Radar económico

Quais são os países com melhores Balanças Comerciais?

8 Novembro, 2016

Economias fortes têm normalmente balanças comerciais positivas. Quais são os países mais superavitários, isto é, que exportam mais do que importam?


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Nenhum país é totalmente auto-suficiente

Nenhuma economia é capaz de produzir tudo o que a sua população necessita, tendo por isso que importar alguns produtos e serviços ao estrangeiro.

Todavia, há economias que são mais autónomas do que outras. As economias mais fortes e maduras são mais capazes, por si só, de satisfazer as necessidades das suas populações.

O saldo da Balança Comercial (Exportações-Importações) é um dos principais indicadores que nos permite entender o grau de autonomia de uma determinada economia.

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Quando as exportações são superiores às importações, o saldo da balança comercial é positivo, ou seja, o país em causa está numa posição de maior independência relativamente ao estrangeiro (superavit comercial). Por outro lado, quando este indicador dá um valor negativo então essa economia importa mais do que exporta, o que a coloca numa situação de maior dependência relativamente ao estrangeiro (défice comercial).

À luz deste indicador, quais são as economias mais autónomas ou superavitárias?  E já agora, como é Portugal a este nível? Mais autónomo (superavitário) ou mais dependente (deficitário)?

Europa: uma locomotiva liderada pelos alemães

No seu todo, a Europa a 28 países constitui um bloco económico superavitário, o que reforça a ideia de que o resto do mundo ainda depende muito dos produtos e serviços produzidos no velho continente.

No Top10 das economias mais superavitárias da Europa encontramos alguns velhos conhecidos como a Alemanha, a Holanda, a Itália e a Suécia. Mas também surgem surpresas como a Irlanda ou até mesmo a Espanha.

No entanto, aquilo que é assinalável é o facto da economia alemã ter um superavit comercial que representa cerca de 50% do superavit da Europa a 28 países, o que confere à Alemanha um grau de autonomia económica muito elevado. Por outras palavras, todos nós precisamos muito dos produtos e serviços alemães para mantermos uma boa qualidade de vida.

Mundo: um campeonato a dois mas não só

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Os superavits alemão e chinês não deixam dúvidas de que o resto do mundo se “alimenta” de produtos e serviços produzidos com origem nestas duas economias. O mundo não seria o mesmo se estes dois países tivessem uma quebra produtiva significativa.

O superavit russo também chama a atenção, especialmente porque a sua origem tem que ver com a capacidade da Rússia fornecer energia ao resto do mundo.

A performance da Holanda e da Suíça é também extraordinária, não tanto pelo ano de 2015, mas mais pelo facto de serem repetentes nestes rankings. E não o são por acaso: A competitividade  das suas economias explica muita coisa.

A Tailândia destaca-se também pelo fator surpresa, pois não é habitual encontrar esta economia neste tipo de rankings. Nos últimos dois anos este país diminuiu fortemente as suas importações ao mesmo tempo que as suas exportações cresceram extraordinariamente. Será que esta tendência vem de um aumento sustentado de competitividade ou terá sido apenas resultado de políticas conjunturais de desvalorização cambial?

E Portugal?

HistoricamentePortugal tem sido um país de balanças comerciais negativas. No entanto, a partir de 2012 o nosso país começou a contrariar esta tendência, apresentando desde então saldos positivos.

No ranking dos países superavitários em 2015, Portugal encontra-se em 27º lugar a nível mundial e em 15º lugar na União Europeia a 28 países.

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Para esta reviravolta na balança comercial portuguesa muito contribuíram a estagnação das importações por força da crise e o crescimento extraordinário da exportação de serviços, com o turismo em grande destaque.

Ainda que nos últimos quatro anos Portugal tenha registado um superavit na balança comercial, o nosso país mantém uma relação deficitária com 5 famílias de produtos (máquinas e aparelhos, veículos, combustíveis, produtos agrícolas e produtos químicos). Esta dependência é quase crónica, pois existe desde a década de 50, o que coloca a economia portuguesa numa posição vulnerável.


O Economia à Sua Medida é uma iniciativa do Banco Finantia. Saiba mais.

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