Saúde

Sistema circulatório: uma rede de transportes imparável

11 Julho, 2016

Uma “rede rodoviária” organizadíssima que faz chegar às células tudo o que elas necessitam para “trabalhar”. Mas como funciona o sistema circulatório?


Um sistema sempre a “bombar”

Tranquilamente sentados numa esplanada enquanto bebemos um café e lemos o jornal, a correr para apanhar o autocarro ou ao final de mais um dia extenuante, a dormir no conforto da nossa cama… Seja qual for o momento, há um órgão que nunca pára para que tudo isto seja possível: o coração. Mas ele não está sozinho. O sistema circulatório trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana, para garantir que todos os órgãos e tecidos do nosso corpo recebem tudo o que necessitam para funcionar.

Coração: a central de operações do sistema circulatório

Não é por acaso que quando falamos em sistema circulatório nos lembramos imediatamente do coração. Afinal, este é o músculo responsável por que todo o sistema funcione. São cerca de 72 batidas por minuto, 104 mil batidas por dia, 38 milhões por ano, para garantir que os elementos essenciais, como o oxigénio, os nutrientes e as hormonas, chegam a todas as partes do nosso corpo.

São cerca de cem mil quilómetros de vasos sanguíneos que permitem que o sangue circule de e para o coração. Um “circuito” complexo que equivale a duas vezes e meia a circunferência da Terra! Nas artérias circula o sangue oxigenado e carregado de nutrientes, já nas veias passa o sangue venoso, rico em dióxido de carbono.

Na realidade, existem dois processos de circulação que são complementares e inseparáveis. Por um lado, temos a circulação sistémica que se inicia no ventrículo esquerdo do coração e bombeia o sangue rico em oxigénio pela artéria aorta para os vários órgãos e tecidos. De cada vez são bombeados cerca de 90 mililitros de sangue que percorrem todo o corpo em apenas um minuto.

Human (male) circulatory system. Scheme also contain image of the skeleton and body. Vector illustration

Durante este processo, as células também “entregam” ao sangue resíduos que já não necessitam para que este os reencaminhe para os vários órgãos responsáveis pela sua eliminação. O sangue regressa então ao coração pela aurícula direita carregado de dióxido de carbono. Em seguida, este sangue é encaminhado para a circulação pulmonar, o processo pelo qual se realiza a “limpeza” do sangue venoso. O sangue sai do ventrículo direito para as artérias pulmonares em direção aos pulmões, onde acontecem as trocas gasosas e o sangue passa de venoso a oxigenado. É então que o sangue regressa ao coração pelo átrio esquerdo para entrar na circulação sistémica. É efetivamente uma rede complexa, sempre em atividade!

Em defesa de todo o organismo

No entanto, não é só da irrigação de todos os órgãos que está incumbido o sistema circulatório. O principal componente dos cerca de 5 litros de sangue que circulam no nosso corpo é o plasma, onde abundam não só os eritrócito (glóbulos vermelhos que conferem a cor ao sangue) mas também os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas, cujas tarefas vão da defesa do corpo contra doenças e organismos invasores à estabilização da temperatura corporal e do pH. Não é exagero afirmar que do bom funcionamento do sistema circulatório depende o equilíbrio fundamental de todos e entre todos os sistemas do corpo humano.

As doenças do sistema circulatório são as que mais matam

Todos os órgãos necessitam do fornecimento regular de sangue para funcionarem corretamente, mas o cérebro, por ter a função de coordenar todo o corpo, é aquele que recebe um maior fluxo sanguíneo: cerca de 25% do total. Todos sabemos que as consequências de problemas na irrigação do cérebro podem ser incapacitantes, irreversíveis e até mesmo fatais para o sistema nervoso. E o caso do AVC, a doença cerebrovascular que mais mata em Portugal.

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Aliás, as doenças do aparelho circulatório são a principal causa de morte no nosso país, representando cerca de 30% da mortalidade nacional. A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco de doença cardiovascular e estima-se que afete cerca de 26,9% dos portugueses. A pressão arterial aumenta quando o coração tem de fazer um maior esforço para bombear o sangue e, por isso, exerce maior tensão sobre as paredes das artérias. Ora, um órgão que trabalha em esforço nunca é bom sinal.

Boa parte das doenças do sistema circulatório estão associadas a hábitos alimentares e de vida pouco saudáveis. É o caso da aterosclerose, que está relacionada com um fator de risco bem conhecido dos portugueses: o colesterol. Ao longo dos anos, a gordura (colesterol) que circula no sangue vai-se acumulando no interior das artérias, formando placas que obstruem a passagem do fluxo sanguíneo. A aterosclerose pode ser especialmente grave se afetar artérias do coração ou do cérebro, órgãos que não sobreviverão por muito tempo se o abastecimento de oxigénio for interrompido.

No coração, a redução ou interrupção prolongada do fluxo sanguíneo provoca a morte dos tecidos deste músculo e culmina no tão conhecido enfarte agudo do miocárdio. Sente uma dor ou pressão no peito? Pode tratar-se de uma angina de peito, que acontece justamente quando há um abastecimento deficitário de oxigénio ao músculo cardíaco. Um alerta de que algo não está bem e é preciso vigiar e atuar, antes que algo mais grave aconteça.

Outros problemas comuns no sistema circulatório são as arritmias, alteração na frequência dos batimentos cardíacos; a insuficiência cardíaca, muitas vezes provocada por malformações cardíacas e que se refere à incapacidade do coração de bombear o volume ideal de sangue, e a insuficiência venosa, popularmente conhecida como varizes. As varizes afetam sobretudo as mulheres e esta dilatação das veias pode ser, nos seus estágios mais avançados, verdadeiramente dolorosa.

Se algumas doenças podem ter origem em defeitos congénitos, a verdade é que as nossas escolhas de vida têm um enorme impacto sobre o nosso sistema circulatório: má alimentação, tabagismo, sedentarismo e stress são alguns dos fatores que aumentam a nossa vulnerabilidade. Será que os 10 mil passos por dia que dizem beneficiar o sistema cardiovascular são suficientes para garantir a longevidade do seu coração? O que podemos fazer para cuidar da nossa saúde cardíaca e vascular?

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