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Distribuição da Riqueza: quais são os países onde há menos diferenças de rendimento?

31 Janeiro, 2017

Uma distribuição equilibrada da riqueza criada ajuda a economia a crescer. Como é que Portugal, a Europa e o resto do Mundo têm distribuído a riqueza criada?


Portugal: As diferenças de rendimento entre os portugueses ainda são elevadas

Distribuição equilibrada do rendimento não significa que todos ganham o mesmo. Há e haverá sempre diferenças de rendimento entre as pessoas que vivem num determinado país. A questão fundamental está mais na dimensão dessas diferenças.

Quando estas diferenças são elevadas, em termos de distribuição dos ganhos resultantes da produção de bens e serviços (rendimento), então a economia começa a perder potencial de crescimento. Os estudos económicos apontam nesse sentido.

Em Portugal as diferenças de rendimento entre as pessoas são tradicionalmente elevadas. Damos conta disso analisando a evolução do principal indicador (índice de Gini) que mede a capacidade que uma economia tem em termos da distribuição do rendimento por si produzido.

O índice de Gini é representado em percentagem e visa sintetizar num único valor a assimetria na distribuição do rendimento, assumindo valores entre 0% (quando todos os indivíduos têm igual rendimento) e 100% (quando todo o rendimento se concentra num único indivíduo). Quanto mais próximo o índice estiver de 0%, menores são as diferenças de rendimento entre as pessoas. Ao invés, quanto mais o índice se aproximar de 100%, maiores são as desigualdades de rendimento entre as pessoas.

Da análise dos dados de Portugal entre 2004 e 2015 podemos rapidamente concluir que existem 2 fases:

  • Entre 2004 e 2009, em que a economia portuguesa conseguiu diminuir as diferenças de rendimento entre as pessoas.
  • No período 2004-2015, em que a capacidade distributiva da economia portuguesa estagnou.

Europa – Os líderes vêm da Escandinávia

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No Top10 das economias que apresentam uma distribuição mais equilibrada do rendimento estão os seguintes países: Eslovénia, Noruega, Eslováquia, República Checa, Islândia, Finlândia, Suécia, Roménia, Bélgica e Holanda.

Todos estes países revelam-se equilibrados na distribuição dos ganhos resultantes da atividade produtiva, mas há também diferenças entre eles. Podemos identificar claramente 2 tendências: uma que engloba os países escandinavos e os países baixos e outra tendência que abrange os países “ex-socialistas”.

Nos países escandinavos e nos países baixos o rendimento médio distribuído por cada indivíduo é alto, ou seja, as pessoas “ganham” bem, o que facilita ainda mais o crescimento económico sustentado. Nos países “ex-socialistas” o PIB criado é mais baixo, há menos para “dividir” e, por isso, ganha-se menos, o que pode ser um entrave ao crescimento económico.

Os países escandinavos, em termos de distribuição de riqueza pelas pessoas, são um exemplo interessante, porque as suas economias não só conseguem gerar rendimento como conseguem distribui-lo bem pela população, o que permite um crescimento económico sustentado ao longo do tempo.

Será que Portugal conseguirá com o tempo aproximar-se desta dinâmica virtuosa? Não é fácil mas também é um facto que já estivemos mais longe.

Mundo – A liderança está na Europa

De acordo com os últimos dados disponíveis, conclui-se que os países europeus são aqueles que apresentam menos desigualdades em termos de distribuição do rendimento gerado pelas suas economias. O Top 10 é constituído maioritariamente por economias europeias. Os escandinavos reforçam a sua posição de liderança, ou seja, não há grandes diferenças de rendimento entre os escandinavos acrescendo o facto de que em média “ganham” bem per capita.

No respeitante às economias mais fortes do mundo, em termos de PIB, constata-se que a riqueza produzida no Japão e na Alemanha é distribuída de forma bem mais equilibrada pelas pessoas do que nos EUA e na China. Relativamente à Alemanha e ao Japão, os EUA e a China são 35% mais desiguais.

O Brasil é um exemplo notório de uma economia com uma enorme capacidade produtiva mas que apresenta uma forte desigualdade na distribuição dos ganhos pela população. Em 154 países, o Brasil é o 142º país onde as diferenças de rendimento são maiores.

A Ciência Económica e a distribuição da riqueza

Não há muito tempo defendia-se que bastava haver um aumento do rendimento das pessoas mais ricas para a economia crescer. Esse aumento de riqueza transbordaria, mais tarde ou mais cedo, para as pessoas mais pobres e isso traduzir-se-ia em crescimento económico. Seria apenas uma questão de tempo. Mas esta ideia está a ser colocada cada vez mais em causa.

Atualmente a ciência económica está convencida de que uma economia tem mais potencial de crescimento se o rendimento por si criado for distribuído de forma equilibrada pela sua população. Estudos recentes efetuados pelo FMI e pela OCDE apontam também nessa direção.


*Apenas os dados relativos à Alemanha (2011), à Roménia (2013) e à Polónia (2014) não são de 2012.

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