Radar económico

PIB: o que é e como se calcula?

19 Junho, 2016

O PIB é um dos conceitos mais importantes da economia. Muito falado mas pouco compreendido, sendo uma das maiores invenções do século XX. 


A importância do PIB

Tal como os satélites no espaço podem caracterizar a situação meteorológica de todo um continente, também o PIB pode dar uma imagem global do estado da economia de um país.

É com este indicador que economistas e decisores políticos determinam, por exemplo, se a economia está em contração ou em expansão, em recessão ou em retoma.

Mas afinal de contas o que é o PIB?

Para entender o que é o PIB, é importante refletir sobre aquilo que este indicador procura avaliar: a dimensão económica de um país.

Na base da economia de um país encontra-se uma interação constante entre as pessoas que procuram soluções para as suas necessidades (comer, beber, ir de um lado para o outro, educar um filho, vestir-se, limpar a casa, entreter-se, etc.) e as pessoas que desenvolvem e oferecem essas soluções (produtos e serviços). Este processo contínuo de satisfação de necessidades pode ser mais ou menos intenso. Por outras palavras, uma economia, perante as necessidades das pessoas (procura) pode produzir mais ou menos soluções para as satisfazer (oferta) e o PIB é um indicador que, num só número expresso em valor monetário, avalia a força produtiva dum país.

grafico_PIB

Como se calcula o PIB?

Se entendermos um país como uma grande empresa, o PIB da “Empresa Portugal” é, mais ou menos, o equivalente ao valor de venda dos produtos e serviços produzidos em território nacional (1).

Os clientes desta empresa são todas as pessoas e organizações, residentes em Portugal ou no estrangeiro, cujas necessidades foram satisfeitas através dos produtos e serviços produzidos pela Empresa Portugal.

É com essas “vendas” que a Empresa Portugal consegue dinheiro para remunerar os seus “colaboradores” (trabalhadores, empresários, fornecedores, credores, entre outros), através de salários, lucros, juros e rendas.

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Sendo assim, o PIB pode ser calculado de três formas diferentes:

  • Pela via da produção (Oferta) que corresponde ao valor de venda dos produtos e serviços produzidos pela Empresa Portugal;
  • Pela via da despesa (Procura), que equivale ao valor que os “clientes” da Empresa Portugal gastaram na satisfação das suas necessidades;
  • Pela via do rendimento (Trabalho), que equivale ao valor das remunerações recebidas por todos aqueles que “trabalham” na Empresa Portugal;

Simplificando para linguagem matemática, o Produto Interno Bruto é frequentemente apresentado na seguinte fórmula:

GRÁFICOPIB

PIB = (Consumo Privado + Consumo Público + Investimento) + Exportações – Importações (2)

Em suma, o PIB representa, em valor monetário, o conjunto de produtos e serviços (3) produzidos exclusivamente em Portugal (4) que foram utilizados por pessoas e organizações, residentes no país (5) ou no estrangeiro (6).

E agora, que questões podemos colocar?

Agora que está mais claro o que é o PIB e como é calculado, surgem outras perguntas associadas que merecem reflexão e respostas.

Qual é a relação entre as importações e PIB? Por que é tão importante fazer crescer as exportações? Como é que o consumo privado pode contribuir para o crescimento da economia? O que é que o investimento tem que ver com PIB? Até que ponto a despesa pública influencia a crescimento económico? Por que razão há economias mais desenvolvidas do que outras?

Encontrar respostas para todas estas questões é um dos desafios do “Economia à sua Medida” e será essa a lógica dos artigos que iremos apresentar.

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Notas importantes

(1) Na verdade o PIB não é bem o valor de venda de todos os produtos e serviços produzidos em Portugal. A lógica do PIB é de valor acrescentado pelos ramos/sectores, ou seja, ao valor de venda dum produto deduz-se os custos intermédios relacionados com a compra de inputs materiais necessários ao processo produtivo. Sendo assim, o PIB em rigor equivale ao valor de venda dos produtos e serviços produzidos em território nacional, deduzidos dos custos intermédios relacionados com a compra de inputs necessários ao processo produtivo.

(2) O que significa cada uma das rubricas do PIB?

  • Consumo privado (C) – É o consumo, valorizado por exemplo em €, de produtos e serviços, produzidos pelo setor privado, utilizados diretamente na satisfação de necessidades das pessoas e famílias (e que não sofrem mais qualquer tipo de transformação empresarial). Exº:Pão, consultas médicas, electricidade, roupa, carros, etc.
  • Consumo público (G) – É o consumo, valorizado por exemplo em €, de produtos e serviços, produzidos pelo Estado, utilizados diretamente na satisfação de necessidades das pessoas e famílias. O valor deste consumo é calculado a partir dos gastos do Estado aplicados na produção de produtos e serviços públicos. Exº:saúde pública, escolas públicas, segurança pública, etc.
  • Investimento (I) – É o consumo, valorizado por exemplo em €, de bens ou serviços necessários para a produção de outros bens ou serviços. A este tipo de consumo, é habitual usar-se o termo Investimento, que não é mais do que as despesas efetuadas (maioritariamente por empresas e estado) na aquisição de fábricas, edifícios e tecnologias necessários para produzir bens finais ou outros bens de investimento. A compra de habitações novas por parte das famílias/pessoas particulares também é considerado investimento.
  • Exportações (Exp) – Diz respeito ao consumo, por parte de residentes no estrangeiro, de produtos e serviços produzidos em território nacional, valorizado por exemplo em €.
  • Importações (Imp) é a totalidade de produtos e serviços produzidos em território estrangeiro mas consumidos em território português, valorizado por exemplo em €.

(3) Nestes produtos e serviços incluem-se apenas os chamados bens finais e os bens de capital. Os bens finais são todos os produtos e serviços que podem ser utilizados diretamente na satisfação de necessidades das pessoas e famílias (e que não sofrem mais qualquer tipo de transformação empresarial). Os bens de capital são todos os produtos e serviços que só podem ser utilizados na produção de outros bens e serviços.

(4) Os produtos e serviços que se vendem em Portugal podem ser classificados em duas partes distintas, de acordo com a sua origem produtiva. Uma parte é produzida no estrangeiro (Importações ou Oferta externa) e a outra parte é produzida em território nacional (PIB ou Oferta interna). Por outras palavras, o PIB não inclui importações. Daí que as importações entrem na fórmula a diminuir o PIB e não a aumentá-lo.

(5) À parte do PIB (produtos e serviços) que foi consumida por pessoas e organizações, residentes no país, é usual dar-se o nome de Procura interna (= Consumo Privado + Consumo Público + Investimento).

(6) À parte do PIB (produtos e serviços) que foi consumida por pessoas e organizações, residentes no estrangeiro, também se pode dar o nome de Exportações ou Procura Externa.

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