Saúde

Pneumonia: o que é e como podemos preveni-la?

7 Dezembro, 2016

Todos os dias morrem 16 pessoas em Portugal com pneumonia. Mais mortal do que um acidente rodoviário, esta é uma das doenças que “mais vale prevenir do que remediar”.


O que é a Pneumonia?

Grosso modo, a pneumonia pode ser definida como uma infeção que ataca de forma leve, severa ou mortal um ou os dois pulmões. Mais especificamente, esta doença respiratória afeta diretamente os pequenos sacos de ar – os chamados alvéolos – e os tecidos circundantes, impedindo que o sistema respiratório faça as trocas gasosas essenciais à vida

Os principais sintomas

Quando o muco e o pus se começam a formar e a acumular nos pulmões (alvéolos e bronquíolos) já não há volta a dar. As trocas gasosas essenciais à manutenção da vida ficam comprometidas e respirar torna-se tão duro como escalar o Monte Evereste. Não é por acaso que durante a infeção, e à medida que os dias vão passando, a pessoa se vai sentido cada vez pior: falta de ar, arrepios de frio, tosse com expetoração, febre, dor de cabeça, dores torácicas e musculares são os principais sintomas da pneumonia.

A culpa é das bactérias!

Pneumonia infection medical concept as human lungs infected by virus and bacteria as a lung disease diagnosis with 3D illustration elements.

Mas o que está por detrás da pneumonia? Micro-organismos como vírus, bactérias, parasitas ou até mesmo fungos são os grandes responsáveis.

E nem é preciso muito. Surpreendentemente, uma pneumonia pode ocorrer quando estamos simplesmente a respirar! Sim, quando inalamos algo errado como um micro-organismo indesejado, este pode chegar até aos nossos pulmões e dar origem à doença. Na maioria dos casos, o inimigo a abater é uma bactéria designada por pneumococo.

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No entanto, a pneumonia pode ter outras origens. Como a nossa boca é habitada por milhares e milhares de bactérias que proliferam rapidamente, sem darmos conta estas podem ser aspiradas até aos pulmões e contribuir também para o desenvolvimento desta doença. Por outro lado – embora seja pouco comum – uma infeção provocada por um micro-organismo noutra parte do nosso corpo pode percorrer a corrente sanguínea e chegar a um novo destino como os pulmões.

Morrem 16 pessoas por dia com pneumonia

Em Portugal, a pneumonia é entendida como uma doença grave. Mas quão grave? E se lhe disséssemos que no nosso país morrem 16 pessoas por dia com pneumonia? Um número que não pára de aumentar de ano para ano. Responsável por mais de 42 mil internamentos anualmente, esta doença respiratória mata sete vezes mais do que um acidente de carro e 135 vezes mais que uma gripe.

Determinados grupos de risco têm maior probabilidade de contrair pneumonia sobretudo as pessoas que apresentam quadros clínicos de alcoolismo, tabagismo, diabetes, insuficiência cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Além disso, crianças, idosos ou pessoas com um sistema imunitário enfraquecido devido ao uso de determinados fármacos – como os utilizados no tratamento do cancro ou na prevenção de rejeição de um transplante de órgão – também são “alvos fáceis”.

Uma vez diagnosticada a doença – através de uma radiografia ao tórax – há que partir para o tratamento. Normalmente é aqui que os antibióticos entram ao seu serviço: o fármaco administrado vai variar de acordo com a gravidade da doença, a idade da pessoa em causa, os sintomas apresentados, outra medicação que esteja a ser tomada ou em função da intolerância a um determinado antibiótico. Nos casos mais graves, o procedimento médico pode ser também reforçado com a administração de oxigénio, líquidos endovenosos ou ventilação mecânica.

Sabia que existe uma vacina?

Em Portugal são comercializados atualmente dois tipos de vacinas contra os pneumococos, as principais bactérias que estão na origem das pneumonias. A Prevenar visa crianças entre os 6 meses e os cinco anos de idade e oferece proteção contra sete tipos diferentes de pneumococos. Já a Pneumo23, mais indicada para crianças com mais de dois anos e adultos, tem uma barreira de defesa superior: consegue travar uma boa luta frente a 23 pneumococos distintos.

Como? Estas vacinas ensinam as células responsáveis pelas defesas naturais do nosso organismo a defenderem-se. Desde a primeira toma que as nossas células assumem os elementos contidos na vacina antipneumónica como estranhos e criam como resposta os chamados anticorpos,Isto significa que num próximo ataque já estamos preparados internamente para desarmar este tipo de bactérias e evitar a doença. E o mais importante não pode ficar por perguntar: a vacinação é ou não eficaz? Podemos dizer-lhe que esta vacina oferece uma proteção na ordem dos 80%, durante um prazo máximo de cinco anos.

A Prevenar já integra o Programa Nacional de Vacinação e, como tal, todas as crianças nascidas a partir de 1 de janeiro de 2015 têm acesso à vacina sem qualquer tipo de custo. O mesmo acontece no caso dos adultos com doenças crónicas de alto risco, diagnosticados com cancro do pulmão, portadores de VIH, ou que sofrem de doenças pulmonares obstrutivas. Não pertencendo a nenhum destes grupos, pode-se adquirir a vacina numa farmácia, com uma comparticipação de 15%.

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