pessoas e histórias

Einstein: quem é o homem que continua a fazer história em 2016?

16 Agosto, 2016

Já mudou o mundo uma vez com a Teoria da Relatividade e em 2016 voltou a fazê-lo: passados 100 anos, descobriu-se que tinha razão e, que de facto, as ondas gravitacionais existem. Mas quem é Albert Einstein?


De “imbecil” a génio

Een serie in opdracht gefotografeerde foto's aan een wand. Een foto van Albert Einstein

Embora conhecido pela sua genialidade, Einstein nasceu numa época que não estava preparado para o compreender a si ou às suas ideias. Recuemos no tempo até 1883, quando Einstein tinha quatro anos: ainda não falava, isolava-se muito e tinha dificuldade em apreender informações, o que fez com que os seus pais começassem a temer que este sofresse de algum tipo de distúrbio e que tivessem mesmo “gerado um imbecil”. À medida que cresceu não se destacou nem pelas boas notas na escola, nem pela assiduidade com que ia às aulas.

Mas tudo mudou quando aos nove anos de idade descobriu a álgebra e a geometria, a sua grande paixão, enquanto frequentava a instituição de ensino Luitpold Gymnasium. Passados apenas três anos, tornou-se um prodígio na matemática, levantando até questões às quais não obtinha resposta por parte dos professores. E, claro, as suas convicções acompanharam o seu intelecto.

Do adeus à terra natal à mais famosa equação do mundo

Nascido e criado no seio de uma família judaica, Einstein decide aos 17 anos, por livre vontade, abandonar a Alemanha natal por não concordar com o regime militarista de então. Quando Hitler chegou ao poder em 1933, o físico decide nunca mais voltar: sabe-se que Albert Einstein, ao longo da sua vida, sempre foi um entusiasta pelos direitos humanos e defendeu a utilização da ciência para fins pacíficos – o Manifesto Russel-Einstein destacava o perigo do uso de armas nucleares aquando da Segunda Guerra Mundial.

É na Suíça que encontra o seu segundo lar e onde decide começar do zero: é aqui que termina os seus estudos na área da Física sob a alçada do Instituto Politécnico de Zurique, com 21 anos. Seguem-se vários artigos académicos publicados, bastante revolucionários, como os que estão na origem da Teoria da Relatividade Especial e Geral.

E não só: a par dos cargos em universidades e instituições que acumulou, desenvolveu a equação mais famosa do mundo – E=mc² – que reduz o processo massa-energia a um só. Recebeu ainda um Nobel da Física pela descoberta do efeito elétrico que foi fundamental no estabelecimento da teoria quântica; explorou a teoria das partículas, o movimento browniano e modelou a estrutura do universo como um todo. Publicou, ao todo, mais de 300 trabalhos científicos, ganhou o estatuto de celebridade internacional e em 1999 foi considerado pela revista TIME a personalidade do século XX.

Em 2016 Einstein revoluciona o mundo… outra vez!

Ler Mais

Afinal, Einstein tinha razão: há 100 anos previu a existência de ondas gravitacionais e este ano um grupo de cientistas conseguiu finalmente prová-lo. A teoria dita que a força gravitacional está em todo o lado e que quando os objetos se movem com gravidade geram ondulações à sua passagem – um efeito que pode ser comparado a algo tão simples como o atirar de uma pedra ao mar. No entanto, a força produzida é tão fraca que se torna impossível de detetar. Até hoje.

Foi preciso reunir os melhores dos melhores para realizar uma experiência que teve lugar em dois sítios ao mesmo tempo, Washigton e Lousiana, para se perceber se não se trataria da oscilação provocada por um sismo, comboio ou camião. Como? Através de um detetor LIGO – um laser de ondas gravitacionais, do qual foi extraído todo o ar, e cuja intensidade alcançava cerca de quatro quilómetros – explica o astrónomo, Martin Rees, ao The Telegraph: “Ao analisar a luz refletida pelos espelhos colocados nas extremidades, é possível detetar pequenas alterações na distância entre os espelhos. Quando uma onda gravitacional passa, a distância entre os espelhos altera-se, aumentando e diminuindo à medida que o espaço expande e contrai”. Esta é talvez a descoberta da década.

Talvez Einstein fosse um homem algo fora do comum. Ele próprio o admitiu quando disse que para resolvermos um problema precisamos de adoptar um enquadramento mental totalmente diferente daquele que deu origem ao próprio problema, agindo de uma forma que aos olhos dos outros nem sequer é lógica. Ou seja, um pouco como um louco faria. Foi com esta mesma atitude que morreu aos 76 anos, nos Estados Unidos, desafiando-se todos os dias e desafiando o mundo a acompanhá-lo. É caso para dizer: nada mal para quem até aos quatros anos não falava.

Ler Menos