Saúde

O que acontece no cérebro de uma pessoa com Alzheimer?

29 Julho, 2016

A cada 24 segundos, um novo caso de Alzheimer na Europa.

Perdas de memória e de raciocínio, confusão e perturbações emocionais são os primeiros sinais. Por que é que tudo isto acontece, afinal?


Envelhecimento das conexões cerebrais

Como qualquer órgão do corpo humano, o cérebro também envelhece. Como consequência desse envelhecimento, podem surgir doenças degenerativas do foro neurológico, como a demência ou o Alzheimer, que afeta uma em cada 80 mulheres com mais de 65 anos em todo o mundo. Nos homens com a mesma idade, a prevalência é de um em cada 60. Já em Portugal, estima-se que cerca de 130 mil pessoas vivam diariamente com este tipo de patologia degenerativa, sem cura e altamente incapacitante.

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Os sintomas da Doença de Alzheimer são bem conhecidos: perdas de memória, de raciocínio, da capacidade de falar, défices de atenção, desorientação espacial e temporal, confusão, alterações comportamentais e ao nível da personalidade, entre outros. Mas o que está por detrás de tudo isto? Ora, esta doença está relacionada com o aparecimento de tranças fibrilhares, placas senis e com a morte global, gradual e irreversível de células cerebrais nervosas. Estes fatores em conjunto impossibilitam a comunicação dentro do cérebro e danificam as conexões existentes. À medida que o Alzheimer vai afetando as várias zonas do cérebro, o doente perde capacidades e funções cognitivas.

Claro que a progressão da doença varia de pessoa para pessoa, no entanto um diagnóstico precoce pode ter um peso relevante na esperança média de vida de um doente, que pode variar entre os sete e os dez anos.

Uma doença, duas variantes

O Alzheimer pode ter uma origem esporádica ou familiar. A Doença de Alzheimer Esporádica é a mais comum: caracteriza-se por um início tardio e pode afetar indivíduos com ou sem qualquer tipo de antecedente familiar. Já a Doença de Alzheimer Familiar, que alcança um número muito reduzido da população, é transmitida de geração em geração de forma hereditária. Isto é, se um dos progenitores for portador do gene associado ao Alzheimer, aumenta para 50% a probabilidade de cada filho vir a herdá-lo e desenvolver a doença, perto dos 40 anos de idade.

A causa? Não há ainda certezas sobre o que pode estar na origem da doença de Alzheimer. Até à data “sofrer um traumatismo craniano severo” é o único denominador associado ao desenvolvimento posterior desta doença degenerativa. Por outro lado, há um grupo de investigadores que afirma que existe uma relação direta entre o gene ApoE14 e o aumento do risco de desenvolver Alzheimer após os 65 anos. Contudo, sabe-se que mais de metade dos portadores deste gene são exceção há regra: estes vivem uma vida plena e longa sem qualquer sinal da doença.

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A doença de Alzheimer é atualmente classificada como incurável, mas os investigadores estão empenhados em realizar novos estudos que possam desmistificar o que está na origem do Alzheimer bem como testar métodos inovadores de prevenção e de tratamento. E embora haja ainda muito por descobrir acerca desta patologia, estão já identificados alguns fatores de risco a ter em conta, tais como a idade, obesidade, diabetes, tabagismo, tensão alta ou baixa, depressão e o nível de escolaridade. Artérias carótidas estreitas ou níveis elevados de homocisteína, um aminoácido produzido no corpo, completam a lista.

Como em tantas outras patologias, prevenir parece ser o melhor remédio também no caso do Alzheimer. Os especialistas acreditam que é possível treinar o cérebro e atrasar o seu envelhecimento, através de pequenos truques e exercícios ao longo da vida: fazer jogos de raciocínio, aprender um novo idioma ou a tocar um instrumento, envolver-se socialmente em atividades como a dança ou a pintura podem ajudar a preservar a saúde do cérebro.

Não há ainda um exame de despiste

Contrariamente ao que se possa pensar, não há qualquer tipo de teste para despistar o Alzheimer num adulto. No entanto, existem procedimentos clínicos que se costumam seguir nestes casos como uma análise detalhada de todo o histórico médico, um exame físico e neurológico extensivo, exame do funcionamento intelectual, avaliação psiquiátrica, avaliação neuropsicológica e até análises ao sangue e à urina. Estes exames – com uma precisão de 90% – não só confirmam a presença da demência como ajudam a excluir outras patologias com sintomas semelhantes.

Após o diagnóstico, a prioridade é estabilizar o funcionamento cognitivo do doente e aliviar alguns dos sintomas secundários, com recurso a medicação, já que não há cura conhecida até à data.

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