Saúde

Como é que a música afeta o nosso cérebro?

21 Março, 2017

Porque é que as nossas canções preferidas nos fazem sentir bem? A Ciência diz que a música não só influencia o nosso cérebro como também pode ser usada como terapia.


A música influencia o nosso humor

Chegamos a casa, ligamos o rádio e eis que passa uma música que tem o poder de nos deixar bem-dispostos. Isto acontece porque se dá a libertação de dopamina no cérebro – um neurotransmissor que produz uma sensação de prazer, felicidade e bem-estar – e porque a música ativa diferentes funções cerebrais. Como? Ora, isto foi o que um grupo de neurologistas americanos tentou descobrir. Para tal utilizaram um scanner com imagens de ressonância magnética para mapear a atividade cerebral de um grupo de pessoas perante diferentes estilos de música.

Escolheram uma playlist composta por vários temas – alguns icónicos de cada género – uma canção que não era familiar e lá no meio estava ainda a música favorita de cada um. E não é que detetaram padrões de atividade cerebral que indicavam agrado ou desagrado? Curiosamente, algo mágico acontece quando se ouve a canção preferida: desencadeia-se uma atividade no hipocampo, isto é, nos lobos temporais do cérebro, que é fundamental na memória e uma componente importante do sistema límbico que é responsável pelas emoções vinculadas à socialização.

O professor Stefan Koelsch, um expert em psicologia biológica e psicologia da música, também chegou à conclusão de que “a música provoca mudanças de atividade nas regiões centrais do cérebro que estão na base das emoções”. Mas não ficamos por aqui. O investigador vai mais longe e explica como a música nos afeta também fisicamente. Uma canção “feliz” desencadeia uma atividade muscular zigomática, ou seja, o sorriso. Já uma música “triste” leva à ativação do músculo que nos faz franzir a sobrancelha.

O que acontece no cérebro de um músico?

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Se a música tem o poder de influenciar quem a ouve, o que se passará no cérebro de quem a toca? Movido por esta curiosidade, o neurocientista americano Charles Limb resolveu testar a sua teoria de que a música jazz improvisada funciona como uma espécie de conversa.

Assim, o investigador analisou a atividade cerebral de um músico enquanto tocava. Primeiro pediu-lhe para tocar uma música já feita. Em seguida, pediu-lhe para improvisar algo num teclado, enquanto outro músico fazia o mesmo na sala de controlo. Conclusão? Durante o improviso em conjunto, foi registado um aumento substancial da atividade cerebral dos dois músicos em áreas associadas à linguagem falada!

No entanto, a linguagem da música é bem diferente da linguagem falada, concluíram. Numa conversa, o nosso cérebro está bastante ocupado a processar a estrutura, a sintaxe e a semântica – isto é, o significado das palavras. Já durante uma improvisação de jazz desligam-se as áreas ligadas à semântica: a música comunica com o cérebro de uma forma que não está totalmente esclarecida e consegue adquirir significados que variam muito de pessoa para pessoa.

A música pode tratar?

Já pensou como é que alguém que sofre de Alzheimer não se lembra do próprio nome, ou até mesmo de onde vive mas reconhece uma música que o emocionou? Talvez por esta razão vários terapeutas utilizem a música como terapia para fazer frente à progressão do Alzheimer. E a razão é simples: as memórias mais duradoras estão relacionadas com uma experiência emocional intensa e a música tem um forte papel nas emoções, esclarece a musicoterapeuta da Fundação Alzheimer Espanha Fátima Pérez-Robledo.

Muitos são os investigadores que tentaram provar que a música tem de facto um poder sobre o nosso cérebro. E os cientistas alemães do Instituto Max Planck de Neurociência e Cognição Humana não foram uma exceção. Levaram a cabo um estudo e descobriram que as memórias musicais, além de serem armazenadas numa área exclusiva do cérebro – sim, não se misturam com outras –, também se situam numa região menos afetada pela doença. Ou seja, a música pode ter mesmo uma influência positiva na saúde e ser mesmo usada como terapia em doenças como o Alzheimer.

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