Radar económico

Competitividade de um país: o que é e como se calcula?

4 Julho, 2016

O que demonstra que uma economia é mais forte? O seu PIB ou a sua Competitividade? Porque falamos destes dois conceitos? E o que têm um a ver com o outro?


O PIB e a Competitividade: semelhanças e diferenças

Na verdade, o PIB e a Competitividade são dois conceitos muito próximos um do outro.

É como se olhássemos para uma árvore e pudéssemos analisar a sua saúde através da qualidade das suas raízes, perspetivando deste modo a sua capacidade de produzir frutos de forma sustentada ao longo da sua vida. Assim estamos a falar de Competitividade.

Mas também podemos olhar para a árvore e medir apenas a quantidade de frutos que ela produz atualmente, independentemente se as suas raízes estão saudáveis ou doentes. Deste modo estamos a avaliar apenas a sua capacidade de produzir na atualidade, independentemente da sustentabilidade futura dessa produção. Assim é falar do PIB.

A Competitividade e o PIB são conceitos diferentes, mas estão muito relacionados: a quantidade de frutos que uma árvore consegue produzir depende muito da saúde das suas raízes. O PIB de um país é muito influenciado pela Competitividade da sua economia.

O que é a Competitividade?

Growth.Quando falamos de Competitividade não estamos apenas a falar apenas do que uma economia produz atualmente, mas da sua capacidade de satisfazer as necessidades da sua população ao longo do tempo e de forma sustentada. O que queremos dizer com isto? Por exemplo, nos últimos anos, a Guiné Equatorial cresceu tanto em termos de percentagem do PIB como a China. No entanto, não ouvimos falar da Guiné Equatorial como ouvimos falar da China. Há um motivo óbvio: a China é o país mais populoso do mundo e uma verdadeira potência mundial, logo, é natural que surja no nosso radar de notícias com mais frequência. É natural que pareça ter mais importância e que o seu crescimento tenha mais impacto nas nossas vidas. É verdade.

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Mas não é só isso que torna a China um país mais competitivo do que a Guiné. A Guiné Equatorial tem beneficiado de um crescimento poderoso porque lhe saiu a sorte grande em termos geológicos: em 1996 foi descoberta na Guiné uma grande reserva de petróleo que permitiu ao país enriquecer consideravelmente em muito pouco tempo. Porém, uma súbita riqueza surgida da descoberta de novos recursos não torna uma economia mais competitiva, já que não diz nada da sua capacidade para inovar, para servir a sua população, para produzir médicos ou engenheiros ou vestuário ou automóveis, para competir na economia global.

Ao contrário da Guiné, a China tem vindo a desenvolver os seus sistemas de saúde, os seus sistemas educativos, as infrastruturas, a eficiência do tecido económico, etc. Isso torna-a mais competitiva.

Como se calcula a Competitividade?

Um dos barómetros mais conceituados da competitividade dos países é o Índice Global de Competitividade (GCI) do Fórum Económico Mundial (WEF).

O GCI é o indicador que sintetiza num número a competitividade de um país, permitindo fazer comparações entre diferentes países (ver “Quais são as economias mais competitivas?”).

De acordo com o Fórum Económico Mundial, a competitividade de um país, ou seja, a sua capacidade de gerar riqueza ao longo do tempo de forma sustentada, é explicada por 12 fatores essenciais: Instituições, Infraestruturas, Estabilidade macroeconómica, Saúde e ensino básico, Ensino pós-básico e formação, Eficiência do mercado de bens, Eficiência do mercado de trabalho, Sofisticação do mercado financeiro, Readiness tecnológica, Dimensão do mercado, Sofisticação empresarial e Inovação.

O Índice Global de Competitividade está muito associado ao conceito de desenvolvimento económico. Uma economia competitiva é uma economia sustentável. É uma economia que está preparada para as vicissitudes da vida económica e para satisfazer as necessidades dos seus cidadãos de forma consistente. Uma economia pouco competitiva, que assente no baixo preço da mão-de-obra, por exemplo, pode desmoronar facilmente em virtude de mudanças tecnológicas ou variações nos preços das matérias-primas.

No entanto, tornar um país mais competitivo não é um processo simples. Exige esforço e tempo e, por isso mesmo, exige estratégias de longo prazo. Não é fácil para nenhum país desenvolver um bom sistema educativo ou uma cultura de inovação. Muitas vezes demora gerações a conseguir-se. Os benefícios, no entanto, também são mais duradouros.

Cenas dos próximos capítulos

Nos próximos artigos iremos procurar responder a questões como: Quais são os países mais competitivos? Em termos dos vários fatores explicativos da competitividade, quais são os rankings das várias economias? E claro, como se encontra Portugal nestes difíceis “campeonatos”?

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