Saúde

Quais os efeitos do açúcar no cérebro?

6 Janeiro, 2017

Diz a Ciência que o açúcar não só é essencial ao funcionamento do cérebro como nos faz mais felizes. Mas atenção: em excesso é o seu inimigo número um.


O açúcar é um combustível fundamental

Sabia que pensar, aprender e memorizar são tarefas que estão diretamente relacionadas com os níveis de glicose e com a forma como o cérebro consegue gerir esta importante fonte de energia? Em caso de escassez de açúcar ou jejum prolongado, os neurotransmissores – os mensageiros químicos do cérebro – deixam de se produzir e as comunicações entre os neurónios simplesmente falham.

Quando se atinge um estado de hipoglicemia, caracterizado pela baixa taxa de glicose no sangue, a atividade cerebral fica ainda mais comprometida. A tal ponto que pode dar origem a faltas de atenção ou a problemas ao nível da função cognitiva – desorientação, confusão, dificuldades em falar -, explica o Harvard Mahoney Neuroscience Institute. Cinco minutos sem qualquer rasto de glicose no organismo bastam para pôr a nossa vida em risco.

O que é o açúcar?

Food for thoughtOs açúcares estão presentes em muitos alimentos de diversas formas. Por exemplo, o açúcar presente nas frutas é a frutose, o açúcar presente no leite é a lactose, o que está presente no açúcar refinado é a sacarose, o que está no arroz tem o nome de amido, entre outros.

Todavia, as células do cérebro (neurónios) não se conseguem “alimentar” diretamente destes açúcares, mas apenas da glicose que esses açúcares contêm. Por exemplo, o açúcar da fruta não possui glicose na sua constituição. Apenas tem frutose, a qual não é útil para o cérebro como fonte de energia. Por outro lado, o arroz, sendo um amido, é composto por várias moléculas de glicose e dessa forma os neurónios já poderão beneficiar de uma garfada de arroz.

Como se produz a glicose?

A viagem começa com uma simples refeição, por exemplo, uma garfada de arroz. Primeiro mastiga-se, transformando o alimento num bolo alimentar, o qual vai passar pelo esófago até se instalar no estômago onde será posteriormente decomposto pelos sucos gástricos. Em seguida, este composto é encaminhado para o intestino delgado, sendo transformado numa massa de nutrientes simples, entre eles a glicose. Nesta fase a glicose é absorvida pelo intestino delgado e transportada pela corrente sanguínea até chegar a partes cruciais do nosso organismo como o tecido adiposo, o fígado, músculos e, como não podia deixar de ser, o seu principal destinatário: o cérebro.

Porque é que comer doces nos faz sentir bem?

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Selection of food high in sugar, copy space

A vontade que sentimos de comer doces não é apenas “gula”. Na verdade, trata-se de uma resposta fisiológica do corpo humano. Quando precisamos rapidamente de energia, o corpo “pede” açúcares (glicose) e o cérebro recompensa-nos por isso. O que acontece é que cada vez que consumimos algo como um chocolate, a libertação do neurotransmissor dopamina aumenta. Este produto químico cerebral – vital na aprendizagem e memória – produz uma sensação de prazer, felicidade e bem-estar.

Por outras palavras, os doces funcionam como um “interruptor” que ativa o sistema de recompensa do cérebro! Aliás, vários neurocientistas americanos documentaram a sua convicção de que os alimentos ricos em açúcares produzem um efeito no cérebro que pode conduzir à sua alteração química, levando a um estado de euforia “high on sugar” e consequentemente à adição – tal qual uma droga.

O excesso de açúcares acelera a degradação do cérebro

Se, por um lado, a correta introdução dos açúcares na nossa dieta diária pode ser benéfica ao nível da saúde mental, por outro, a sua presença em excesso pode tornar-se um problema sério.
São cada vez mais as investigações que relacionam o excesso de açúcares com o desenvolvimento de doenças como o Alzheimer ou outros problemas do foro neurológico. Uma correlação que se torna especialmente evidente em doentes com diabetes tipo I e tipo II.

Porquê? Os elevados níveis de glicose no sangue afetam as conexões funcionais cerebrais – responsáveis por ligar as diferentes regiões do cérebro que partilham propriedades funcionais – e a matéria cerebral. Isto pode levar a que o cérebro encolha ou atrofie e, em casos mais severos, ao surgimento de problemas cognitivos e demências.

Perante este cenário, não é de admirar que a Organização Mundial de Saúde esteja a fazer marcação cerrada ao consumo de açúcares, sobretudo nas camadas mais jovens. Em Portugal, o consumo de açúcares por parte das crianças aproxima-se dos 25% da energia ingerida diariamente, ou seja, cinco vezes acima dos 5% recomendados.


Nota: Não confundir açúcares com o açúcar comum refinado. Os açúcares são nutrientes presentes em muitos alimentos de diversas formas. O açúcar refinado é apenas uma das formas de açúcar (sacarose). Por exemplo, o açúcar presente nas frutas é a frutose, o açúcar presente no leite é a lactose, o que está no arroz tem o nome de amido, entre outros. Quando a OMS recomenda um consumo para as crianças de 5% de açúcares (relativamente à energia ingerida diariamente), isso não significa uma dieta alimentar com 5% de açúcar refinado mas sim de 5% de açúcares, os quais estão presentes em vários alimentos.

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