzer, um gráfico em que bolas representando cada um dos países do mundo se vão movendo e mudando de tamanho, à medida que os anos passam. Mas não só. O Trendalyzer era capaz de mostrar a relação entre dois parâmetros, entre dezenas repartidos por áreas como população, saúde, educação, economia, ambiente, energia ou infra-estruturas.

A sua ferramenta de visualização tinha tanto de original como inovadora e por isso não tardaria a chamar a atenção da Google, que a comprou oficialmente em 2007. E a única coisa que o travaria de continuar a ilustrar o mundo em estatísticas seria um cancro no pâncreas que o obrigou a dizer adeus aos 68 anos no passado dia 7 de fevereiro. Mas o seu legado, por certo continuará pela mão do seu filho, Ola Rosling, e do projeto Gapminder que fundaram em conjunto.

Gapminder: o projeto de uma vida

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A organização sem fins lucrativos Gapminder foi fundada em 2005 para promover o desenvolvimento sustentável em todo o mundo. E em parte trata-se de uma plataforma online onde qualquer pessoa pode aceder a informação estatística muito pertinente. O objetivo passa por combater a ignorância e educar o mundo em que vivemos – e é precisamente isso que os gráficos disponíveis fazem!

Ao longo da sua carreira, Rosling investigou as ligações entre o desenvolvimento económico, a agricultura, a pobreza e a saúde, mas também lutou por pôr a nu alguns mitos que erradamente vingaram. Um exemplo simples prova o seu ponto de vista: a maioria dos homens pensa que são melhores condutores que as mulheres mas, de acordo com as estatísticas, os homens têm quase o dobro dos acidentes fatais.

Hans Rosling apercebe-se desta necessidade sobretudo no Instituto Karolinska, em Estocolmo, onde dava aulas de Saúde Internacional. Durante um teste, reuniu cinco pares de países – Sri Lanka e Turquia; Polónia e Coreia do Sul; Malásia e Rússia; Paquistão e Vietname; Tailândia e África do Sul – e perguntou qual o país, entre o par, que tinha a taxa de mortalidade infantil mais elevada. Os resultados foram tão maus que Rosling decidiu arregaçar as mangas e começar a educar o mundo através da estatística.

De médico a homem das estatísticas

A verdade é que Hans Rosling era também médico, foi consultor da Organização Mundial de Saúde, da UNICEF e fundou os médicos sem fronteiras na Suécia. E onde é que entram as estatísticas nisto tudo? Foi em Moçambique, onde viveu durante dois anos depois de se formar em medicina, que Rosling ouviu o chamamento dos números.

Quando estava a ajudar a montar o Serviço Nacional de Saúde moçambicano o investigador teve um momento de revelação: a probreza que se vivia no país fê-lo querer quantificar o abismo que existia entre os padrões de vida. E claro, o facto de ter crescido com meios limitados também teve o seu peso. Rosling disse sempre que ainda se lembrava do momento preciso em que a sua família adquiriu a primeira máquina de lavar!

O futuro do mundo: três previsões do guru

Além de uma forma mais divertida de olhar a estatística, Hans Rosling deixou-nos ainda um legado de previsões para o futuro. Uma delas está relacionada com a demografia e o investimento económico. Segundo o guru, são os nascimentos que vão influenciar o investimento futuro e não o contrário. Assim, dizia Rosling, é importante olhar para as estatísticas demográficas para saber onde investir.

Outra das previsões de Hans Rosling diz respeito à densidade populacional em África e ao seu impacto no ambiente. De acordo com o sueco, os países africanos vão progredir, ter mais estabilidade económica e consequentemente deter um maior poder de compra. E como todos estes fatores contribuem para o aumento do consumo, isto terá obviamente um impacto no ambiente nem que seja porque as pessoas farão mais lixo, tomarão mais banhos ou consumirão mais eletricidade.

Hans Rosling também refletiu sobre a longevidade. O especialista acreditava que as pessoas não só vão viver mais anos como também vão trabalhar mais anos. Isto porque se as pessoas estão ativas durante mais tempo, e com saúde, também vão poder contribuir mais anos para o mercado de trabalho em que estão inseridas. Mas algo vai ter que mudar face a este cenário, dizia Hans: ou sobe a idade da reforma ou os impostos que os trabalhadores têm de pagar.

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