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Quem inventou o telefone afinal?

7 Fevereiro, 2017

Durante anos acreditou-se que teria sido Alexander Graham Bell, mas tudo mudou em 2002 quando se provou que, afinal, alguém tinha inventado o telefone anos antes. E esta não é a única história do género.


Um problema de timing

Na história da descoberta do telefone pode dizer-se que houve mesmo um problema de timing. Sim, em 1876 Alexander Bell patenteou este aparelho inovador, mas… seria o único a trabalhar nessa descoberta? Nem por isso. No fundo, a invenção do telefone era uma extensão óbvia do telégrafo e, tal como Bell, outros inventores estavam interessados no mesmo. Philip Reis, por exemplo, já tinha projetado um transmissor de som em 1860 e Hermann Ludwig Ferdinand von Helmholtz, construiu mesmo um recetor. E até Thomas Edison estava na corrida à invenção do século.

O que Bell estava longe de saber é que anos antes de ter registado a sua patente, já alguém tinha conseguido o mesmo. Estávamos em 1849 quando o italiano Antonio Meucci – que estava em Cuba na altura – experimentou pela primeira vez a transmissão de voz através da corrente elétrica! O inventor deslocou-se então aos Estados Unidos para aprimorar o seu protótipo – o telettrofono – mas como estava falido nunca chegou a oficializar o pedido da patente.

Entretanto a notícia de que Graham Bell se tinha registado como o único autor do telefone chegou aos ouvidos de Antonio Meucci. O italiano não tardou em arregaçar as mangas, a levar o caso à justiça e a lutar até ao último fôlego durante um processo que não tinha um fim à vista. Morreria sem saber que, passados mais de 100 anos, seria finalmente reconhecido como o verdadeiro inventor do telefone pela mão da resolução nº 269 do Congresso dos Estados Unidos, em 2002. Porque a justiça tarda mas não falha!

Bell vs Meucci: a mesma invenção, homens tão diferentes

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Quem eram afinal estes dois homens e ávidos inventores? Graham Bell, que ficará para sempre associado à invenção do telefone nasceu britânico em 1847 e morreu como americano aos 75 anos. A sua família já dava cartas na área da elocução muito antes deste nascer e o inventor seguir-lhes-ia as pisadas. No entanto, aos 23 anos virou a sua atenção para o telefone. Seguiu-se a invenção do photophone, técnicas para oralizar o discurso dos surdos e o amor por Mabel Hubbard, com quem casou em 1877. Ao todo existem 18 patentes como o nome de Bell que, além de fama, lhe trouxeram uma grande fortuna.

A história de vida de Antonio Meucci é bastante mais conturbada. O italiano nasceu 39 anos antes de Bell em Florença e morreria em 1889. Sabe-se que estudou na Academia de Belas Artes e trabalhou como técnico de cenários no Teatro della Pergola, onde conheceu a mulher, Ester Mochi. Mais tarde acabou por estudar engenharia, mas a sua vida sofreria um revés: foi preso entre 1833-1834 por estar relacionado com um movimento de libertação italiano. A instabilidade política levou-o, e à mulher, a emigrar para os Estados Unidos onde terminariam os seus dias.

E onde fica o telefone nesta história toda? Dizem que Meucci o construiu para conseguir comunicar entre o seu escritório e o quarto, uma vez que a sua esposa sofria de reumatismo!

Edison afinal não inventou a lâmpada!

Pelos vistos, Alexander Graham Bell não foi o único a patentear ou a reclamar os direitos de uma invenção erradamente. De acordo com o trabalho do professor Mark A. Lemley The Myth of the Sole Inventor, também a invenção da lâmpada gerou controvérsia. Apesar de Thomas Edison ser apontado muitas vezes como o inventor da lâmpada, a verdade é que a iluminação elétrica já existia antes dele e as lâmpadas incandescentes também. Então o que descobriu Edison afinal? Que uma espécie de bambu produzia luz de uma forma mais eficiente! Assim, não tardou em comercializar a sua descoberta e a tornar-se incrivelmente rico às suas custas, mesmo que uma geração bastasse para mais e melhores invenções surgissem nesta área.

E não se sabe ao certo quem inventou o telégrafo…

A verdade é que as invenções – mesmo as mais revolucionárias – dificilmente nascem de momentos “Eureka!”. Habituámo-nos a fantasiar os inventores, sozinhos no laboratório, a ter as suas “ideias luminosas”, mas nada podia fugir mais à realidade. Segundo o professor Lemley, a História mostra que “a inovação resulta da invenção simultânea e do aperfeiçoamento constante” e que o “inventor solitário” não passa de um mito.

E o telégrafo, à semelhança do que aconteceu com a lâmpada, também teve um pai incerto. Reza a história que Morse estava a jantar com os seus amigos e a deitar conversa fora sobre o eletromagnetismo quando percebeu que se um sinal elétrico pode viajar instantaneamente através de um fio, a informação também pode! Se há aqui algum fundo de verdade não se sabe, mas Lemley assegura com toda a certeza que não foi Morse sozinho que teve a ideia do telégrafo mas sim um grupo de inventores: Morse, Charles Wheatstone, William Fothergill Cooke, Edward Davy e Carl August von Steinhiel.

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