Saúde

Sistema Nervoso: Todas as decisões passam por aqui

22 Julho, 2016

Sempre a decidir e a coordenar. Nunca descansa. Assim é o sistema nervoso. Como é que ele consegue fazer tudo isto?


Responsável por quase tudo

Ao mesmo tempo que na nossa cabeça se formam pensamentos, milhões de impulsos dizem-nos para andar, falar, respirar e mil e uma outras ações simultâneas. Já parou para pensar como é que tudo isto acontece? Agradeça ao sistema nervoso, responsável por praticamente tudo o que acontece no seu corpo

Como um jogo de marionetas

O sistema nervoso coordena todas as ações voluntárias e involuntárias do organismo e funciona como uma grande central de sinais que permitem ao corpo atuar como um todo. Quase como se fosse a mão que controla uma marioneta, o sistema nervoso utiliza uma vasta e complexa rede de órgãos, tecidos e terminais nervosos para controlar funções como a respiração, a locomoção e o raciocínio, mas também as memórias, os sentimentos e as sensações.

Toda a informação relacionada com os cinco sentidos – audição, tato, visão, paladar e olfato – é da responsabilidade do sistema nervoso central (SNC), que é composto pelo encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) e a medula espinal.

Illustration of Male nervous system artwork

O cérebro, como não será difícil adivinhar, é o órgão principal de todo o sistema nervoso, uma espécie de CEO do corpo humano, por onde passam todas as grandes decisões.

Para comunicar com todos os órgãos, o SNC tem a ajuda do sistema nervoso periférico (SNP), composto sobretudo por nervos que recebem e emitem informação a todo o organismo. Uma verdadeira rede de comunicações que se encarrega de receber os estímulos internos e externos e “passar a mensagem” aos vários pontos do corpo.

E aquelas funções básicas sobre as quais não temos controlo? Não podemos dizer ao coração para deixar de bater nem impedir que o sistema circulatório transporte sangue e oxigénio… Mas porquê? Não há nada de misterioso aqui. Este tipo de funções básicas está a cargo de um “departamento” específico dentro do SNP: o sistema nervoso autónomo, que nos permite continuar a viver, mesmo quando, por algum motivo, existe algum dano grave no restante sistema nervoso.

A “massa cinzenta” que tudo controla

O cérebro ocupa uma posição central no sistema nervoso e, apesar de ser um órgão pequeno em tamanho (representa apenas 2% da massa total do corpo), recebe cerca de 25% de todo o sangue bombeado pelo coração. Por ser uma estrutura complexa, o cérebro está dividido em duas grandes zonas que coordenam funções diferentes.

No hemisfério esquerdo do cérebro humano estão concentradas as funções relacionadas com o pensamento lógico e a comunicação. Já o hemisfério direito é responsável pelo pensamento criativo e simbólico. E as capacidades de locomoção, de que lado ficam? Neste caso, o controlo dos movimentos divide-se por ambos os hemisférios: os córtices motores dos hemisférios esquerdo e direito controlam respetivamente o lado esquerdo e o lado direito do nosso corpo.

Já se perguntou porque é que tantas vezes nos referimos ao cérebro como “massa cinzenta”? Na verdade, o cérebro é composto por duas substâncias: uma branca, constituída por fibras que interligam os neurónios; e uma cinzenta, que tem um grande protagonismo no sistema nervoso, já que é responsável por conduzir os impulsos nervosos a todo o corpo e coordenar as funções musculares e reflexos.

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É também nesta “massa cinzenta” que encontramos os lobos cerebrais, quatro “departamentos” do cérebro que têm funções bem definidas. O lobo frontal é responsável pelo pensamento estratégico e abstrato, a linguagem, as emoções e as ligações sociais. Já a interpretação dos estímulos visuais e auditivos está a cargo dos lobos occipital e temporais, respetivamente. Os lobos parietais, por sua vez, recebem as várias sensações do corpo, como a dor, o tato ou a temperatura.

Quando algo não está bem na torre de controlo

Como qualquer órgão do corpo humano, o cérebro também envelhece. Como consequência desse envelhecimento, podem surgir doenças degenerativas do foro neurológico, como a demência, o Parkinson ou o Alzheimer, que afeta uma em cada 80 mulheres com mais de 65 anos em todo o mundo. Nos homens com a mesma idade, a prevalência de Alzheimer é de um em cada 60, a nível mundial.

A Esclerose Múltipla é outra das doenças degenerativas do sistema nervoso central. Em Portugal esta patologia afeta mais de 8.000 pessoas e, por ter sintomas comuns a outras doenças neurológicas, pode ser de difícil diagnóstico.

O sistema nervoso não sofre apenas com as doenças degenerativas. Podem também ocorrer inflamações graves das membranas do cérebro – meningite -, perturbações na atividade normal das células nervosas – epilepsia -, entupimento ou rompimento de veias cerebrais – AVC -,  inflamações nos nervos ou tumores.

Da cabeça às pontas dos nossos dedos, o sistema nervoso é uma rede fascinante com tantos detalhes por explorar. Usamos só uma determinada percentagem do cérebro? Podemos adiar o seu envelhecimento com exercícios? É possível “treinar” o nosso pensamento para sermos mais felizes ou bem-sucedidos? O que acontece no cérebro de uma pessoa com demência? Porque é que continuamos a sentir um membro que nos foi amputado?

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