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No mundo das startups, os unicórnios existem

15 Fevereiro, 2017

São jovens empresas com tanto potencial que em pouco tempo passaram a valer mais de mil milhões de dólares. Pronto para conhecer alguns unicórnios do século XXI? Um deles até fala português.


O que significa ser uma startup unicórnio?

No mundo do empreendedorismo e dos negócios é comum associar o nome de animais e figuras mitológicas às chamadas startups. Um exemplo disso são os unicórnios: empresas que em pouco tempo conseguem apresentar um potencial de crescimento elevado e estão avaliadas em mais de mil milhões de dólares. E tal qual como acontece com os unicórnios não se vêem muitas por aí!

Uber: um unicórnio que vale 68 mil milhões

Hoje a Uber realiza mais de 3 milhões de viagens por dia, estende-se a mais de 350 cidades, espalhadas por 67 países em todo o mundo – Portugal está na lista – e vale 68 mil milhões de dólares! Mas recuemos até 2008 para perceber como começou esta viagem de sucesso: dois dos fundadores, Travis Kalanick e Garrett Camp, não conseguiam apanhar um táxi por nada deste mundo, durante uma tarde de neve em Paris. O que decidiram fazer? Criar uma aplicação gratuita para smartphone para que tal não voltasse a acontecer.

O projeto ganhou pernas para andar na cidade de São Francisco, dois anos depois: para viajar basta abrir a aplicação, confirmar o local onde quer iniciar a sua viagem e em poucos minutos o motorista vai apanhá-lo. Mas não só. A Uber revolucionou o serviço de transportes porque permite observar o motorista a chegar até si em tempo real, avaliá-lo, saber à partida quanto vai pagar e nem precisa de preocupar-se com o dinheiro – o pagamento é feito de forma automática através do cartão de pagamento registado na aplicação. Além disso, possibilita dividir o custo de viagem com alguém que tenha o mesmo percurso através da funcionalidade UberPOOL!

Ao longo dos anos a Uber tem formado parcerias valiosas e fechado várias rondas de financiamento junto de investidores de peso como a Toyota ou a Google – que investiu 258 milhões de dólares no negócio – e até chamou a atenção do bilionário russo Mikhail Fridman. O que se segue? Como parar é morrer, a Uber lançou mais recentemente um serviço de entrega de comida ao domicílio, a UberEATS.

Airbnb: nascida para ajudar a pagar a renda

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A história do Airbnb também começa curiosamente em São Francisco. Brian Chesky e Joe Gebbia, os fundadores, tinham um problema entre mãos em 2007: não conseguiam pagar a renda. Assim, uniram esforços e transformam parte do seu loft numa espécie de alojamento local. Para tal bastou um site simples, três colchões de ar e a promessa de pequeno-almoço incluído.

Os três primeiros clientes não tardaram em chegar – dois rapazes e uma rapariga – e foi cobrado a cada um deles 80 dólares. Para os jovens empreendedores a oportunidade do negócio estava à vista, mas o percurso rumo ao estatuto de unicórnio não foi fácil.

Teriam de esperar pelo financiamento inicial da Y Combinator para provar que havia potencial e arrancar em força com a Airbnb, em 2009. Mais tarde surgiram outros investidores como a Greylock Partners, a Sequoia Capital e Ashton Kutcher. Para aumentar lucros, decidem ainda implementar uma taxa de aluguer que visava cobrar uma pequena percentagem ao proprietário e uma percentagem maior ao arrendatário.

Mas ainda faltava algo. Acabam por perceber que os alojamentos com boas fotografias são mais requisitados e disponibilizam um programa que permite aos proprietários reservar um profissional para o efeito. Em menos de nada, a startup cresce 800%! Hoje está presente em mais de 34 mil cidades, tem mais de 2 milhões de anúncios em todo o mundo, ultrapassou a meta dos 60 milhões de hóspedes e vale atualmente 30 mil milhões de dólares. Nada mal para quem não conseguia pagar a renda!

Snapchat: a startup “fantasma”

Pode nunca ter ouvido falar do Snapchat, mas saiba que se trata da aplicação de partilha de fotografias e vídeos que se autodestroem ao fim de poucos segundos que fez com que Evan Spiegel, o criador, se tornasse num dos jovens mais ricos do mundo. E prepare-se para o que lhe vamos contar a seguir: com 26 anos tem uma fortuna avaliada em cerca de 4 mil milhões de dólares e como tal integrou, em 2016, a lista America’s Richest Entrepreneurs Under 40 da Forbes.

Evan Spiegel não chegou ao topo sozinho: o jovem milionário, que é hoje o CEO do Snapchat, teve a ajuda de Bobby Murphy e de Reggie Brown. Foi este último que certo dia proferiu as palavras mágicas: “gostava que estas fotos que vou enviar a esta rapariga desaparecessem”. Spiegel percebeu imediatamente que esta era uma ideia para um milhão de dólares e assim nasceu o Snapchat. A aplicação tornou-se tão popular que não tardou a chamar a atenção de grandes investidores.

Mas como é que a aplicação vale hoje 18 mil milhões de dólares? E se lhe disséssemos que o Snapchat foi lançado em 2011 e tem hoje 161 milhões de utilizadores ativos diários em todo o mundo, que amealhou 405 milhões de dólares em receitas em 2016 – um valor quase sete vez superior ao do ano anterior – e que graças aos anúncios cada utilizador rende 1,05 dólares, isto é, 98 cêntimos?

Farfetch: o unicórnio português

O fenómeno dos unicórnios não passou ao lado de Portugal! Em março de 2015, a Farfetch, um e-commerce de produtos de luxo que nasceu em Leça do Balio, conseguiu uma avaliação de mil milhões de dólares, o que a torna a única startup unicórnio portuguesa até à data! O site vende peças de ícones da moda de luxo como Alexander McQueen ou Dolce & Gabbana e fatura mais de 450 milhões, o que o torna líder no seu segmento.

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