Saúde

Síndrome de Asperger: que possibilidades depois do diagnóstico?

9 Fevereiro, 2017

Há 40 mil portugueses com Síndrome de Asperger. Quais são os sintomas desta perturbação do autismo? Tem cura? Que possibilidades existem depois do diagnóstico?


Síndrome de Asperger: os sintomas que dão o alerta

Dificuldades em estabelecer contacto ocular, em entender e expressar emoções, ou descoordenação motora são alguns dos sinais de alerta desta perturbação do espectro do autismo. A Síndrome de Asperger é uma perturbação neurocomportamental de base genética que afeta o desenvolvimento cerebral e que se revela em força a partir dos três anos de idade. As causas ainda hoje não são totalmente compreendidas e, por isso, o diagnóstico tem por base um conjunto de critérios comportamentais.

Falamos nomeadamente de limitações ao nível da socialização, da interação, da fala verbal e não-verbal e do pensamento abstrato. Mas não só. Levar tudo à letra, exibir um sentido de humor apurado, um comportamento repetitivo, hipersensibilidade aos estímulos sensoriais e problemas de autorregulação emocional são outras características que norteiam a avaliação dos especialistas mais indicados para o caso como pediatras do desenvolvimento, neuropediatras e pedopsiquiatras.

O Asperger tem cura?

A síndrome de Asperger não tem cura, no entanto há tratamentos que ajudam os portadores a lidar melhor com algumas dos sintomas e características da doença. Como em muitas outras condições, também no Asperger a intervenção precoce é essencial para melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas. Atuar desde cedo na área das competências sociais, da linguagem e da autonomia funcional, por exemplo, é decisivo para que os portadores possam ser independentes e até ter uma oportunidade no mercado de trabalho.

No entanto, a Ciência não pára e surgem agora novas investigações que podem representar uma nova esperança de tratamento para a síndrome de Asperger. Um estudo internacional coordenado pelo investigador Guoping Feng, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e publicada na revista Nature, revela que é possível manipular o gene Shank3 e reverter os problemas comunicacionais do autismo ao nível neuronal e, consequentemente, melhorar o comportamento e as interações sociais. Segundo a investigação, “os resultados afiguram-se promissores”.

Há 40.000 portugueses com Síndrome de Asperger

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Estima-se que em Portugal haja 40.000 pessoas diagnosticadas com Asperger, no entanto a APSA – Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger admite que este número pode ser ainda mais elevado, se tivermos em conta que muitas vezes o diagnóstico é difícil, tardio ou nem chega a acontecer.

Os portadores de Asperger em Portugal contam com o apoio da APSA que, acima de tudo, pretende trazer ao de cima o seu potencial extraordinário, promover a sua integração na sociedade e a igualdade de oportunidades. A Casa Grande, um projeto da APSA que visa acompanhar jovens com Asperger em programas de Empregabilidade vai nesta linha: Patrícia de Sousa, a diretora técnica, orgulha-se de ter atualmente acordos com entidades como a REN, a Quinta d’Avó, o Arquivo de Lisboa, a Accenture e manter contactos com a Microsoft Portugal.

Outra das tarefas que a APSA tem entre mãos passa por sensibilizar os demais para a doença, porque o Asperger, visto por quem está de fora, pode ser difícil de aceitar. Um trabalho de extrema importância neste contexto, já que a incompreensão leva ao isolamento dos portadores e inclusive ao abandono escolar durante a adolescência. É neste sentido também que todos os anos, a 18 de fevereiro, se celebra o Dia Internacional da Síndrome de Asperger.

Famosos com Asperger, a síndrome dos grandes génios

Apesar de todas as condicionantes, há portadores de Asperger que se têm revelado verdadeiros diamantes em bruto em áreas de interesse específico como a tecnologia, a ciência, a matemática ou as artes. Um exemplo disto é Bill Gates, um dos homens mais ricos do mundo. Se reparar bem, o comportamento do fundador da Microsoft, inventor do Windows e atual filantropo denuncia-o: balança-se mecanicamente para trás e para a frente nas cadeiras, evita o contacto visual e é conhecido por ter poucas habilidades sociais.

Einstein, segundo consta, foi outro dos famosos portadores de Asperger. O físico que revolucionou o mundo com a sua Teoria da Relatividade só começou a falar aos quatro anos, isolava-se muito e tinha bastantes dificuldades em reter informações. No entanto, tudo mudou quando começou a nutrir um grande amor pela álgebra: tornou-se um génio, vivia para os estudos – a tal ponto que se esquecia do mundo à sua volta – e poucos conseguiam acompanhar o seu ritmo de pensamento, algo que o deixava impaciente.

A história de Isaac Newton não é muito diferente. Conhecido pelos acessos de mau-humor e pela extraordinária dificuldade em relacionar-se com os outros, o físico e matemático inglês apresentava muitas das características dos portadores de Síndrome de Asperger. Características essas que, apesar de o terem tornado uma pessoa distante e pouco afetuosa, parecem tê-lo ajudado a tornar-se um cientista brilhante: com apenas 23 anos já tinha desvendado a Teoria da Gravidade, graças a uma dedicação quase obsessiva aos seus estudos!

Fora das Ciências exatas também encontramos alguns portadores de Asperger famosos. Vincent Van Gogh é um bom exemplo. As variações de humor do pintor estão bem documentadas e revelam um homem incapaz de socializar e com comportamentos excêntricos e bizarros, que preferia focar-se em absoluto na sua arte. Além disso, diz-se que tinha dificuldades em falar fluentemente e que nunca conseguiu adaptar-se ao meio escolar em criança.

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