Saúde

Doença mãos, pés e boca, varicela, sarampo: um guia para os pais

27 Fevereiro, 2017

Reparou que o seu pequenote tem febre, mal-estar e lhe apareceram algumas manchas vermelhas na pele? Pode não ser nada ou então pode estar perante uma doença exantemática.


Doenças exantemáticas da infância: o que são?

O nome difícil esconde por detrás um conjunto de doenças infeciosas que se manifestam pelo aparecimento de manchas na pele e erupções cutâneas no corpo. Além disso, as doenças exantemáticas podem ser virais ou bacterianas e, por norma, são mais comuns durante a infância: doença mãos, pés e boca, varicela, sarampo, escarlatina e rubéola são alguns exemplos.

O local de início da erupção cutânea, características, evolução e duração podem ajudar no diagnóstico precoce. Mas como numa fase inicial as crianças adoecem mesmo antes de surgir qualquer tipo de sinal característico da doença, é preciso estar atento, perceber se há casos semelhantes na escola ou em casa e se existem outros sintomas associados como tosse, febre e olhos vermelhos.

Doença mãos, pés e boca: ameaça tripla

A maioria das pessoas desconhece que existe uma doença chamada mãos, pés e boca até que alguém lá por casa a contrai. Trata-se de uma doença provocada por algumas estirpes do vírus coxsackie e embora seja benigna, é altamente contagiosa através do contacto com as fezes, saliva e lesões. Por esta razão, a criança deve permanecer em casa, evitando frequentar o infantário ou a escola. Dito isto, é importante referir que ter cuidado com a higiene e lavar bem as mãos é uma boa forma de prevenção!

A doença mãos, pés e boca começa a fazer-se notar pela presença de febre, mal-estar e dor de garganta até que finalmente aparecem as típicas lesões cutâneas. E como o próprio nome indica estas atingem as mãos, os pés e em simultâneo a boca – aparecem nomeadamente lesões aftosas na língua, lábios e palato. Não exige nenhum tratamento específico, mas para aliviar os sintomas pode ser utilizado um antipirético, uma pomada apropriada e ter alguns cuidados como manter a criança bem hidratada.

A varicela dá imunidade! 

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Embora contagie mais de 90% das pessoas que ainda não tiveram a doença, a varicela tem uma grande particularidade: só aparece uma vez na vida porque confere imunidade! Mas como se desenvolve? Após um período de incubação que dura entre uma a três semanas, a criança começa a sentir febre e perda de apetite que são acompanhadas pelo aparecimento de manchas vermelhas na pele que causam muita comichão – deve por isso assegurar-se que as unhas das crianças estão curtas e limpas.

Ao fim de algumas horas, as manchas convertem-se em bolhas cheias de um
líquido amarelado – as vesículas – que podem estender-se ao couro cabeludo e à zona genital. Dentro de cinco a sete dias as vesículas rebentam, o líquido seca e formam-se então as crostas: nesta fase a criança já saiu da fase de contágio e é então seguro voltar à escola. O tratamento passa apenas pelo alívio de sintomas. Assim sendo, é recomendado dar banhos de água morna para reduzir a comichão e administrar paracetamol para a febre.

A varicela é uma doença benigna mas pode ter complicações associadas como meningite, encefalites e até pneumonias. E em idade adulta pode ser bastante perigosa: adolescentes e adultos são mais suscetíveis a complicações graves, com um aumento 20 vezes superior de mortalidade entre os 15 e os 44 anos. No entanto, existe uma vacina para combater o vírus da varicela – herpes varicela-zoster – só que esta não faz parte do Programa Nacional de Vacinação.

Varicela na gravidez: Deve preocupar-se? 

