Economia Pessoal

Ensino Superior: Como escolher o curso certo?

4 Outubro, 2016

O início de mais um ano letivo traz de volta um dos assuntos determinantes na vida de milhares de jovens: terei escolhido o curso certo? Como posso fazer a escolha certa?


Em que se deve basear a escolha do curso?

São muitos os aspetos que podem contar para a escolha de um curso superior e nem sempre a decisão se resume ao eterno debate “Vocação Vs Saídas Profissionais”.  É crucial que siga uma área que realmente aprecie e esta pode ser a base da sua decisão: pondere os seus gostos, interesses e vocações e a partir daí poderá introduzir outros fatores que o ajudarão a determinar a área de estudos e o curso a seguir.

Analisar detalhadamente o plano curricular e as saídas profissionais que os cursos de interesse possibilitam é o passo seguinte. A taxa de empregabilidade é um fator de extrema importância nos dias de hoje e que muito preocupa pais e filhos. Outros fatores decisivos prendem-se com a reputação da faculdade em questão, aspetos financeiros, entre outros.

Quais as áreas com maior empregabilidade?

ProblemsOs cursos de Medicina continuam a liderar a tabela da empregabilidade, com a taxa mais elevada de toda a panóplia de cursos existentes. A área da saúde, no geral, é uma área de futuro, tendo em conta o envelhecimento da população e o aumento da esperança média de vida. As Engenharias serão também boas apostas, sendo de destacar o caso particular das Tecnologias de Informação, onde se encontra a Engenharia Informática. Os cursos de Gestão apresentam, geralmente, boas taxas de empregabilidade, sendo que essas taxas podem variar significativamente consoante a universidade onde se fez o curso. Vale por isso a pena analisar a taxa de empregabilidade das universidades de gestão.

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Quais as áreas com menor empregabilidade?

No extremo oposto, com as taxas de empregabilidade mais reduzidas, temos as Humanidades e Ciências Sociais, onde encontramos cursos como Letras, História, Sociologia, Serviço Social e Filosofia. É também de salientar cursos em que a procura é muito superior à oferta, como Jornalismo ou Direito, tendo como consequência um enorme número de indivíduos formados nestas áreas que não conseguem encontrar emprego. Engenharia Civil e Arquitetura são alguns dos cursos com mais licenciados inscritos nos centros de emprego do país.

Alguns cursos com taxa de desemprego nula

De acordo com os dados oficiais do Ministério da Educação e Ciência, em Dezembro de 2014, 37 cursos apresentavam uma taxa de desemprego nula. Destacam-se os cursos de Medicina em diversas universidades, Psicologia na Universidade de Aveiro, Matemática na Universidade Nova de Lisboa e na Universidade de Lisboa, Engenharia Informática na Universidade da Madeira, Enfermagem na Escola Superior de Saúde Egas Moniz, Estudos Clássicos, na Universidade de Lisboa, entre outros.

É importante ter em conta que os dados relativos à empregabilidade dos cursos e instituições de ensino nem sempre são conclusivos. De entre os motivos salienta-se, por exemplo, o facto de o número de alunos oscilar bastante entre diferentes cursos, e o facto de nem todos os desempregados estarem inscritos em centros de emprego.

Quais as áreas profissionais a apostar no futuro?

O Fórum Económico Mundial, em conjunto com o Bureau of Labor Statistics, identificou cinco áreas estratégicas que serão boas apostas até 2025, com a tecnologia, claro, a encabeçar a lista. Estima-se, por exemplo, que empregos relacionados com o desenvolvimento de software registarão um aumento de 18.8% até 2025 e as oportunidades de trabalho para analistas de sistemas informáticos crescerão cerca de 20.9% no mesmo período.

Também a área da saúde e do cuidado a terceiros, como vimos, serão áreas com boas oportunidades profissionais nos próximos anos. Por outro lado, o Fórum Económico Mundial identifica uma tendência de crescimento nas áreas dos novos media (um crescimento entre os 6.4% e os 18.6%), da formação e do empreendedorismo, inovação e know-how empresarial.

Alguns estudantes preferem adotar uma estratégia diferente para escolher o curso superior: apostar numa área relativamente nova e/ou de nicho que possa valer-lhes boas saídas profissionais num futuro próximo. É o caso de áreas profissionais em tecnologias como as Smart Cities (relacionado com a otimização da comunicação e da mobilidade nos centros urbanos), Uso de Drones para Fins Domésticos e de Entretenimento, Segurança da Informação, Gestão de Redes sociais e Energias Renováveis.

Ir “contra a corrente” e escolher um curso pouco procurado ou, em alternativa, escolher uma especialização mais concreta pode ser uma opção, já que este tipo de formação menos convencional é, em muitas áreas, bastante valorizado.

E se, ainda assim, não souber mesmo que curso escolher?

Se alguns jovens desde cedo mostram vocação ou interesse por uma área ou profissão específicas, para outros esta decisão pode não ser assim tão simples. Há quem se interesse por demasiadas áreas e não consiga escolher apenas uma, mas há também quem não tenha ainda descoberto aquilo que o entusiasma no mundo profissional.

Por esta razão, são cada vez mais os estudantes do secundário que optam por não ingressar imediatamente no ensino superior e decidem tirar um “ano sabático” para perceberem melhor aquilo que querem fazer a seguir. Este gap year, como é conhecido, pode servir para viajar, conhecer novas culturas ou experimentar trabalhar em diferentes áreas antes de escolher o percurso académico a seguir.

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