Saúde

Running: a moda que lhe faz bem ao corpo e à mente

22 Setembro, 2016

Melhora a forma, o raciocínio, alivia o stress e é anti-depressivo.

Como é que a corrida consegue isto tudo?


A trabalhar para os músculos

Já calçou os ténis, preparou a playlist e a garrafa de água: está pronto para correr. Assim que começa a corrida, todo o organismo acompanha o seu passo: a respiração começa a ficar mais rápida e pesada, o coração pode chegar às 200 batidas por minuto em vez das normais 70 e é bem provável que em poucos minutos comece a transpirar. Sabe porque é que tudo isto acontece?

Quando corremos estamos a trabalhar grande parte dos músculos do nosso corpo – sobretudo os das pernas e coxas -, o que requer energia. É aqui que entra o coração e os pulmões: para fazer chegar aos músculos o oxigénio necessário à produção de mais energia, estes dois órgãos terão de trabalhar a um ritmo mais acelerado.

E porque é que suamos a camisola quando corremos ou praticamos outro tipo de exercício? Trata-se de um mecanismo de arrefecimento natural do nosso corpo: uma boa parte da energia usada pelos músculos para a corrida acaba por ser transformada em calor, que tem de ser dissipado pelo organismo através do suor, para evitar o sobre-aquecimento. Não se esqueceu da garrafa de água, pois não? É precisamente para repor os fluidos perdidos durante o processo de arrefecimento que deve beber bastante água durante as suas corridas!

 Treinar o coração e os pulmões para uma vida longa

Running man focused on heart

São bem conhecidos os grandes benefícios da corrida para a saúde em geral e para o sistema cardiovascular em particular. Vários estudos que apontam para um aumento da esperança média de vida em pessoas que fazem do running um hábito diário. Uma investigação publicada no Journal of the American College of Cardiology concluiu mesmo que quem corre cerca de cinco a dez minutos diários, a um ritmo moderado, pode viver em média mais três anos do que quem não o faz.

Este aumento da esperança de vida está muito ligado à redução significativa do risco de mortalidade por doenças cardiovasculares proporcionada pela corrida ou outros treinos moderados. Segundo o mesmo estudo do colégio americano, o risco de vir a desenvolver doenças do foro cardíaco cai para metade em quem corre cinco minutos por dia.

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O segredo está no treino – e não estamos a falar apenas nos músculos das pernas. Ao correr, estamos a treinar um outro músculo fundamental para o bom funcionamento do nosso organismo: o coração. Se a corrida se tornar um hábito, o coração vai ficando cada vez mais eficiente na sua função de bombear sangue ao organismo. Além disso, quando nos exercitamos são criados novos vasos sanguíneos para ajudar a levar o sangue oxigenado aos músculos, o que ajuda a controlar a pressão arterial e a fortalecer todo o sistema circulatório .

O mesmo acontece com o sistema respiratório: quando corremos o nosso corpo precisa de cerca de 15 vezes mais oxigénio, o que obriga os pulmões a trabalhar mais e mais rápido. Ao correr todos os dias, estamos também a treinar os músculos que rodeiam os pulmões e a aumentar assim a nossa capacidade respiratória. A longo prazo, correr ajuda o nosso sistema respiratório – e com ele todo o organismo – a ser mais eficiente.

Porque é que correr nos faz sentir tão bem?

A responsável é a serotonina, conhecida por ser um neurotransmissor do bem-estar e cuja produção aumenta quando corremos. Esta substância atua ao nível do sistema nervoso parassimpático, relaxa-nos, retarda o ritmo cardíaco, respiratório, influencia positivamente não só o humor, as emoções, o comportamento, o apetite, o trânsito intestinal como a qualidade do sono.

Por outras palavras, o running funciona quase como um medicamento natural. Além de aumentar a concentração de serotonina, este tipo de exercício aeróbico – em que o oxigénio é usado durante a produção de energia do músculo – também estimula a libertação de endorfinas, uma espécie de analgésico natural produzido pelo cérebro. Conhece aquela sensação tranquilizante e de bem-estar que ocorre após a prática de exercício moderado? Pode agradecer às endorfinas. 

Mente sã em corpo são

O running pode tornar-se no seu aliado número um não só na manutenção da saúde física mas também mental. Se, por um lado, este “medicamento alternativo” facilita a perda e o controlo do peso e tem um papel determinante na diminuição do risco de doenças cardiovasculares, por outro lado é uma boa opção no que diz respeito ao tratamento de duas conhecidas patologias do foro psiquiátrico: a depressão e a ansiedade. Isto acontece porque, como vimos, a atividade física reproduz os efeitos dos chamados psicofármacos, ao estimular o aumento dos níveis de serotonina.

Quando estamos a passar por alguma situação de maior stress, o nosso sistema imunitário revela imediatamente alguns sinais de alarme, como frequentes dores de cabeça, problemas digestivos ou distúrbios hormonais. Isto acontece porque o organismo está a produzir em excesso hormonas como o cortisol, que afetam paralelamente o sistema nervoso e endócrino. Para diminuir a produção deste tipo de “hormonas más” basta algo tão simples como dar uma corridinha.

No entanto, lembre-se que começar qualquer tipo de atividade física sem aconselhamento médico acarreta alguns riscos: vários especialistas referem que há cada vez mais pessoas a queixar-se de lesões devido à falta de preparação e ao excesso de exercício. A falta de seguimento médico ou o uso de calçado pouco adequado, entre outros fatores, podem dar origem a problemas como entorses, tendinites ao nível do joelho, pé e anca ou, em alguns casos, à agudização de patologias já existentes.


O Economia à Sua Medida é uma iniciativa do Banco Finantia. Saiba mais.

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