Se em criança teve varicela, não há qualquer problema porque os anticorpos que desenvolveu na altura vão protegê-la a si e ao feto, caso contrário pode aconselhar-se a toma da vacina uns meses antes de iniciar a conceção. Se, por outro lado, estava grávida quando esteve em contacto com alguém que tinha varicela, fale rapidamente com o seu médico porque durante os primeiros três meses de gestação o embrião pode ser infetado através da placenta e pode ocorrer um aborto. Contrair varicela poucos dias antes do parto é igualmente grave: o bebé pode ser contagiado no momento do nascimento e desenvolver uma infeção que pode ser fatal.

Sarampo, sarampelo, sete vez vem ao pêlo

Sempre se ouviu dizer o ditado e não é para menos. Durante muitos anos o sarampo foi uma das doenças exantemáticas mais problemáticas devido ao seu alto nível de contágio através da inalação de microgotas que se encontram em suspensão no ar após alguém tossir. Mas tudo mudou desde que passou a integrar o Programa Nacional de Vacinação: a primeira dose da vacina é administrada aos 12 meses, o reforço aos 5 anos de idade. Atualmente a Organização Mundial de Saúde considera esta doença eliminada em Portugal, isto é, não circula no nosso país, no entanto a vacinação continua a ser fundamental para evitar novos casos de infeções vindas de outros países.

Pode levar entre 8 a 13 dias até que a doença se manifeste, no entanto, uma vez que se instale o vírus Morbillivirus surgem sintomas como febre, congestão nasal, garganta irritada, tosse seca e olhos avermelhados. Dois a quatro dias mais tarde aparecem umas manchas brancas minúsculas na boca – manchas de Koplik – que nem sempre são fáceis de detetar. E cinco dias depois surge a comichão, sobretudo nas orelhas e pescoço: as erupções são de superfície irregular, plana, cor vermelha e crescem rapidamente.

Quando o sarampo atinge o seu pico, a febre pode ultrapassar os 40 graus, a erupção é bastante extensa, mas não é caso para alarme porque desde que a criança seja saudável e esteja bem nutrida a temperatura diminui, os sintomas aliviam e as manchas desaparecem rapidamente depois de uns dias. Para tratar o sarampo, o importante é controlar a febre e as dores musculares com paracetamol e ibuprofeno, ingerir muitos líquidos e repousar bastante.

Escarlatina: atenção à língua

Para lá da febre, vómitos e da dificuldade em engolir – amigdalite -, a escarlatina vê-se bem na língua. Durante a doença esta ganha uma cor framboesa, isto é, vermelha. Mas o que provoca isto? A bactéria estreptococos que se transmite a partir de gotas de saliva, espirro ou tosse. Por precaução, a pessoa infetada terá que fazer antibiótico, deve permanecer em casa e usar copos e talheres separados dos demais.

E não nos podemos esquecer dos muitos pontos vermelhos, de cor bastante viva, que aparecem no corpo e conferem à pele uma consistência áspera como se de uma lixa se tratasse. Aparecem normalmente em zonas como o pescoço, tronco, axilas e região inferior do abdómen. E não se admire se após uma semana a pele atingida começar a descamar porque é normal!

Rubéola está eliminada em Portugal

Graças à vacinação, a rubéola também se considera atualmente eliminada em Portugal. No entanto, esta doença exantemática provocada por um vírus de ARN já deu muito que falar. Antes das campanhas de vacinação surgiam por ano entre 10 milhões a 20 milhões de casos espalhados por todo o mundo que causavam milhares de abortos.

E embora nas crianças se trate de uma doença benigna – passa sem tratamento – caracterizada por febre, aparecimento de manchas vermelhas no tronco e gânglios palpáveis na região posterior da cabeça, nas grávidas a conversa é outra. Sim, a rubéola, sobretudo no primeiro trimestre de gestação, está diretamente relacionada com malformações graves ou até mesmo com a morte do feto.

Mas como se transmite? Pelo ar ou pela saliva. Quando uma pessoa infetada tosse ou espirra liberta micropartículas com o vírus da rubéola e que desta forma vão contaminar quem estiver por perto. A chamada fase de contágio situa-se entre a semana antes e a semana após o aparecimento da erupção cutânea.

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