pessoas e histórias

Jogos Olímpicos: os portugueses que vestem Portugal de Ouro

3 Novembro, 2016

A História dos Jogos Olímpicos também se faz em português: Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nelson Évora chegaram ao Ouro para prová-lo.


Carlos Lopes: um ouro tardio

carlos_lopes_2Duas horas, nove minutos e 21 segundos: este foi o tempo recorde que imortalizou o atleta Carlos Lopes na história do desporto. Estávamos precisamente no ano de 1984 quando o português pisou o solo americano com um único objetivo: ganhar o ouro para Portugal. E assim foi. Aos 38 quilómetros da prova, correu como nunca antes e só parou quando conseguiu uma vantagem esmagadora frente aos seus adversários. Pouco depois, e quando tinha a certeza de que já ninguém o poderia deter, ergueu os braços no ar, cruzou a meta e rasgou um sorriso como que a dizer “missão cumprida”.

Carlos Lopes tinha então 37 anos e era o atleta mais velho a vencer uma prova rainha nos Jogos Olímpicos. Mas desengane-se se pensa que esta foi uma vitória fácil. O atleta do Sporting começava a sofrer os reveses da idade, tinha um historial de lesões complicado e, como se não bastasse, dez dias antes tinha sofrido um atropelamento. Nada que o impedisse de viajar para Los Angeles. Depois de ter ganho a prata nos 10 mil metros em Montreal, oito anos antes – só foi ultrapassado na reta final pelo “finlandês voador” Lasse Viren – esta poderia bem ser a sua última oportunidade, por isso agarrou-a com tudo o que tinha! E por mais incrível que pareça, levaria mais de 20 anos até que este recorde fosse quebrado, em 2008.

Mulheres no pódio: o quebrar de um tabu

rosa_motaEm 1988, passados quatro anos, o feito repetir-se-ia, mas desta vez pela mão de uma mulher: Rosa Mota. A própria disse uma vez que foram “os deuses que a escolheram para maratonista”, no entanto, a segunda subida de Portugal ao lugar mais alto do pódio teve por detrás muito mais do que apenas um dedo divino: a atleta do Porto liderou a corrida no quilómetro 39 e não deixou que mais ninguém a apanhasse na maratona de Seul, na Coreia do Sul. Além desta medalha de ouro, ao todo Rosa Mota venceu 14 das 21 maratonas que disputou, conquistou uma medalha de bronze e vários prémios mundiais e europeus.

Mas o contributo de Rosa Mota para o desporto nacional não se resumiu a títulos. A atleta ajudou a quebrar tabus e a dar às mulheres o espaço que mereciam no mundo desportivo, ao participar naquela que seria a primeira maratona oficialmente aberta às mulheres, nos Campeonatos da Europa de 1982, em Atenas.

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fernanda_ribeiroEsta primeira competição feminina oficial organizada pela Federação Internacional de Atletismo contava com 27 atletas mulheres de 17 países diferentes e serviu para provar que as mulheres não eram tão frágeis como se fazia crer e que poderiam correr uma maratona sem colocar em perigo a sua própria vida.

Se Rosa Mota foi uma pioneira no atletismo feminino português, podemos dizer que Fernanda Ribeiro soube continuar o seu importante legado ao ganhar mais uma medalha de ouro para Portugal, nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Com 27 anos, a atleta travou uma luta renhida pelo ouro com a chinesa Wang Junxia até à última volta.

O mundo estava perante um verdadeiro duelo de titãs entre uma recordista mundial dos 10 mil metros (Junxia) – e uma recordista mundial nos 5 mil metros (Fernanda Ribeiro), quando a nossa Fernanda libertou a última reserva de energia que tinha, correu como se não houvesse amanhã e agarrou o ouro por direito.

Nelson Évora voou – literalmente!

nelson_evoraAssim se pode descrever a passagem de Nelson Évora pelos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. O atleta do Benfica respirou fundo, olhou em frente e durante o triplo salto voou uns fantásticos 17,67 metros. Como? Os amigos, familiares e o seu treinador descrevem-no como um atleta que nunca desiste e cujo sucesso se baseia em trabalho. Já o português, na altura com 24 anos, confessa também ter adotado algumas estratégias mentais: em Pequim assumiu-se logo à partida como favorito, saltou emocionalmente mais controlado e o resultado foi sair da competição com o título de Campeão Olímpico. Além disso, revela que o seu truque passa por atingir um estado de auto-hipnose, ou seja, um elevado nível de concentração que o coloca em “piloto automático” e lhe permite executar na perfeição as ações motoras previamente treinadas.

E lá por ser o ouro mais jovem de Portugal, não é por isso menos dedicado. Nelson Évora tem “fome de saltos” e insiste em viver para a modalidade mesmo depois de todas as lesões que tem enfrentado: teve três lesões e submeteu-se a cinco cirurgias.Desistiu? Nunca. Prova disso são os vários títulos nacionais e internacionais que tem obtido ao longo da sua carreira.

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