Cultura e lazer

Aldeias históricas: um roteiro de tradições

8 Fevereiro, 2017

Não há nada como começar o ano a viajar por aquilo que temos de mais típico! Siga o nosso roteiro e parta à descoberta das mais bonitas aldeias históricas de Portugal.


Monsanto: a aldeia mais portuguesa de Portugal

O título remonta ao ano de 1938 mas ainda hoje parece fazer todo o sentido quando contemplamos pela primeira vez esta aldeia histórica vestida de pedra granítica que irrompe no vale do concelho de Idanha-a-Nova. Para quem não conhece, Monsanto foi magistralmente construída entre penhascos e nem por isso agride a paisagem envolvente. Aliás, esta característica torna-a um tanto mágica. E é no seu ponto mais alto, precisamente a 758 metros de altura, e na parte mais antiga, que encontra um dos seus maiores tesouros: a torre de menagem construída pelos templários.

À aventura, pare obrigatoriamente na Torre do Relógio, na Porta do Espírito Santo, na Igreja da Misericórdia, na Casa de Fernando Namora, no Cruzeiro de São Salvador, na Capela de Santo António, no Castelo e em todas as muralhas. A originalidade de Monsanto promete não deixar ninguém indiferente à sua passagem e talvez por isso ande literalmente nas bocas do mundo. A Associação de Agências de Viagem do Japão diz com todas as letras que esta é uma das aldeias mais bonita da Europa – e a única portuguesa da lista! A “extraordinária beleza, história e riqueza cultural da localidade” falam por si.

Piódão: um presépio de casas de xisto

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Consegue imaginar um lugar na Terra que permanece escondido entre os socalcos e a paisagem inigualável, pura e verdejante da Serra do Açor? É assim o Piódão, uma aldeia histórica que tem como imagem de marca as suas casas de xisto com portas e janelas em madeira pintadas de azul. Sabe porque é que é conhecida como “aldeia presépio”? Devido à forma como as habitações descem graciosamente a serra íngreme como se de um anfiteatro se tratasse!

É por todas estas razões e mais algumas que o Piódão é uma das aldeias mais bonitas do país. Não deixe de visitar, por entre as ruelas estreitas que escondem um pedaço de história, a Igreja Matriz com o altar-mor em talha dourada, a Fonte dos Algares – construída totalmente em xisto -, a Capela de São Pedro e sobretudo o Núcleo Museológico do Piódão. O museu conta com uma exposição permanente com artefactos e obras de arte que lhe permitirão viajar no tempo e reviver o modo antigo das gentes da aldeia.

Sortelha: a aldeia que parou no tempo

A 760 metros de altitude, no concelho do Sabugal, ergue-se a aldeia histórica de Sortelha. Aceite o desafio e suba às muralhas em granito que rodeiam a zona histórica, dê um passeio pelas ruas e vielas, pelo castelo do século XIII, pelas sepulturas medievais, pelo pelourinho manuelino e ainda pela igreja renascentista.

Por incrível que pareça, pouco mudou em Sortelha desde há 500 anos atrás: a arquitetura, fisionomia e a traça desta que é uma das aldeias mais antigas de Portugal mantém-se inalterada até hoje, permitindo-lhe recuar séculos no tempo. E quer saber uma curiosidade? Os seus habitantes são conhecidos como “lagartixos” pela forma como as casas estão expostas ao sol!

Belmonte: o berço de Pedro Álvares Cabral

A vila histórica de Belmonte – ou “Belo Monte” – não recebeu este nome por acaso. Situada no alto da Cova da Beira, a terra natal de Pedro Álvares Cabral oferece a quem a visita uma vista imperdível sobre a Serra da Estrela.

No fim de contas, trata-se de uma terra de sol, de boas gentes, quilómetros e quilómetros de paisagens e séculos de história. Este é o lugar onde se fixou a primeira comunidade judaica do país e a que muitos outros chamaram de casa após terem sido expulsos de Espanha pelos Reis Católicos. Assim, um ponto de visita obrigatória é sem dúvida o Museu Judaico – o primeiro do género em Portugal – e recomendamos também uma ida ao Castelo, ao Museu do Azeite, dos Descobrimentos, ao Pelourinho e ao Ecomuseu do Zêzere.

Castelo Rodrigo: palco de batalhas de outros tempos

Reza a lenda que a aldeia de Castelo Rodrigo foi fundada por Afonso IX de Leão com o objetivo de a entregar nas mãos do Conde Rodrigo Gonzalez de Girón – o que explica a origem do nome. No entanto, o Tratado de Alcanizes trocou-lhe as voltas: Castelo Rodrigo passou a fazer parte da coroa portuguesa depois da assinatura de D. Dinis no século XIII. Por esta razão, a aldeia ainda hoje conserva as marcas de batalhas que se travaram entre portugueses e castelhanos, o que de certa forma lhe confere um certo encanto.

Situada no topo de uma colina, esta aldeia do distrito da Guarda conferirá às suas férias o melhor dos dois mundos: lazer e cultura. Além de deter importantes referências à época medieval, conta com monumentos de grande valor histórico como as velhas muralhas, o castelo, as ruínas do palácio de Cristóvão de Moura, o Pelourinho quinhentista, a igreja matriz, a cisterna medieval e o padrão da restauração que imortaliza momentos da história portuguesa.

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